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AGOSTO/2001

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Quarta, 29

Transbrasil demitirá quase mil funcionários.

A Transbrasil anunciou ontem um plano de reestruturação para voltar a operar no azul e garantir a sobrevivência da empresa. Para reduzir custos, a folha de pagamentos será reduzida, dentro de 90 dias, de 2.888 para 1.899 funcionários - o equivalente a cerca de 30% do quadro. Além disso, a empresa solicitou ao Departamento de Aviação Civil (DAC) a transferência de todos os vôos do Aeroporto Internacional de Guarulhos para o de Congonhas, em São Paulo.

Com estas medidas, a empresa espera aumentar em 75% as receitas e transformar o prejuízo líquido de R$ 11 milhões, registrado em agosto, em lucro de R$ 7,4 milhões, em cerca de quatro meses. "Vamos mostrar ao mercado que temos capacidade de reunir recursos e pagar nossas dívidas", afirmou o presidente da Transbrasil, Antônio Celso Cipriani.
A companhia acumula hoje débitos na casa de US$ 400 milhões e vem enfrentando sucessivos problemas com credores. Em julho, a Transbrasil conseguiu evitar um pedido de falência feito pela GE Capital e, na semana passada, recuperou um Boeing que havia sido arrestado em Miami pela empresa de leasing Pegasus. Além disso, o Sindicato dos Aeroviários acusa a empresa de não efetuar em dia os pagamentos dos funcionários.
Segundo Cipriani, a empresa aguarda apenas as autorizações do DAC e da Infraero, que podem sair em poucos dias, para iniciar as operações no aeroporto de Congonhas. "Já realizamos estudos e temos certeza de que não há impedimentos para que voltemos para o aeroporto, mesmo porque ainda possuímos os slots (vagas para os aviões) necessários", diz.

Ainda em setembro, a companhia deverá também retomar os vôos para Miami, que passarão a decolar do Aeroporto de Brasília.

De acordo com o vice-presidente da companhia, Flávio Carvalho, a transferência dos vôos para Congonhas vai permitir um aumento de 51% no yield dos vôos - que é a medida usada em aviação para expressar a receita por passageiro transportado a cada quilômetro.
"O passageiro de Congonhas geralmente é o executivo que não se importa em pagar a tarifa cheia se precisa viajar em determinado horário. O custo necessário para levar os passageiros até Guarulhos tem se mostrado muito alto", explica Carvalho.

Cipriani disse que espera obter R$ 60 milhões com a venda de três Boeings 767 próprios para uma empresa de leasing, que os alugaria de volta para a companhia - artifício conhecido como sale leaseback. A quantia poderia ser empregada, de acordo com ele, no leasing de outros dez aviões.

Mas, para executar a operação, a Transbrasil precisa obter uma Certidão Negativa de Débito (CDN), que dificilmente o governo fornecerá antes que se chegue a um acordo quanto às dívidas da empresa com o INSS. O órgão alega que o débito é de R$ 320 milhões, mas a empresa só reconhece que deve R$ 170 milhões.

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Quarta, 29

Rompimento de hélice pode ter matado Rolim.

Técnicos do Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e do Centro Tecnológico Aeronáutico (CTA) investigam desde ontem a hipótese de que uma fadiga de material tenha provocado a queda do helicóptero Robinson R-44, prefixo ZP-HRM, que matou o ex-presidente da TAM, comandante Rolim Adolfo Amaro dos Santos, 59 anos, e a gerente da empresa, Patrícia dos Santos da Silva, 31. A aeronave caiu às 9h30 do dia 8 de julho no município de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, minutos após de ter decolado da fazenda de Rolim em Ponta Porã (MS).

Segundo o chefe do Cenipa, coronel-aviador Antônio Junqueira, essa hipótese começou a ser investigada depois que agricultores paraguaios encontraram um pedaço do rotor (hélice) do helicóptero a quase 200 metros do local da queda. Os técnicos acreditam que o rotor, devido a uma fadiga de material, pode ter quebrado quando o helicóptero ainda estava no ar.

Especialista - Junqueira esclareceu que a descoberta do pedaço do rotor levou o Cenipa a convidar um membro do National Transportation Safety Board (NTSB), órgão dos Estados Unidos que investiga os acidentes aéreos, a integrar a comissão que apura as causas de acidentes. Ele explicou que o americano, que desembarcou ontem em São Paulo, é um dos maiores especialistas do mundo no helicóptero Robinson, fabricado nos EUA.

''Se o rotor rompeu mesmo no ar, não há nada que conseguisse segurar o avião. Por isso, com a ajuda do maior especialista do mundo, vamos investigar a fundo essa hipótese'', disse Junqueira.

O coronel-aviador afirmou que os oficiais brasileiros estão colaborando com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos do Paraguai (Cipaa), que comanda as investigações, em consideração à contribuição do comandante Rolim à aviação civil. Segundo Junqueira, o relatório final será divulgado no Paraguai pelo Cipaa.

Laudo - ''Estamos fazendo as investigações a quatro mãos, mas caberá ao Paraguai apresentar o laudo conclusivo'', disse Junqueira. Ele afirmou que, se ficar comprovada a fadiga de material, o relatório conclusivo será encaminhado a Robinson e a todos as empresas usuárias da aeronave a fim de que possam providenciar mudanças na fabricação do rotor.

Ainda de acordo com Junqueira, todas as outras hipóteses, entre elas a de pane seca (falta de combustível), ainda não podem ser descartadas.

Segundo o assessor de imprensa da TAM, Paulo Pompilo, a ruptura do rotor pode provocar a queda da aeronave, o que, segundo ele, isentaria o comandante Rolim de culpa do acidente.

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Terça, 28

Infraero reduz tarifas em três aeroportos. 
 A Infraero reduziu em 10% as tarifas de embarque, pouso e permanência em três aeroportos do País. A medida beneficia passageiros e companhias aéreas, e estará vigorando nos terminais de Guarulhos, em São Paulo, Galeão, no Rio de Janeiro, e o aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, a partir de 1.º de outubro. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Infraero, Fernando Perrone, e pelo brigadeiro Venâncio Grossi, chefe do Departamento de Aviação Civil (DAC), durante entrevista coletiva no Centro de Convenções da Bahia.
O objetivo da redução de tarifas é diminuir o fluxo de passageiros e aeronaves nos aeroportos de Congonhas, na capital paulista, Santos Dumont, no Rio, e Pampulha, na capital mineira, uma vez que o tráfego aeroportuário desses terminais já se encontra próximo da sua capacidade máxima.
"Com essa estratégia, a Infraero e o Departamento de Aviação Civil esperam obter, praticamente sem custos, a solução a médio prazo de um problema bastante complexo", diz o presidente da empresa que administra 111 aeroportos espalhados pelo País. Perrone explica que, no caso de Congonhas e Pampulha, a ampliação está descartada, por causa da proximidade com os centros urbanos, e em relação ao Santos Dumont a idéia de ampliação também não é viável por enquanto.
Fernando Perrone se antecipou às perguntas sobre a interdição das obras do complexo aeroportuário de Salvador, determinada pelo Tribunal de Contas da União, que realiza uma auditoria na contabilidade da obra. Segundo ele, a empresa "não está preocupada com os resultados dessas investigações, mas espera que a discussão sobre o assunto seja despolitizada." "Quanto mais cedo se encerrarem as disputas políticas, mais cedo as obras terminarão", disse.

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Terça, 28

França adia decisão sobre volta do Concorde .

As autoridades francesas precisam de mais tempo para analisar as novas informações apresentadas pelos fabricantes do Concorde antes de permitir que o avião supersônico retome seus vôos comerciais, afirmou um porta-voz na terça-feira. Esperava-se que a França e a Grã-Bretanha aprovassem a volta da aeronave aos vôos comerciais no começo desta semana, mais de um ano depois do acidente ocorrido perto de Paris com um Concorde da Air France. Na queda, morreram 113 pessoas.

"Precisamos de informações suplementares dos fabricantes, já que nem todos os cenários possíveis foram analisados", disse Gerard Le Houx, porta-voz do departamento de aviação civil da França (DGAC). "O relatório que recebemos recentemente deles tem de ser analisado com mais profundidade", afirmou Le Houx. A autoridade não quis revelar se a decisão sobre o Concorde seria tomada na quarta-feira.

A aprovação permitiria que a Air France e a British Airways retomassem seus vôos comerciais com o Concorde depois de realizar alterações nas aeronaves para aumentar o grau de segurança. As empresas aéreas perdem respectivamente cerca de US$ 4 milhões e US$ 9,5 milhões por mês com os aviões no chão. A British Airways prevê que as modificações vão custar mais US$ 46,15 milhões para a empresa. Entre as alterações exigidas estão envolver os tanques de combustível com uma camada protetora de kevlar - material usado nos coletes a prova de bala -, tornar os pneus mais resistentes e modificar a fiação da carenagem inferior do Concorde.

O acidente de Paris foi causado pelo estouro de um pneu durante a decolagem. Pedaços do pneu atingiram o tanque de combustível e provocaram uma explosão, indicaram as investigações. O Concorde é fabricado por um grupo de empresas britânicas e francesas que passaram a se chamar European Aeronautic, Defence & Space Co e BAE Systems Plc.

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Terça, 28

Transbrasil anuncia concentração de operações em Congonhas .

A Transbrasil vai concentrar todas as suas operações no Aeroporto de Congonhas a partir de setembro. O objetivo é retornar ao equilíbrio financeiro operacional e ao mesmo tempo contornar as dificuldades que vem enfrentando desde julho quando a norte-americana GE Capital entrou com o pedido de falência na Justiça.

Com essa mudança, a Transbrasil transfere toda a sua operação que está concentrada no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, para Congonhas. A transferência garantirá à companhia a redução de custos, pois a Transbrasil poderá ampliar o índice de aproveitamento de suas aeronaves trazendo reflexos positivos para a receita da companhia.

Pelas previsões da companhia, o lucro operacional voltará a ser atingido em dois meses a partir da mudança.

O pedido de transferência das operações já foi aprovado pelo DAC (Departamento de Aviação Civil), mas depende de uma autorização da Infraero para ser colocada em prática.
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Segunda, 27

Quem usar grandes aeroportos receberá descontos.

A Infraero e o Departamento de Aviação Civil (DAC) reduzirão em cerca de 10% as tarifas de pouso, permanência e embarque para empresas aéreas e consumidores que utilizarem os aeroportos Internacional Tancredo Neves (BH), Galeão Tom Jobim (RJ) e Guarulhos (SP) em detrimento de outros menores, como Pampulha (BH), Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). A idéia é incentivar o uso de aeroportos que ofereçam uma infraestrutura melhor e a medida poderá ser estendida também para outras cidades em determinados horários de pico.

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Segunda, 27

Os riscos da abertura da aviação civil.

O governo dará um passo arriscado se adotar a proposta do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), formado por representantes dos Ministérios da Defesa, Fazenda, Desenvolvimento e Casa Civil, de ampliar a participação acionária de empresas estrangeiras na indústria nacional de transporte aéreo. O Código Brasileiro de Aeronáutica limita a 20% a participação do capital estrangeiro nas empresas de aviação civil. A sugestão do Conac é permitir que estrangeiros detenham o controle acionário das empresas, que estão passando por dramática crise financeira.

O objetivo da liberação é atrair novos investimentos para o setor, permitindo o seu saneamento. O limite de participação acionária fixado pelo Código Brasileiro de Aeronáutica é tido como decisivo empecilho à entrada de capitais estrangeiros no setor do transporte aéreo. De fato, até hoje nenhum investidor estrangeiro se interessou em tornar-se sócio das transportadoras brasileiras. Alguns acordos operacionais entre empresas brasileiras e estrangeiras chegaram a prever uma associação acionária, nunca realizada.
Os defensores da abertura desse mercado argumentam que as grandes empresas aéreas, principalmente as norte-americanas, rejeitam a idéia de se tornarem acionistas minoritárias. Ingressos de capital, portanto, somente se realizariam se a elas fosse permitido deter o comando das empresas domésticas.
A proposta do Conac, de fato, removeria esse obstáculo. A questão é saber se essa solução não criaria problemas adicionais, mergulhando a indústria nacional do transporte aéreo numa crise ainda mais profunda que a atual.
Na Argentina, a venda da Aerolíneas pode ser definida como uma carnificina.
Os compradores - entre eles o controlador da Ibéria - desmembraram a empresa, venderam as partes que tinham liquidez e relegaram a último plano a atividade-fim da companhia. Hoje, a Aerolíneas é dona de um único avião e suas rotas estão sendo preenchidas, quando o são, por outras empresas, brasileiras, inclusive. Esse tipo de empreendimento predatório deve ser previsto e evitado, se o governo pretende abrir as transportadoras brasileiras ao capital majoritário estrangeiro.
Pela proposta do Conac, uma empresa estrangeira não precisaria adquirir o controle de uma empresa brasileira para atuar nas linhas domésticas. Teria apenas de abrir filiais ou subsidiárias no Brasil e utilizar equipamentos e instalações próprios registrados no País. Com esse subterfúgio, não se caracterizaria formalmente a adesão do Brasil à política de "céus abertos", pela qual as companhias internacionais podem operar livremente nas rotas domésticas, sem acordos de reciprocidade. Mas, na essência e na prática, o País estaria sujeito aos efeitos perniciosos da política de "céus abertos".
O Brasil é, e continuará sendo por muito tempo, um mercado pequeno para as grandes empresas aéreas internacionais - no Brasil transporta-se, em um ano, o número de passageiros que as companhias americanas deslocam apenas nos feriados da Ação de Graças. Isso significa que, numa primeira etapa, as empresas estrangeiras aqui sediadas poderão, sem maiores conseqüências para os lucros corporativos, fazer uma guerra de tarifas que inviabilizaria as empresas de capital nacional e, eventualmente, numa mudança de estratégia decidida no Exterior, encerrar suas atividades no Brasil.
O transporte aéreo, num país com as dimensões do Brasil, não é apenas um negócio, é uma atividade estratégica. Por isso, se o governo adotar a sugestão do Conac, terá de tomar todas as precauções para que as hipóteses aqui levantadas não se realizem.
A injeção de capital estrangeiro nas combalidas empresas nacionais pode ser uma solução para a crise, desde que precedida de grandes cuidados. Mas, antes, cabe ao governo adotar algumas medidas para aliviar as pressões do setor. O governo já decidiu, acertadamente, que não repassará dinheiro público para as empresas. O governo, porém, tem sua parcela de responsabilidade pelas causas estruturais da crise da aviação comercial. Não bastasse a maior parte dos equipamentos e insumos aeronáuticos ser paga em dólares, para uma receita composta majoritariamente em reais, a carga de impostos que incide sobre a atividade é brutal e desproporcional à que recai sobre empresas do mesmo setor, em outros países, em muitos dos quais elas são generosamente subsidiadas. Por exemplo, em 1989 foi criado o Adicional de Tarifa Aeroportuária, que acresce em 50% as tarifas aeroportuária e de utilização dos auxílios à navegação e telecomunicações. A contribuição, que deveria ser temporária, onera as empresas há 12 anos e o governo não cogita de sua extinção. É por aí que o governo deveria começar.

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Domingo, 26

Rússia volta a fabricar avião de combate de Segunda Guerra .

Um lendário avião de combate soviético da Segunda Guerra voltou a ser fabricado graças a encomendas de admiradores milionários e museus dos Estados Unidos e da Europa. Nikolai Menshikov, diretor de marketing da Orenburg, uma empresa aeronáutica do sul da Rússia, disse que centenas de pessoas vêm trabalhando em tempo integral na produção de réplicas do Yak-9, o principal avião usado por Moscou para enfrentar a poderosa aviação da Alemanha nazista.

"Estamos construindo agora o Yak-9 exclusivamente para clientes estrangeiros, principalmente dos EUA e do Reino Unido, o que está empregando 600 trabalhadores", afirmou Menshikov. Segundo ele, a fábrica havia preservado uma linha de montagem original do Yak após a guerra para produzir ocasionalmente aviões. Depois, entretanto, o local foi transformado numa fábrica de helicópteros. "Já entregamos cerca de 20 encomendas, temos outras 12 em andamento e outras virão", disse Menshikov.

A Luftwaffe (força aérea nazista) pegou a aviação soviética de surpresa quando Hitler declarou guerra contra Stalin, em 1941. Dezenas de aviões foram destruídos no ar e também no solo. O Yak-9, desenhado por Alexander Yakovlev, foi entregue aos pilotos soviéticos em outubro de 1942. O modelo entrou em combate pela primeira vez na batalha de Stalingrado. Mais de 16 mil monomotores Yak-9 foram construídos até a sua produção ser suspensa em 1947.
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Domingo, 26

Governo mineiro quer novo aeroporto.

O governo de Minas sustenta que o Aeroporto Regional da Zona da Mata é um empreendimento fundamental para o desenvolvimento da região. O governador Itamar Franco (PMDB) prefere não responder a nada que diga respeito ao aeroporto. Para tanto, encarregou seu secretário de Transportes e Obras Públicas, Marco Antonio Marques de Oliveira, de cuidar de tudo sobre a obra.

O secretário diz que o novo aeroporto vai produzir forte impacto econômico na região, porque beneficiará cerca de 1 milhão de pessoas de 142 municípios. "A região é estategicamente privilegiada, bem localizada, próxima de São Paulo, Rio e Belo Horizonte, que são importantes centros consumidores do País", diz Marco Antonio.
Quem segue pela MG-353, de Juiz de Fora para Rio Novo, encontra uma placa, 43 quilômetros à frente, distante de qualquer canteiro de obra, com os dizeres: "Aeroporto Regional da Zona da Mata. Secretaria de Transportes e Obras Públicas. Aqui se inicia o aeroporto regional, progresso e vitória para a Zona da Mata."
Próximo dessa placa será construída uma variante da MG-353, pois a pista, menos tortuosa ali, será ocupada pelo aeroporto. O secretário de Transportes diz que haverá ainda uma outra rodovia, que ligará o aeroporto à BR-040 (Rio-Juiz de Fora) e à rede ferroviária. Entre os inúmeros benefícios - diz o secretário -, está o de o novo aeroporto servir de alternativa a outros, como os de Confins e da Pampulha, em Belo Horizonte, o do Galeão, no Rio, e o da própria cidade de Juiz de Fora. Quanto ao processo de desapropriação da área onde será construído o aeroporto, o secretário não quis entrar em detalhes. Afirmou apenas que está dentro do que foi programado e em conformidade com a legislação.
De acordo com informação da Infraero, não é necessária licença da autarquia para o governo de Minas construir o aeroporto. Dos cerca de 2 mil que existem hoje no País, apenas 65 são administrados pela Infraero. Há casos até de aeroportos particulares, como o de Porto Seguro, na Bahia, e o de Búzios, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, vários estão sob responsabilidade do Departamento de Aviação do Estado (Daesp). Todos, entretanto, têm de ser homologados pelo Departamento de Aviação Civil (DAC). (J.D.) 

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Sábado, 25

Transbrasil deve sair de Cumbica e voltar a operar em Congonhas .

A Transbrasil prepara uma mudança radical de rota: a empresa não quer mais usar os aeroportos de Cumbica, em Guarulhos, e do Galeão, no Rio de Janeiro.
A nova estratégia prevê a concentração dos vôos em aeroportos centrais, como o de Congonhas, em São Paulo, e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro.
Hoje, os aviões da Transbrasil não pousam em Congonhas e Santos Dumont. Mas a empresa afirma que tem direito a "slots" _reservas de espaço nos dois aeroportos.
A razão da mudança é de ordem econômica: usar os aeroportos centrais é o negócio mais rentável da aviação brasileira.
Nos aeroportos centrais, pode-se cobrar mais pelos bilhetes e, ainda assim, garantir maior ocupação dos aviões do que em aeroportos mais distantes.
A Transbrasil teria uma economia de 40% com a concentração dos vôos nos aeroportos centrais.
A companhia pediu autorização do governo e aguarda apenas a confirmação de Brasília para deixar os aeroportos de Guarulhos e do Galeão.
Procurada pela reportagem, a empresa não confirma a tentativa de mudança.
Segundo a Folha apurou, a tendência do governo é dar o sinal verde para a Transbrasil e também dar mais vantagens para a Gol, a empresa que seria mais afetada pela mudança porque também concentra suas atividades em aeroportos centrais.
A Gol ganharia mais horários em Congonhas e seria autorizada a usar os aeroportos de Cumbica e Santos Dumont, duas reivindicações já feitas pela empresa.
Essa solução já circula nas cabines de comando das companhias aéreas e desagrada à TAM e à Varig. As duas também pediam mais espaço nos aeroportos de Congonhas e Santos Dumont e pretendem reagir contra as concessões à Transbrasil e à Gol.
Hoje, a Transbrasil tem nove aviões em condições de vôo. São oito aviões 767-200 que funcionariam nos aeroportos centrais.
A empresa tem também um avião 767-300, para grandes distâncias. Esse avião, que estava retido pela Justiça americana em Miami, foi restituído à Transbrasil e deverá ser aproveitado em rotas para Buenos Aires ou Manaus, podendo ser a única aeronave da empresa a usar os aeroportos de Guarulhos ou de Galeão.
Outra mudança em estudo prevê o uso do aeroporto de Brasília como um dos principais centros da Transbrasil. Um número maior de vôos sairia de lá, aproveitando a localização geográfica e o fato de a maior oficina de manutenção estar em Brasília.
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Sábado, 25

Governo quer abrir aviação comercial a estrangeiros .

Com o fim da resistência dos militares, o governo concluiu na última quarta-feira que a abertura do mercado de aviação civil para as empresas estrangeiras não fere a soberania nacional. O consenso abre espaço para que a medida seja adotada como uma tentativa para reestruturar o setor.

As discussões sobre como reestruturar o setor foram retomadas na quarta-feira, durante reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac).

Ontem, houve nova reunião com os representantes das empresas, na qual o governo deixou claro que não pretende colocar recursos públicos para sanear as empresas aéreas.

Na reunião de quarta-feira, os militares informaram que não resistem mais à instalação de empresas aéreas estrangeiras na aviação civil, segundo informou um dos participantes da reunião. Hoje, a legislação limita a participação do capital externo a 20%.

Embora haja consenso sobre a medida, ainda não há uma decisão sobre sua adoção. Isso vai depender das negociações que estão em andamento com as empresas e de sua viabilidade política, já que teria de ser feita por medida provisória a ser votada no Congresso.

Alguns integrantes do governo defendem que a decisão saia logo e que a MP seja editada até o final de setembro. Avaliam que, se perder esse prazo, o governo terá de enviar um projeto ao Congresso devido a mudanças nas regras de edição das medidas provisórias.

Como o projeto de lei não entra em vigor imediatamente, o governo avalia que o lobby das empresas aéreas, que não concordam com a abertura total, poderia atrasar ou dificultar a aprovação da proposta.

Na reunião de ontem, os representantes do grupo especial criado para discutir o setor reuniram-se com presidentes e vice-presidentes das companhias aéreas, mas não confirmaram a informação de abertura do mercado às empresas estrangeiras.

Na saída, os donos das companhias aéreas disseram que não se opõem à entrada de multinacionais, desde que o controle acionário seja mantido pelas companhias brasileiras.

Executivos da Varig, TAM, Gol, Transbrasil e Vasp apresentaram seus pedidos ao governo. As empresas querem desoneração tributária. Mas o governo afirma que não haverá dinheiro público no processo de reestruturação.

Mesmo havendo consenso sobre a abertura do mercado às empresas estrangeiras, o Departamento de Aviação Civil (DAC), comandado por militares, divulgou nota ontem desmentindo que a abertura do setor ao capital estrangeiro esteja em discussão. A nota atribuiu a informação a fontes não-credenciadas.

"Este departamento repudia veementemente as equivocadas informações propagadas por fontes cujo interesse único é desestabilizar o processo de evolução e modernização do transporte aéreo do país", diz a nota.
De acordo com o secretário-executivo do Conselho Nacional de Aviação Civil, do Ministério da Defesa, José Augusto Varanda, há uma proposta pronta de alteração da participação do capital estrangeiro de 20% para 25%, que só deverá ser enviada ao Congresso no fim do ano.

O presidente da Transbrasil, Antônio Celso Cipriani, fez dois ambiciosos pedidos ao governo durante a reunião, conforme afirmaram outros participantes do encontro. A empresa tem dívidas de cerda de R$ 800 milhões.

A Transbrasil quer que o Ministério da Defesa apresse os Estados a devolver os créditos que a empresa tem de ICMS pagos a mais.

Outro pedido da companhia é para que a Infraero ceda os espaços reservados à Transbrasil nos aeroportos (os hangares) para que a companhia os incorpore ao patrimônio líquido, contou uma fonte de outra empresa aérea.
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Sexta, 24

Transbrasil recupera Boeing 767 arrestado pela Justiça dos EUA .

A Transbrasil recuperou ontem um Boeing 767-300 que havia sido retido pela Justiça americana em Miami. Ainda ontem, uma tripulação da Transbrasil viajou para a cidade da Flórida para buscar o avião, que havia sido arrestado em 9 de agosto.
O avião pertence à empresa de leasing  Pegasus e fazia a rota da Transbrasil entre São Paulo e Miami. Como o pagamento do aluguel da aeronave estava atrasado, a Pegasus queria tomá-lo da Transbrasil e manter o avião nos EUA.
Ontem, a Justiça americana deu ganho de causa à Transbrasil e liberou o retorno da aeronave para o Brasil. Com a volta do 767-300, a Transbrasil terá nove aviões para suas rotas. Outros três aviões estão parados, em manutenção.
Com dívidas de R$ 800 milhões, a empresa enfrenta uma das mais graves crises de sua história. Para fazer frente à crise, a Transbrasil prepara um plano de reestruturação, que prevê a demissão de pessoal e um novo planejamento para seus vôos.
A empresa também está renegociando dívidas com aproximadamente 200 credores. Nesta semana, a companhia aérea conseguiu garantir que dois aviões permanecessem em sua frota, depois de renegociar contrato com a empresa de leasing CIT.
A Transbrasil ofereceu para a CIT a troca do contrato de leasing por outro de compra das aeronaves. Para pagar a entrada, equivalente a 10% do valor dos aviões, a empresa vai usar recursos de um fundo de reserva para manutenção das aeronaves.
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Sexta, 24

Infraero discute logística.

O aumento no transporte aéreo de passageiros e, principalmente, de cargas reflete na necessidade constante de aprimoramento e gerenciamento de logística por parte da Infraero - Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária. Dentro dessa perspectiva, foi realizado durante todo o dia de ontem, em Curitiba, o II Fórum Infraero de Logística para o Desenvolvimento, que reuniu diversos segmentos empresariais, setor de turismo, órgãos públicos e universidades, que discutiram a importância estratégia dos aeroportos para o economia do País. O movimento médio de passageiros tem crescido por ano 4%, enquanto que o de cargas chega a ser até três vezes maior, fato atribuído à presença de empresas estrangeiras no país, relação com o Mercosul e globalização.

A Infraero é representada no Brasil por uma malha aeroportuária composta de 65 aeroportos - que concentram 97% do movimento do transporte aéreo regular do País - e 83 Estações de Apoio à Navegação Aérea, que executam serviços de telecomunicações, controle de tráfego aéreo, meteorologia e proteção ao vôo. Segundo o presidente da Infraero, Fernando Perrone, a previsão é fechar o ano com um faturamento da ordem de R$ 1,4 bilhão, sendo que no ano passado foi de R$ 1,2 bilhão. "As empresas que são potenciais transportadoras mostram que os aeroportos serão no século XXI elemento estratégico para o desenvolvimento das regiões", destacou.

A Região Sul, que conta com nove aeroportos com terminais de carga alfandegada, representa 10% da receita e volume total negociado pela Infraero e é uma das regiões que mais cresce. Mas segundo o superintendente do Aeroporto Internacional Afonso Pena, João Roberto de Paula, este é considerado o quinto no resultado da rede Infraero. Localizado em São José dos Pinhais, o aeroporto respondeu, entre importação e exportação, por trinta mil toneladas de mercadorias e por 2,5 milhões de passageiros - embarque e desembarque. Enquanto o crescimento dos demais aeroportos do País está entre 4% e 7% , o Afonso Pena tem crescido mais de 10%.

Para responder a necessidade das empresas que utilizam a estrutura aeroportuária, a Infraero está voltada para a logística, trabalhando principalmente os conceitos de velocidade, preço competitivo e modernização das aduanas.

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Sexta, 24

DAC sugere força conjunta de companhias aéreas.

O Departamento de Aviação Civil (DAC) está sugerindo que as companhias aéreas nacionais atuem de forma conjunta nas rotas internacionais como saída para ganharem poder de fogo na competição com as empresas estrangeiras, que têm conquistado cada vez mais tráfego nas rotas para o País. Para o mercado interno, a concorrência entre as empresas permaneceria sendo estimulada. A idéia foi apresentada hoje pela manhã aos deputados federais que integram a comissão que analisa a criação da agência reguladora do setor (Anac) e que estiveram na sede do órgão, no Rio.

Os deputados, liderados pelo presidente da comissão, Nelson Marchezan (PSDB-RS), pediram informações sobre os motivos que levaram o setor a chegar à crise atual. Também demonstraram preocupação com a perda de participação das empresas brasileira no transporte internacional. Exemplo típico é a rota entre o Brasil e os Estados Unidos. No início dos 90, pouco mais da metade do tráfego era feito pelas empresas nacionais. Agora, as companhias americanas detém cerca de 65% do movimento na rota. “É preciso ter uma estratégia para o transporte aéreo do País”, disse Marchezan, citando a importância de fortalecer a presença brasileira no exterior.

Fonte ligada ao DAC informa que a idéia seria estimular a união de forças nos vôos para o exterior, o que poderia ocorrer conforme o país ou região geográfica, não representando, necessariamente, a fusão de todos os serviços numa empresa só. O assunto já chegou a ser informalmente tratado com as companhias, conta outra fonte do setor, mas a política do departamento não tem sido a de intevir nos assuntos internos e estratégicos de cada empresa.

A preocupação é o impacto do avanço das companhias estrangeiras sobre a balança de serviços do País. No tráfego interno, o DAC, nos últimos anos, tem procurado incentivar a criação de novas empresas e a competição do setor. Durante a apresentação aos deputados, o órgão também defendeu o adicional chamado Ataero, cujos fundos são repassados e revertem para investimentos na infraestrutura aeroportuária do País. O adicional, que representa 50% do valor das tarifas aeroportuárias, equivale a cerca de 1% das tarifas vendidas no mercado doméstico, demonstraram os técnicos do DAC. Já as despesas comerciais das companhias, incluindo sistemas de reservas, propaganda, marketing, equivalem a quase 15% do valor das tarifas.

Nesta sexta-feira, as empresas deverão se reunir em Brasília com o governo federal, para um diagnóstico da crise do setor aéreo. Os presidentes das companhia aéreas deverão ser convocados pela comissão que analisa o projeto da agência reguladora, para que exponham suas posições sobre a evolução da crise do setor. Já nas próximas semanas o relatório da comissão sobre o projeto da agência deverá estar concluído. Segundo Marchezan, a comissão provavelmente deverá fazer referência, no documento, à situação das companhias e ao enfraquecimento da presença da bandeira brasileira no transporte aéreo internacional.  

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Quinta, 23

Guerra das tarifas faz vôo mais longo custar menos que um curto.

A guerra de tarifas entre as empresas aéreas já está fazendo com que vôos em rotas mais distantes fiquem mais baratos para os usuários do que para destinos mais curtos. É o caso da linha entre Congonhas (SP) e Goiânia (GO), um percurso de 822 quilômetros, cuja tarifa cobrada pela TAM é de R$ 504. Entre Congonhas e Brasília, trecho 51 quilômetros mais longo, a passagem cai para R$ 332, o que corresponde a uma redução de 34,1%.

A diferença ocorre porque seis empresas operam no trajeto entre Congonhas e Brasília, entre elas a Gol, que tem a tarifa promocional de R$ 332. Mas só duas companhias aéreas voam de Congonhas para Brasília, com preços sem promoção. Para a capital federal o fluxo de passageiros também é muito maior, o que compensa eventuais perdas de margem de lucro. Os preços se referem às tarifas mais baixas das empresas em cada rota.
O Gol tem investido pesado para ganhar mercado. A empresa deverá aumentar em 40% sua frota no ano que vem. A empresa novata - que já detém 5,12% do mercado aéreo nacional planeja adquirir quatro novos Boeing 737-700 em 2002.
Até outubro, a frota atual somará dez jatos, com a chegada de dois novos aviões, um no mês que vem e outro em outubro. Enquanto isso, ela evolui. Em setembro, abrirá três novos destinos.
A disputa é tamanha que os golpes estão sendo desferidos com antecedência.
Entre o fim de agosto e o início de setembro, a empresa iniciará novos vôos entre Congonhas (SP) e as cidades Cuiabá (MT), Campo Grande (MS) e Belém (PA). Mesmo antes de a novata empresa entrar na rota, a Rio Sul - que tem 8,98% da demanda no país - atencipou-se e pôs um vôo em horário próximo ao previsto pela empresa novata, conta o diretor de Vendas da Gol, Mário Bento.
"Isto tem sido uma tônica freqüente, faz parte do jogo da concorrência", disse Bento.
"Estamos fazendo tudo o que o mercado dita que tem de ser feito. A idéia é sermos rápidos nas decisões nestes tempos de competição acirrada", reconheceu George Ermakoff, presidente da Rio Sul.

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Quinta, 23

Lufthansa tira turbina de avião da Transbrasil.

A Transbrasil enfrentou ontem mais um round na sua luta para convencer os credores de que a empresa não vai falir. Desde que a General Electric entrou com pedido de falência contra a companhia, em julho, a Transbrasil recebe ordens judiciais para apreensão de bens com frequência.
Ontem, foi a vez de a Lufthansa cobrar a devolução de duas turbinas alugadas. Obedecendo a ordem judicial, a empresa retirou um dos motores do Boeing 737-300 prefixo TEG -mas manteve o outro enquanto negocia com a Lufthansa. O avião ficou parado ontem, mas, segundo a Transbrasil, será equipado com outra turbina, que estava em manutenção. "O avião vai voltar a voar amanhã [hoje"", disse Flávio Carvalho, vice-presidente da Transbrasil.
Segundo Carvalho, a Transbrasil conseguiu renegociar os contratos de aluguel de dois aviões com a CIT, que cobrava a devolução dos equipamentos porque os pagamentos estão atrasados.
Pelo acordo, a Transbrasil vai trocar o contrato de aluguel por outro de compra. O dinheiro para o pagamento da entrada sairá de um fundo de reservas para revisões. A Transbrasil terá que recompor o fundo.
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Quarta, 22

Aeronáutica lança programa contra balões em 190 escolas.

Com o objetivo de eliminar ou reduzir o risco de colisão de balões com aviões, principalmente nas proximidades dos aeroportos de São Paulo e do Rio, a Aeronáutica lança amanhã, em 190 escolas públicas e particulares da capital, campanha sobre os perigos que os balões oferecem.

Em julho, o Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo registrou 80 casos de aviões que avistaram balões próximos do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos - cinco deles tiveram de desviar para não bater nos balões. Em dez anos, pretende-se que a campanha atinja todas as escolas do País.
O Concurso de Frases e Redações sobre o Perigo dos Balões é aberto a alunos de 5.ª a 8.ª série. Os concorrentes devem redigir um slogan e um texto de 10 a 25 linhas sobre o tema: "O perigo que os balões de ar quente não tripulados representam para a atividade aérea no Brasil". Os dois primeiros colocados ganharão uma viagem de três dias para qualquer capital do Nordeste. Os prêmios serão entregues em 23 de outubro, quando a Aeronáutica comemora o Dia da Asa. Os estudantes viajarão acompanhados por seus professores.
"Nesta faixa etária a criança influi na formação de opinião da família e dos amigos, além de assimilar conhecimentos", destacou o major-aviador Gildo Serapião de Oliveira, oficial de Segurança de Vôo do Controle do Espaço Aéreo de São Paulo. "Os balões colocam em risco as aeronaves, a fauna, a flora e até a segurança nacional, na medida em que podem provocar desastres catastróficos."

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Quarta, 22

Governo marca para sexta nova reunião para discutir crise aérea.

O governo convocou para a próxima sexta uma reunião com as cinco principais companhias aéreas (Varig, Vasp, Transbrasil, TAM e Gol) para discutir medidas para enfrentar as dificuldades pelas quais passa o setor. Em nota à imprensa, o ministério da Defesa voltou a descartar a utilização de recursos públicos para socorrer as companhias aéreas.

De acordo com a nota, a orientação do grupo de trabalho que se reuniu hoje para discutir o assunto é a de estudar medidas com "foco no mercado". Nas próximas reuniões, serão abordados temas gerais, que atendem às necessidades da prestação dos serviços, evitando tratar de situações específicas de determinada empresa.

As propostas levantadas durante o encontro com os empresários serão submetidas ao Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil), mas não há prazo determinado para que se chegue a uma solução. Participaram da reunião de hoje o ministro interino do Desenvolvimento, Benjamin Sicsú, o secretário-executivo da Casa Civil, Silvano Gianni, o secretário de Acompanhamento Econômico do ministério da Fazenda, Cláudio Considera, o Secretário de Organização institucional do ministério da Defesa, José Augusto Varanda, o presidente da Infraero, Fernando Perrone e o diretor do DAC (Departamento de Aviação Civil), brigadeiro Venâncio Grossi.

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Quarta, 22

Governo quer acerto de contas das companhias aéreas

O secretário de Organização Institucional do Ministério da Defesa, José Augusto Varanda, admitiu ontem que, para ajudar a melhorar a situação econômica das companhias aéreas, vai ser estudado um encontro de contas entre débitos e créditos tributários nas esferas federal, estadual e municipal. Este será um dos temas da pauta de discussões da primeira reunião com representantes dos ministério da Fazenda, Desenvolvimento, Defesa, e da Casa Civil, hoje. O encontro também tem como objetivo avaliar as causas que levaram as companhias a amargar prejuízos, mesmo com o crescimento de 15% na demanda de passageiros.

Já está decidido que não serão utilizados recursos públicos para resolver o problema. “Não estamos empenhados em fazer qualquer saneamento da companhias com dinheiro público”, avisou.

A Transbrasil, que, além do alto endividamento, enfrenta sérios problemas operacionais (apenas oito aviões estão em atividade), argumenta que o encontro de contas representaria o recebimento de um crédito de R$ 230 milhões em recolhimento indevido de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). O Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea) obteve vitória este ano em uma ação contra a cobrança do tributo sobre a venda de passagens.

A decisão de acertar as contas com o setor também pode trazer de volta à pauta as alegadas perdas provocadas pelo congelamento das tarifas aéreas entre 1985 e 1990. A Transbrasil, primeira empresa pleitear na Justiça a reparação de prejuízos, embolsou, em 1999, R$ 725 milhões – que não impediram que a empresa voltasse a operar no vermelho. Processos semelhantes movidos pelas outras companhias continuam em tramitação e se tornaram uma bola de neve que, com valores atualizados pela cotação atual da moeda americana (R$ 2,55 por US$ 1), pode beirar os R$ 7,5 bilhões.

Outro integrante do grupo de estudo do governo aposta na possibilidade de uma desoneração parcial do setor. Ele admite a possibilidade de revisão, na forma de incidência do Imposto de Renda sobre as operações de leasing de aeronaves, e da cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), sobre combustível de aviação.

No entanto, esse processo depende de legislação específica, que deve passar pelo Congresso Nacional. Todas as propostas do grupo serão submetidas à aprovação do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) antes de anunciadas.

A redução da carga tributária é um pedido antigo das companhias aéreas, que devem apresentar propostas ao governo nas próximas reuniões. De acordo com dados do Snea, a incidência de impostos sobre a receita das companhias no mercado doméstico chega a 34,8% – quase o dobro da carga européia e três vezes mais do que nos Estados Unidos.

A incidência de tributos, aliada à desvalorização do real, que aumentou os custos das companhias por causa da manutenção e compra de aeronaves cotadas em dólar, são os argumentos das empresas para grande parte de seu prejuízo. A maior companhia brasileira, a Varig, registrou prejuízo líquido de R$ 509,1 milhões no primeiro semestre deste ano e atribui uma parcela de R$ 300 milhões ao impacto cambial.

Para o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, que também integra o grupo de estudos, o maior esforço é tornar as companhias aéreas cada vez mais independentes do governo.

Com isso, seria possível forçar uma melhor gestão das empresas e afastar a possibilidade de elas transferirem para o governo a responsabilidade de eventuais desequilíbrios econômicos e financeiros que venham a registrar. 

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Quarta, 22

Embraer vende 10 aeronaves para a República Dominicana

A Embraer vai vender 10 aviões turbopropulsores de ataque leve para a República Dominicana, primeiro acordo de exportação de seus aviões Super Tucano. O valor da transação não foi divulgado.

O contrato segue a venda de 76 Super Tucanos à Força Aérea Brasileira (FAB), feita neste mês.

Os aviões serão utilizados para treinamento, missões de patrulha de fronteiras e operações de combate ao narcotráfico.

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Quarta, 22

Transbrasil só pode abastecer à vista

Cada vez que um avião da Transbrasil precisa ser abastecido, um funcionário da companhia corre a um banco da cidade onde está a aeronave e deposita um cheque na conta da Petrobrás ou da Shell. Sem o pagamento à vista, nada feito.
O depósito dos cheques foi exigência da Petrobrás e da Shell para continuar fornecendo querosene para os aviões da Transbrasil depois que a empresa estourou seu limite de crédito.
Sem dinheiro em caixa, a Transbrasil enfrenta problemas para pagar do lanche de bordo ao aluguel de seus aviões. Na sexta-feira, o comandante de um avião parado em Fortaleza resolveu fazer um agrado para os passageiros.
Como não havia lanche quente a bordo, ele enviou uma comissária para uma lanchonete do Mc Donald's e encomendou 140 hambúrgueres. A conta, de R$ 190, foi paga pela tripulação.
A Transbrasil está cortando os gastos que pode. Além disso, renegocia condições de pagamento com 200 prestadores de serviço. Entre eles, está a Infraero, a estatal que cuida dos aeroportos.
A Transbrasil deve R$ 70 milhões à estatal. Antes, a Infraero exigia pagamento mensal da Transbrasil. Agora, é semanal. A Infraero também está exigindo novas garantias da empresa.
Com dívidas de R$ 800 milhões e prejuízo no segundo trimestre superior a R$ 30 milhões, a Transbrasil sofre uma onda de pressões de credores. A situação piorou depois que a General Electric entrou com pedido de falência contra a empresa, na virada do mês.
"Muitos fornecedores correram para tirar o máximo possível. Mas, ao contrário do que imaginaram, a empresa não está falindo", diz Pedro Mattos, diretor financeiro da Transbrasil.
Ontem, pilotos, co-pilotos e comissários de bordo reunidos numa assembléia no Sindicato dos Aeronautas decidiram aceitar a proposta da Transbrasil de tirar licença e cortar parte dos ganhos.
"Foi uma decisão dura, mas diante do quadro da empresa, eles decidiram que era a única alternativa possível", disse Graziela Baggio, presidente do sindicato.
Hoje, diretores da Transbrasil e de outras empresas aéreas -que também passam por grave crise financeira- têm encontro com o governo em Brasília. Vão tratar de medidas como redução de carga tributária para o setor
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Terça, 21

Aluguel da Base de Alcântara. Contrato tem cláusulas polêmicas

Brasil e Estados Unidos assinaram, em abril de 2000, um acordo de salvaguardas que regulamenta o aluguel da base espacial de Alcântara (MA) para o lançamento de foguetes e satélites dos EUA.
O tratado tem cláusulas polêmicas. Uma das mais criticadas é a que impede que o dinheiro pago pelos norte-americanos -US$ 5 milhões a cada lançamento- seja investido no desenvolvimento tecnológico do programa espacial brasileiro. O contrato também prevê que, no período dos lançamentos, a base terá controle total dos norte-americanos. Brasileiros só poderão entrar com crachás distribuídos pelos EUA. O acordo só entra em vigor se for aprovado pelo Congresso.
Estudo feito pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) pede a rejeição do acordo. "Embora reconheça importância e méritos na negociação, [a SBPC" sugere a não-aprovação do acordo em sua forma atual, por entendê-lo desconforme e lesivo aos interesses nacionais."
A base de Alcântara fica próxima da linha do Equador, o que dá mais velocidade nos lançamentos e permite economia de combustível.
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Terça, 21

Segundo DAC, todo balão é perigoso 

Os riscos de acidentes com balões não se limitam aos prejuízos no solo, a incêndios em matas e a explosões iguais à que matou oito pessoas na Vila Carolina, zona norte da capital. Os balões de todos os tipos também são um perigo constante para a aviação, inclusive aquele movido a ar quente, no qual não é usado nenhum tipo de tocha, cangalha ou fogos.

Esse balão é feito de uma espécie de plástico fino, que pode ser comprado a R$ 0,25 o metro em lojas, bazares ou papelarias - material semelhante ao usado na fabricação de sacos de lixo. Na região da Vila Carolina é comum ver esses balões, principalmente nos fins de semana. Bazares e papelarias da zona norte, visitados pelo Estado, negaram vender o plástico.
O morador da Vila Carolina Reinaldo César de Almeida disse que são, na maioria das vezes, garotos que fazem esses balões, de simples confecção. Uma ponta do plástico é amarrada com linha. O plástico é enrolado como se fosse uma grande charuto e inflado. Amarra-se, então, a outra ponta e ele é exposto ao sol. O ar fica quente e, conseqüentemente, o balão sobe.
Para quem pensa que não há perigo, em razão da inexistência de fogo, oficiais de segurança de vôo do Departamento de Aviação Civil (DAC) alertam para o fato de que todo balão oferece risco à aviação. Eles explicam que um balão pode entrar na turbina de um avião, obstruir a passagem de ar dos motores e até causar acidentes, por perda parcial ou total de potência.
Segundo o DAC, não há registro de acidentes provocados por balões desse tipo. Mas, em regiões de intenso tráfego aéreo, como nas cidades do Rio e de São Paulo, está se tornando comum aviões terem de desviar de balões.

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Terça, 21

Airbus deve vender aeronaves A320 à China

A companhia de aviação Airbus está negociando a venda de mais de 30 aviões do tipo A320 para a China. O acordo deve ser firmado até o final do ano, segundo edição, desta terça-feira, do jornal Wall Street. O valor do negócio varia entre US$ 1,5 e US$ 2,7 milhões, ainda de acordo com matéria publicada no jornal. Um porta-voz da Airbus, foi abordado pela imprensa, mas preferiu não se pronunciar. Ele apenas relembrou que há interesse da empresa pelo mercado chinês.

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Segunda, 20

Concorde deve ser autorizado a voar de novo
A França e a Grã-Bretanha anunciaram hoje que os últimos problemas com o Concorde devem ser resolvidos ainda este mês, fazendo com que o único avião comercial supersônico volte a voar depois de mais de um ano parado.

As autoridades de aviação civil disseram que vão estabelecer normas à British Airways e à Air France, únicas companhias que operam o Concorde, para que possam fazer as modificações de segurança necessárias.

Elas incluirão tanques de combustível e pneus mais resistentes, além de melhor proteção no sistema elétrico. No ano passado, um pedaço de pneu furou o tanque quando o avião decolava de Paris, transformando-o numa bola de fogo que atingiu um hotel. Logo em seguida, os vôos com o Concorde foram suspensos.

As autoridades e companhias dos dois países estão avaliando os resultados de testes com um avião da British Airways que já foi modificado e voou a velocidades supersônicas. Um porta-voz da aviação civil britânica disse que todos os Concordes poderão voltar a voar quando tiverem feito as reformas.

As mudanças são analisadas por um grupo de trabalho formado pelas autoridades anglo-francesas, as duas empresas aéreas e o consórcio europeu que fabricou e mantém os aviões.

No mês passado, a British Airways anunciou que espera retomar os vôos comerciais com o supersônico em setembro, enquanto a Air France planeja fazer o Concorde voar em outubro.
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Domingo, 19

Governo deve adiar solução para crise das companhias aéreas

Há anos discutindo a crise crônica das companhias aéreas, o governo avalia que parte delas está em estado terminal irreversível e vai apresentar uma proposta paliativa para o setor nesta semana. A intenção não é salvar as empresas, apenas adiar a agonia e jogar o problema para o futuro governo, que assume em 2003.
A proposta será discutida durante almoço no Ministério da Defesa na próxima quarta-feira e levada às companhias até sexta-feira. Não haverá recursos do BNDES nem perdão de dívidas, mas há a possibilidade de ''desoneração'' do setor -com renúncia de Cofins, por exemplo.
Participarão do almoço cinco secretários-executivos (os segundos nas hierarquias dos ministérios) e os diretores da Infraero (a estatal que cuida dos aeroportos) e do DAC (Departamento de Aviação Civil).
O único consenso entre eles é que as companhias estão virtualmente quebradas, especialmente a Transbrasil, mas não deve haver um ''Proar'' (equivalente ao Proer, o programa do governo para driblar a crise dos bancos). Seria como ''jogar dinheiro fora ou num saco sem fundo''.
Por isso, as próprias companhias não mantêm grande expectativa em relação a propostas oficiais. Avaliam, inclusive, que reuniões como a da quarta-feira, a menos de um ano e meio das eleições presidenciais, servem apenas para tentar dizer à opinião pública que o governo não se omitiu.
Em resumo, governo e companhias travam uma espécie de duelo. As companhias dão sinal de estarem de braços cruzados, esperando que uma ou duas delas quebrem para que o governo corra para tentar salvar as demais.
Mas o governo não consegue definir o principal: se o país tem ou não interesse estratégico em manter companhias aéreas nacionais. Se tem, a União estaria disposta até a ceder subsídios?
O exemplo mais citado na Esplanada dos Ministérios é o da Transbrasil, que em 1999 ganhou uma bolada na Justiça a título de indenização por perdas durante planos econômicos passados, mas continua no vermelho.
A companhia recebeu em torno de R$ 725 milhões, embolsou R$ 25 milhões e consumiu todos os R$ 700 milhões restantes para pagar dívidas com a União. O acordo foi em dezembro de 1999. Um ano e meio depois, o buraco já bate em cerca de R$ 800 milhões, segundo dados extra-oficiais.
A Transbrasil atrasa o salário dos funcionários desde fevereiro, acaba de ter um avião arrestado nos EUA por inadimplência e, segundo o governo, mantém apenas sete aviões voando. Já teve 15.
A Varig, detentora do maior número e das melhores linhas internacionais, não está numa situação muito melhor, segundo diagnóstico feito pelo governo, atualizado depois com as próprias consultorias das empresas e engavetado pelo Planalto.
Além de gerenciamento difuso, a companhia não se ajustou à competição interna nem à internacional. Praticou política de tarifa alta, tem um modelo de participação que impede demissões, está endividada e já vendeu os ativos que poderia vender.
Ao contrário da Varig, a Vasp empreendeu um forte programa de reestruturação. Está sem rota internacional desde março do ano passado e reduziu de 9.000 para 4.000 o número de funcionários. Concentrou suas dívidas no setor público e tem frota própria. As dívidas, porém, são altas. E os aviões estão tecnologicamente defasados.
Diante desse quadro, a TAM e a recém-lançada Gol advertiram o governo que não seria justo um programa de favorecimento das companhias que ''não fizeram a lição de casa''. Seria premiar a incompetência.
A TAM acaba de perder seu principal executivo, o comandante Rolim Amaro, morto em acidente de helicóptero, mas tem boa imagem no mercado, propaganda agressiva e aviões novos, graça a um ''leasing'' que abriu as portas do Brasil para a Airbus. Além de ter concentrado sua base no ''filé'' da aviação doméstica, que é o aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
A Gol inovou o mercado com baixos custos, sistema próprio de serviço e leasing de aviões novos e modernos, com baixas tarifas. O governo acompanha a companhia como ''novidade'' e não arrisca palpite sobre o futuro.
O diagnóstico está feito, só falta saber o que o governo tem a ver com isso tudo. É o que os participantes do almoço de quarta-feira irão discutir.
Serão eles os secretários-executivos Silvano Gianni (Casa Civil), José Augusto Varanda (Defesa), Claudio Considera (Fazenda) e Benjamin Sicsu (Desenvolvimento). Além deles, Fernando Perrone (Infraero) e o major-brigadeiro Venâncio Grossi (DAC).
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Sexta, 17

Co-piloto de Diniz presta depoimento hoje à polícia
Luiz Roberto de Araújo Cintra, 35, co-piloto do helicóptero do grupo Pão de Açúcar que caiu em Maresias, litoral norte de São Paulo, prestará depoimento hoje na 1ª Delegacia Seccional, região central.
Cintra disse em entrevista na sede da empresa que o mau tempo não teria sido responsável pela queda do helicóptero, aumentando ainda mais o mistério em torno do acidente. No dia da queda, Maresias estava sob a ação de um ciclone, com ondas de até dois metros de altura.
A Aeronáutica ainda não terminou as investigações. O primeiro laudo, sobre o motor, descartou a existência de falhas nas duas turbinas que sustentavam o helicóptero. Os técnicos do DAC (Departamento de Aviação Civil) apuram falha humana e as condições do tempo na região como sendo as prováveis causas do acidente.
O empresário João Paulo Diniz, 37, que, assim como Cintra, nadou até a praia, prestou depoimento à polícia ontem. Ele disse que enxergava, apesar da escuridão e do mau tempo, dois metros ao redor, enquanto tentava nadar ao lado de sua namorada, a modelo Fernanda Vogel, 20. Fernanda e o piloto Ronaldo Jorge Ribeiro, 47, morreram no acidente.
Diniz contou ter se perdido da modelo duas vezes enquanto ambos nadavam. O empresário contou à polícia que Fernanda dizia que estava cansada. "João" foi a última palavra que o empresário ouviu antes de perdê-la. Juntos, disse ele, haviam feito três tentativas de nadar: primeiro, de mãos dadas; depois, separados e próximos; por fim, Diniz se distanciava e voltava, tentando motivá-la a nadar.
A modelo ainda seria encontrada pelo co-piloto, que vinha nadando atrás. Depois, desapareceria nas ondas pela última vez. A versão de Diniz foi contada à polícia sob forte aparato de segurança. O acesso da imprensa à delegacia foi impedido.
Segundo o promotor Fernando Cezar Bourgogne de Almeida, 27, designado para o caso, o depoimento foi importante porque os "fatos foram narrados na seqüência em que ocorreram", mas não acrescentou informações sobre as causas do acidente.
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Quinta, 16

Empresas aéreas transportam mais e faturam menos.


Segundo o Departamento de Aviação Civil (DAC), 2,7 milhões de pessoas passaram pelas portas dos aviões brasileiros em julho. O resultado é 12,9% maior do que o do mesmo mês do ano passado. Então, por que existe um ar de crise na aviação? Porque os aviões cheios não estão conseguindo pagar os custos com a alta do dólar. Entre 35% e 40% dos gastos de uma companhia aérea são cotados em dólar. São desde peças de manutenção a despesas com aeronaves em aeroportos. Arrecadar em real não basta. E, pelo visto, nem em dólar.
A maior companhia aérea da América Latina, a Varig, apresentou um resultado negativo em mais de R$ 500 milhões no primeiro semestre. No ano passado, a TAM voava para Miami e Paris. Este ano, os aviões dela vão também para Frankfurt e Buenos Aires. A empresa transportou cerca de 1,2 milhão de passageiros em julho, mas, deste número, apenas 90 mil foram para o exterior. A Transbrasil deve fechar seus números nos próximos dias, e eles serão negativos. No primeiro trimestre, o resultado operacional foi positivo em R$ 2 milhões e o líquido, de menos R$ 36 milhões. Restam a Vasp, que não voa mais para o exterior, e a estreante Gol, que em oito meses de vida teve uma taxa de ocupação de 78% em julho. As companhias trabalhavam em janeiro com o dólar a R$ 2,10. Ou seja, um valor de R$ 2,50 é um golpe nas finanças

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Quinta, 16

Transbrasil quer ser indenizada pela GE.

A Transbrasil quer ser indenizada pela GE Capital, alegando perdas depois que a maior empresa de leasing de aeronaves do mundo ingressou, no dia 12 de julho, com pedido de falência da companhia aérea. A Transbrasil ganhou a causa, mas teria sofrido prejuízos financeiros e junto à opinião pública. Por isso, pede indenização superior aos US$ 2,5 milhões da nota promissória que a empresa americana cobrava na Justiça.
“Não podemos permitir que uma ação como essa, que deixou nossos parceiros e clientes inseguros quanto ao nosso futuro, fique impune”, afirma o presidente da Transbrasil, Antônio Celso Cipriani.
A Transbrasil atravessa a pior crise de sua história. Com endividamento na casa de R$ 800 milhões e frota reduzida de 21 aviões, em janeiro de 2000, para os atuais 12 (dos quais 4 estão em manutenção), a empresa abandonou temporariamente os vôos para sete cidades brasileiras (Cuiabá, Goiânia, Vitória, Maceió, Natal, São Luís e Foz do Iguaçu), para Miami (EUA) e deixou para a Varig, temporariamente, todos os vôos operados em code share – a ponte aérea Rio São Paulo e as rotas para Portugal.
A Transbrasil alega ser a companhia com melhor aproveitamento médio dos vôos no mercado doméstico durante este ano (63%). Mas a confiança dos funcionários parece estar abalada: no sábado, fizeram uma paralisação de 12 horas em protesto contra atrasos nos salários.
Antônio Celso Cipriani defendeu a necessidade de ajuda do governo para tirar da crise as empresas do setor, quando foi ouvido, em Brasília, pela comissão que estuda a criação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Uma intervenção direta do governo federal na empresa não está descartada. Para analistas do mercado, os únicos caminhos para a companhia seriam a fusão com outra empresa do setor ou a aquisição por algum grande investidor.

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Quarta,15

Fabricantes propõem mudanças para que Concorde volte a voar


Os fabricantes do Concorde vão entregar na quarta-feira às autoridades da aviação o projeto final de modificações nas aeronaves para que se decida se o avião supersônico pode ou não voltar a operar comercialmente, disse um oficial.

Os Concordes, operados pela British Airways e pela Air France, foram proibidos de voar depois que um deles caiu sobre um hotel nos arredores de Paris no ano passado, matando 113 pessoas.

A Autoridade de Aviação Civil da Grã-Bretanha afirmou que quarta-feira era a data prometida para que os fabricantes do Concorde -- o grupo europeu EADS e uma unidade da BAE Systems Plc incorporada à Airbus SAS no mês passado -- entregassem os dados sobre as modificações e os testes para evitar novos acidentes.

"Vamos trabalhar com os dados junto com nossos parceiros franceses, do DGAC, para tomar uma decisão sobre se o Concorde volta ou não a voar", disse um porta-voz do organismo à Reuters.

Os engenheiros vêm trabalhando desde o acidente em modificações, como o fortalecimento do tanque de combustível. Também houve testes sobre a velocidade.

O grupo anglo-francês que trabalha no Concorde terá sua reunião mensal na segunda-feira em Paris, disse o porta-voz.

A queda do Concorde da Air France foi causada por um pedaço de metal na pista, que acabou estourando um pneu durante a decolagem. Pedaços do pneu atingiram o tanque de combustível, causando a explosão, concluíram as investigações. 

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Quarta,15

Protesto de aeroviários deve atrasar vôos da Transbrasil

Os aeroviários decidiram hoje em assembléia fazer uma paralisação de advertência na Transbrasil amanhã, entre 6h e 9h. Apesar de não bloquear a decolagem das aeronaves, o protesto deve atrasar o horário dos vôos, já que vários funcionários envolvidos no suporte dos aviões estarão de braços cruzados nesse horário.

Segundo o presidente do Sindicato dos Aeroviários do Estado de São Paulo, Uébio José da Silva, a intenção da categoria é prejudicar o mínimo possível os passageiros da Transbrasil. Mas o sindicalista admite que o protesto dos aeroviários pode atrapalhar o horário de embarque amanhã.

Uébio disse que o protesto tem o objetivo de advertir a companhia sobre a greve geral por tempo indeterminado que será deflagrada caso os salários dos funcionários não sejam pagos na sexta-feira, como foi prometido. Desde fevereiro a empresa vem atrasando o pagamento dos funcionários.

A partir deste mês, quem ganha acima de R$ 1.500 recebeu 30% do salário. Para quem ganha mais de R$ 1.500, a Transbrasil pagou 20% do salário. A companhia aérea prometeu pagar o restante do salário até sexta-feira.

Segundo Uébio, a Transbrasil se comprometeu a pagar o saldo de salários dos funcionários até o final da tarde de sexta-feira. Além de desconfiar da promessa, os aeroviários também querem que a empresa se posicione sobre a intenção de demitir funcionários. Segundo Uébio, a Transbrasil pode vir a demitir cerca de 1.000 funcionários em virtude da redução de 60% da malha aeroviária.

No final de julho, a empresa anunciou que estava suspendendo vôos para Cuiabá (MS), Goiânia (GO), Vitória (ES), Maceió (AL), Natal (RN), São Luís (MA) e Foz do Iguaçu (PR). "A empresa cortará funcionárias nessas cidades. Isso já é certo. Queremos saber até onde irão as demissões", disse Uébio.

A Transbrasil sinalizou que a desconfiança dos aeroviários faz sentido. O vice-presidente executivo da companhia, Flávio Carvalho, admitiu que haverá um processo de reestruturação de pessoal na Transbrasil. "A empresa com certeza será estruturada. Se a mais nova empresa do mercado anuncia que tem 100 funcionários por aeronave e a Transbrasil tem 2.900 funcionários para 11 aviões, teremos de nos ajustar", disse Carvalho se referindo à Gol Transporte Aéreo, que entrou no mercado de aviação em janeiro. 

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Quarta,15

Varig estuda aumento de tarifas
A Varig estuda aumentar preços de suas tarifas aéreas para compensar a alta dos custos operacionais e do combustível. "Haverá um realinhamento das tarifas de acordo com as rotas", disse o diretor de Relação com os Investidores, Manuel Guedes, sem detalhar números. Fontes do setor estimam que a companhia deve reajustar os preços de alguns trechos em 30%.
A empresa aérea, que registrou prejuízo líquido de R$ 509,1 milhões no primeiro semestre e patrimônio líquido negativo de R$ 657,8 milhões, atribuiu o mau desempenho à alta do dólar. Guedes afirmou que o impacto do câmbio foi de cerca de R$ 300 milhões. Além disso, segundo ele, a empresa teve encargos financeiros elevados por conta de sua dívida de US$ 1,250 bilhão.
Nos primeiros dias de agosto, a Varig teve ocupação de assentos de 72% no âmbito doméstico e de 73% nas rotas internacionais. No primeiro semestre, registrou em média 65% dos assentos ocupados nas rotas domésticas e de 72% nas rotas internacionais. Apesar dos números satisfatórios, os executivos da companhia afirmaram que o movimento não cresceu conforme o esperado entre janeiro e julho.
O presidente da Varig, Ozires Silva, disse que todo o setor de aviação está sofrendo com a desaceleração econômica mundial. "Pelo menos não estamos sozinhos". Ozires disse também que a companhia não quer saber de guerras tarifárias, mas apóia a decisão do governo de liberar as tarifas.

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Terça,14

TAP suspende dois vôos Rio-Lisboa

Para reduzir custos, a TAP Air Portugal vai diminuir de 7 para 5 as freqüências semanais entre Rio de Janeiro e Lisboa durante dois meses e meio, isto é, de outubro até a metade de dezembro. De acordo com o presidente da TAP, Fernando Pinto, a empresa vai aproveitar a baixa estação para fazer a manutenção das suas aeronaves. "Não temos nenhuma intenção de cancelar estas linhas", disse hoje em São Paulo. O executivo garantiu que a TAP não seguirá o exemplo da Lufthansa, que vai cancelar rotas entre o Rio e a Alemanha em outubro por falta de lucratividade da linha.

A TAP começou agora a colher os primeiros frutos da mudança de estratégia comercial no Brasil. O processo começou com o ingresso de Fernando Pinto na empresa em outubro passado. Ex-presidente da Varig, onde trabalhou por 28 anos, ele decidiu aumentar o número de vôos entre Brasil e Portugal.

  Passou a ter 26 saídas semanais para aquele país, sempre no mesmo horário. No ano passado eram 17 freqüências, em horários diversos. Os aviões passaram a voar 16 horas por dia, quatro a mais do que antes para aumentar a produtividade. Além disso, a empresa apostou nos vôos entre Europa e Nordeste do Brasil, distante apenas 6 horas de avião de Portugal.

O resultado, segundo Fernando Pinto, foi um aumento de 36% na receita gerada no Brasil no primeiro semestre em relação ao mesmo período de 2000. O executivo afirmou que o desempenho foi melhor do que o esperado e deve garantir a meta de transportar 426 mil passageiros entre Brasil e Portugal este ano 33% a mais do que em 2000. A TAP registrou ocupação média de 67% nos primeiros seis meses do ano e de 80% entre julho e os primeiros dias de agosto.

De acordo com Fernando Pinto, a empresa sentiu o efeito da alta do dólar, que tem diminuído o tráfego aéreo no País. Ele calculou que o impacto negativo do câmbio na receita da empresa no Brasil foi de 8%. "Só não foi maior porque o real mais barato estimula a vinda de estrangeiros ao País", disse.

Em junho, conforme ele, o balanço financeiro global da TAP mostrou lucro de US$ 1,2 milhão. A geração de caixa (medida pelo Ebitda) foi de US$ 25 milhões no primeiro semestre de 2001, 80% maior do que o registrado em igual período de 2000. No acumulado do ano, a TAP mantém perdas de US$ 70 milhões. "Os resultados são negativos ainda, mas há uma tendência de reversão", disse.

A TAP, que pertence ao governo português, reinicia em outubro reuniões com investidores com o objetivo de retomar seu processo de privatização. A empresa tem 34 aviões Airbus e transportou 5,3 milhões de pessoas em 2000. Fernando Pinto chegou ao Brasil ontem e ficará no País até sexta-feira.

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Terça,14

Liberação de tarifas não aumenta passagem aérea, por enquanto


Apesar de os preços das passagens aéreas estarem liberados a partir de hoje, nenhuma empresa oficializou a intenção de reajustar tarifas por enquanto. Das principais companhias áreas do país, apenas a Gol se comprometeu a não fazer ajuste de preços em função da liberação das tarifas.
Já a Vasp, Varig e Transbrasil estão analisando possíveis aumentos nos preços, mas ainda não definiram índices, rotas e quando fazer ajustes.
A decisão de liberar os preços foi tomada na semana passada pelo Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil) em reunião realizada no Ministério da Fazenda. Também estão liberados os preços dos serviços de carga aéreos e das malas postais em todos os aeroportos do país.
Os aeroportos que têm as tarifas liberadas a partir de hoje representam aproximadamente 50% do mercado. As companhias estavam livres para fixar os preços das passagens apenas em 11 aeroportos de oito cidades do país (Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Brasília, Belo Horizonte e Campinas).
No último dia 8, o governo anunciou um reajuste de 13,87% para as passagens aéreas, que estavam congeladas desde julho do ano passado. Segundo o SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas) a defasagem de preços já chega a 24%.
A desvalorização do real em relação ao dólar é o principal fator que contribuiu para a elevação dos custos das empresas, pois 60% dos gastos estão atrelados ao câmbio.

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Segunda,13

Transbrasil poderá demitir funcionários.
A companhia aérea Transbrasil pode demitir cerca de 1,5 mil trabalhadores de um quadro de 2,9 mil funcionários até o fim da semana. Esta é a estimativa do Sindicato dos Aeroviários de São Paulo. "A empresa está com a situação financeira combalida. Dificilmente eles conseguirão manter seu quadro de funcionários intacto", diz Uébio José da Silva, presidente do Sindicato dos Aeroviários de São Paulo. A Transbrasil confirma que haverá demissões, mas não arrisca um número preciso de quantos serão dispensados. "Ainda estamos estudando que estratégia vamos tomar", disse Mário Thurler, diretor de administração da companhia.
A Transbrasil acumula uma dívida de US$ 800 milhões. No mês passado, teve falência pedida pela General Electric Capital Corporation, empresa que financia a compra dos aviões. A GE alegava que a Transbrasil devia US$ 2,7 milhões referentes a uma parcela da nota promissória do arrendamento de cinco aeronaves. O pedido não foi aceito, mas serviu para mostrar a fragilidade da companhia, que está atolada em dívidas. Só com a Previdência Social, o débito da empresa chega a R$ 400 milhões.
Segundo o presidente do Sindicato dos Aeroviários, os problemas são gigantescos. "A crise acentuou-se com a alta do dólar". Isso porque 40% dos custos de uma companhia aérea são pagos em dólar. O combustível é pago em dólar e as parcelas do leasing dos aviões também. E, para piorar, diz Uébio da Silva, muitos aviões da empresa estão sendo arrestados pelas financeiras.
Na semana passada, um avião Boeing 767-300 da Transbrasil foi retido em Miami, nos Estados Unidos. E, na última sexta-feira, os funcionários da empresa ficaram parados por três horas. "Paramos das 6h até as 9h".
Uébio diz que a paralisação ocorreu devido ao atraso no pagamento dos salários dos funcionários. "O salário de julho ainda não foi pago", garante. Segundo o sindicalista, os funcionários que têm salário de até R$ 1,5 mil receberam R$ 300,00, e aqueles com salário superior a R$ 1,5 mil receberam 20%. "Vamos resolver a situação destes salários atrasados até o fim da semana", garantiu Mário Thurler, da Transbrasil.
O pessimismo do sindicato em relação ao futuro dos empregados e ao pagamento dos salários é muito grande. Isso porque a Transbrasil parou de operar em rotas como Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Vitória (ES), Maceió (AL), Natal (RN), São Luís (MA) e Foz do Iguaçu (PR). "Desde o início do ano, a empresa reduziu a malha aeroviária em 60%. Dificilmente a Transbrasil terá receita para pagar as despesas e os funcionários".
O problema pelo qual a empresa passa é comum nas outras empresas do setor.
Segundo Graziella Baggio, presidente do Sindicato dos Aeronautas, a situação da Transbrasil é reflexo da falta de regulamentação no setor da aviação civil brasileira. "Os pontos estruturais, como os encargos tributários, devem ser revistos". Ela explica que as empresas brasileiras pagam 36% de imposto, enquanto na Europa se paga 16% e, nos Estados Unidos, 7%. Outro exemplo dado por Graziella é o caso da Vasp. "No ano passado, a Vasp demitiu quatro mil funcionários". Pode-se acrescentar o caso da Varig, que acumula uma dívida de US$ 1,3 bilhão.

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Segunda,13

Gol começa a vender passagem por meio de leilão na internet

A Gol começa a vender a partir de hoje passagens aéreas por meio de leilão na internet. O novo sistema de venda deve reduzir ainda mais o preço das passagens aéreas da Gol, que entrou no mercado de aviação comercial em janeiro deste ano com a promessa de popularizar o setor.

Para participar do leilão, o interessado deve acessar os sites da Gol (www.voegol.com.Br) ou do Precito (www.precito.com) na internet e fazer o seu lance de preço para a rota desejada. Vence o leilão quem der o maior lance. No caso de todos os lances serem iguais, o ganhador será quem tiver feito a primeira oferta de preço.

Simulação feita pela empresa mostra quer as tarifas em leilão poderão ser até 83% menores do que as autorizadas pelo Departamento de Aviação Civil (DAC).

Na ligação entre São Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, a passagem vendida pela Gol terá o lance mínimo de R$ 47 pelo sistema de leilão. O preço normal é de R$ 79 ou R$ 99, dependendo do horário do vôo.

Segundo a empresa, o novo modelo de venda deve aumentar a taxa de ocupação média dos vôos, que em julho foi de 78%. O volume de assentos que serão colocados à venda por meio de leilão dependerá do destino, dia e horário do vôo.

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Segunda,13

Varig anuncia criação de empresa com parceiros internacionais

A Varig disse nesta segunda-feira que vai criar uma nova companhia a partir de um acordo estratégico com parceiros internacionais, mas não deu mais detalhes.

O presidente da companhia, Ozires Silva, apresentará o acordo em uma entrevista à imprensa na manhã de terça-feira, em São Paulo, informou a Varig em um comunicado.

Em entrevista concedida à Reuters no mês passado, Silva disse que a Varig tinha intenção de criar uma companhia de manutenção de aviões e uma empresa de administração de aeroportos, para depois vender as participações que terá nestes negócios a fim de ajudar a empresa a sair do vermelho.

A Varig acumula uma dívida de 1,3 bilhão de dólares e quatro anos de prejuízo.

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Segunda,13

Aeroporto Bacacheri é seguro.

As estatísticas envolvendo o Aeroporto Bacacheri comprovam sua segurança desde sua fundação há 57 anos. Alguns moradores da região queixam-se da intranqüilidade causada pela proximidade de suas casas com o aeroporto. Entretanto, os números o caracterizam como muito seguro.

Somente no ano passado o Aeroporto do Bacacheri realizou 25.275 operações de pouso e decolagem, atendendo 43.011 passageiros. Considerando os últimos três anos, os passageiros atendidos somam 148.751 em 78.161 operações de pouso e decolagem, todas, sem exceção, sem qualquer tipo de acidente ou incidente envolvendo pessoas não ligadas à comunidade aeronáutica.

Num comparativo com os acidentes automobilísticos na região, as diferenças de perigo a que os moradores são expostos fica ainda mais evidente. Entre os meses de fevereiro de 2000 e julho de 2001, o BPTran (Batalhão de Polícia de Trânsito) registrou 406 acidentes nas ruas do bairro, totalizando 153 feridos. A Avenida Erasto Gaertner é a via onde aconteceram a maior parte dos acidentes, totalizando 54 neste período. Logo em seguida aparecem as ruas Nicarágua e Estados Unidos, com 28 e 24 acidentes respectivamente.

A crítica ao uso do Aeroporto Bacacheri como Escola de Aviação, alegando falta de segurança, também é contestada pelos números. Nos últimos 10 anos, as escolas de aviação do aeroporto realizaram 168 mil operações de pouso e decolagem, todas elas dentro da normalidade, sem nenhum acidente envolvendo pessoas da comunidade.

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Segunda,13

A empresa Team fará a rota S.P.-Paraty-Angra

Dentro de duas semanas, Angra dos Reis e Paraty, no litoral fluminense, vão ter acesso mais fácil: um vôo direto do Campo de Marte, zona norte de São Paulo, realizado pela empresa Team. O desembarque será feito nos aeroportos de cada uma dessas cidades, o que eliminará as viagens de carro do Rio de Janeiro até os dois destinos turísticos.

No caso de Angra, o trajeto pela estrada, a partir da capital fluminense, dura cerca de duas horas e meia. Pelo ar, do Campo de Marte a Paraty, serão em média 45 minutos. Com mais dez minutos, o passageiro chegará a Angra dos Reis.

Além da economia de tempo, a viagem é interessante pela aeronave utilizada. O trajeto é feito por um Let-410, de fabricação checa, que permite aos viajantes ter uma ampla visão da paisagem, já que existem duas janelas a cada fileira. A aeronave tem capacidade para transportar 19 pessoas.

Durante todo o tempo de vôo, observa-se as belezas naturais como as praias e a Mata Atlântica no litoral fluminense. No retorno, quando se está chegando a São Paulo, a imagem próxima dos prédios também impressiona.

"Queremos ser mais do que um meio de transporte. O objetivo é que a viagem seja um passeio turístico", afirmou Mônica Gonçalves, diretora comercial da Team. Segundo ela, a empresa também quer evitar a burocracia que normalmente o passageiro enfrenta no embarque e desembarque em aeroportos convencionais.

Os investimentos para a implantação da rota foram de US$ 2 milhões. O primeiro vôo demonstrativo ocorreu no fim de semana passado. Mas as operações comerciais estão previstas para começar em 15 dias, assim que sair a homologação final do Departamento de Aviação Civil (DAC). A Team voará também do Rio de Janeiro para Macaé.

A passagem ida-e-volta de São Paulo a Angra dos Reis custará R$ 358. Para Paraty, R$ 348. Crianças até um ano não pagam pelo trajeto. De 1 a 12 anos, a tarifa será equivalente a 50% do preço do bilhete de um adulto. Mais informações e reservas pelo tel. (0--21) 2533-6565

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Domingo,12

Helicópteros de Diniz vão ter vistoria

O Departamento de Aviação Civil (DAC) do Ministério da Aeronáutica vai abrir processo de fiscalização no Grupo Pão de Açúcar para verificar as condições dos helicópteros que servem aos executivos e à família do empresário Abílio Diniz e as relações entre a empresa e tripulantes. ''É uma investigação profunda, séria, rígida e abrangerá tudo o que se relacione à empresa e à aviação'', disse o chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), coronel-aviador Antônio Junqueira.

Prevista para este mês, a vistoria das aeronaves é procedimento rotineiro em casos de acidente. A finalidade, segundo Junqueira, é encontrar eventuais ''debilidades ou fragilidades'' que tenham contribuído para a queda do helicóptero Agusta 109E Power, no dia 27 de julho em Maresias, litoral Norte de São Paulo, que causou a morte da modelo Fernanda Vogel e do piloto Ronaldo Jorge Ribeiro. O empresário João Paulo Diniz, namorado de Fernanda, e o co-piloto Luiz Roberto de Araújo Cintra se salvaram nadando até a praia.

Com base no relatório dos peritos, o DAC pode decidir por uma punição que varia da multa, com valor máximo de R$ 5 mil à cassação da licença de vôo. O Pão de Açúcar informou, através de sua assessoria de imprensa, que o grupo vai colaborar com a investigação para que se apure a causa do acidente. As aeronaves que servem aos executivos e parentes do empresário Abílio Diniz são propriedade da holding Paic, controladora do Pão de Açúcar.

Junqueira disse, embora não haja até agora indícios contra o Pão de Açúcar, o tipo de aviação em que o grupo se insere - transporte de passageiro particular (TPP) - é alvo de muitas críticas. A maior parte se refere a pressão sobre os pilotos e sonegação de informações sobre o estado das aeronaves.

A comissão que investiga o acidente está se dedicando ao levantamento do perfil psicológico dos dois tripulantes e de tudo o que ocorreu no período que antecedeu o acidente. Todos os indícios encontrados até agora pelo Cenipa apontam para uma possível imprudência envolvendo a tripulação que, mesmo sem plano de vôo, com o tempo muito ruim e sem o auxílio de instrumentos, decidiu decolar de São Paulo e tentar descer em Maresias buscando uma referência visual. O helicóptero teria sido atingido por uma rajada de vento ou por uma onda alta e se chocado com o mar. As conclusões serão apontadas no laudo do DAC.

''É necessário agora ter um retrato do piloto e co-piloto, para saber se estavam preparados'', disse Junqueira. O co-piloto Cintra tem apresentado versões contraditórias sobre o acidente. Primeiro, disse que houve pane no motor, depois levantou suspeita de falha humana do piloto. Por último, voltou a falar de problemas no motor, dizendo perdeu potência.

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Domingo, 12

Uma batalha para vender caças para a FAB

Uma batalha aérea, envolvendo europeus, russos e norte-americanos, começou na quarta-feira passada sobre o Brasil. Envolvendo US$ 700 milhões, a concorrência para a escolha dos novos aviões de combate da FAB (Força Aérea Brasileira) é um dos principais negócios do gênero em curso no mundo.
Os franceses da Dassault e seu Mirage 2000 pareciam ser os favoritos para ganhar o negócio, especialmente pelo fato de prometerem construir o avião no Brasil, em parceria com a Embraer.
Mas o jogo pode sofrer uma reviravolta. A fabricante russa Sukhoi revelou à Agência Folha que está pronta para negociar um acordo de transferência tecnológica total para vender seu avião, o Su-27 Flanker -um produto militarmente mais tentador que o Mirage, por ter desempenho considerado superior.
""Estamos prontos para entregar ao Brasil não só o avião, mas também transferir as tecnologias para construção e reparo para a aeronave e os sistemas de combate", afirmou o diretor-geral adjunto do Complexo de Aviação Militar Sukhoi, Alexander Klementiev.
Transferência tecnológica é a palavra chave. ""As empresas deverão apresentar propostas de compensação comercial, garantindo que os valores a serem pagos pelo Brasil na compra das aeronaves serão reinvestidos, por aquelas empresas, na transferência de tecnologia que permita à FAB manter os softwares da aeronave de forma autônoma", diz o Comando da Aeronáutica.

 Duas empresas americanas se apresentaram na retirada da proposta de compra, em Brasília. A Boeing deve oferecer o F/A-18, e a Lockheed, o popular F-16.
A estratégia dos norte-americanos é esperar a concorrência. O maior problema é a indisposição do governo dos EUA em ceder material com tecnologia de ponta para outros países que não aqueles que possam ter alguma utilidade estratégica -caso de Israel e Taiwan.
Exemplo recente disso é a concorrência chilena Caza-2000, muito semelhante à brasileira. Os F-16 ganharam, mas o fato de os norte-americanos terem apresentado uma versão antiquada do caça levou o processo a um impasse.
O problema não é só com os EUA. Uma eventual vitória francesa levanta insinuações sem comprovação, entre analistas, de uma compensação pela perda para os norte-americanos da concorrência do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).
O Brasil está trocando sua frota de 18 Mirage F-103, que vai caducar em 2005. A idéia é comprar entre 12 e 24 aviões com capacidade de interceptação supersônica de longo alcance.
O orçamento para o programa F-X, como é chamada a compra, se estende por oito anos e faz parte de um plano maior de modernização, de US$ 3 bilhões -parte já está sendo gasta na troca do recheio eletrônico dos caças táticos F-5, que, com a reforma, devem durar até 2015 no ar.

Suecos
Além dos franceses e russos, devem apresentar um programa de transferência de tecnologia os suecos da Saab, que querem vender seu jato Gripen. A venda é feita por meio da BAe (British Aerospace) e pode ter moldes semelhantes à concorrência ganha pelo Gripen na África do Sul, onde empresas locais produzem peças para o avião.
Segundo John Neilson, chefe de comunicação da BAe, a empresa ainda não irá se pronunciar. Pesa contra o Gripen o fato de ser uma aeronave menor e de raio de combate limitado, mais adequada ao céu sueco do que ao brasileiro.
A FAB fará uma pré-seleção até novembro. As propostas podem ser entregues até outubro. Entre novembro e dezembro, sairá o vencedor. O contrato final, informa a Aeronáutica, só será assinado em junho de 2002, permitindo negociações sobre transferência de tecnologia e financiamentos.
Completam a lista de empresas interessadas o consórcio europeu que fabrica o Eurofighter Typhoon e a russa RAC, que vende os famosos MiG-29 ao exterior. O problema do primeiro é o custo da aeronave, mais de US$ 50 milhões. Já o MiG-29, um avião considerado um dos melhores de sua geração, sofre com o envelhecimento do projeto e a péssima experiência de governos como o do Peru, que comprou os aviões e enfrentou depois a falta de peças.

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Sábado, 11

Helicóptero não tinha salva-vidas

O co-piloto Luiz Roberto de Araújo Cintra, sobrevivente do acidente com o helicóptero Agusta 109E Power, do Grupo Pão de Açúcar, afirmou ontem que a queda da aeronave, a mais de três quilômetros da praia de Maresias, no litoral Norte de São Paulo, pode ter sido provocada pela perda de potência do motor. ''Foi como se tivesse tirado o pé (do acelerador) ou alguma coisa interna (no motor)'', disse Cintra, em entrevista na sede do Pão de Açúcar. Ele descartou a hipótese de o helicóptero ter sido atingido por uma rajada de vento ou uma onda alta. Havia ''uma chuvinha normal'' e as condições de visibilidade ''eram boas'', disse.

Esta é a terceira versão de Cintra para o acidente de dia 27 de julho, que causou a morte do piloto Ronaldo Jorge Ribeiro e da modelo Fernanda Vogel, namorada do empresário João Paulo Diniz, que escapou com Cintra nadando até a praia. Na noite do acidente, ainda abalado e recebendo medicação no hospital de São Sebastião, o co-piloto disse a um policial militar que a queda fora causada por falha mecânica. No depoimento ao Departamento de Aviação Civil (DAC), sugeriu que o comandante Ribeiro tivesse cometido algum erro.

Falha - O depoimento de Cintra e o laudo preliminar do Centro Tecnológico Aeroespacial (CTA), que não encontrou problema no motor do helicóptero, levaram o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) a considerar a hipótese de falha humana. O chefe do Cenipa, coronel-aviador Antônio Junqueira, disse que o helicóptero, ao descer além do limite de segurança, pode ter sido atingido pelo vento forte ou uma onda. Segundo o DAC, as condições do tempo tornavam o vôo arriscado. Cintra afirmou que só às 21h30 a meteorologia mostrava a chegada de uma frente fria, mas o Agusta 109E podia voar naquelas condições.

Na entrevista, ao lado da mulher, Cristina, o co-piloto admitiu que não havia plano de vôo para Maresias nem coletes salva-vidas no helicóptero. Cintra contou que já havia baixado o trem de pouso e o helicóptero voava a 100 metros de altura, sob comando de Ribeiro, quando houve o acidente, a 3,6 quilômetros do heliponto. O Agusta tocou a cauda no mar, levantou o nariz, chocou-se contra a água e virou, permanecendo com a parte inferior voltada para cima até afundar.

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Sábado, 11

Transbrasil vai demitir e vender aviões

A Transbrasil terá de demitir funcionários e pensa em vender seus únicos três aviões próprios para reagir à pior crise da sua história, informou o vice-presidente da empresa nesta sexta-feira.

"Demissão não é da cultura da empresa, mas vamos ter que mexer sim", disse à Reuters Flávio Carvalho.

Ele não dá números, porém lembra que é preciso adequar o número de funcionários à reduzida frota da empresa, atualmente com apenas oito aviões em operação.

Desses oito, três são próprios e poderão ser vendidos e recontratados por leasing.

"Temos créditos de ICMS para receber da ordem de 220 milhões de reais e três aeronaves próprias, cada uma de 20 milhões de dólares", contabiliza ele, ao informar como vai resolver os problemas da empresa.

A liberação das passagens aéreas, anunciada na quinta-feira pelo governo, também deve contribuir para a retomada da empresa, avalia Carvalho.

"Não será tão rápido para nós, mas (a liberação) é um grande passo que o governo deu e vai dar mais liberdade ao mercado. Onde não existe demanda o preço tende a baixar", disse.

Ele lembra que no primeiro trimestre do ano a Transbrasil deu demonstrações de recuperação e obteve 2 milhões de reais de lucro operacional, mas no segundo trimestre a situação piorou, principalmente pela queda do real e o agravamento da crise argentina.

"O combustível está sendo o vilão da aviação depois da desvalorização do real, e, com essas crises todas, fica difícil pegar crédito lá fora", diz.

Carvalho explica que, desde o pedido de falência feito pela GE Capital em julho deste ano --já negado pela Justiça--, uma crise de confiança se abateu sobre a Transbrasil e agravou os problemas da empresa, que já não eram poucos.

"A situação na aviação brasileira não está nada fácil, principalmente nesse último trimestre (abril a junho), mas o pedido de falência ativou uma desconfiança desnecessária sobre a Transbrasil", lamenta Carvalho.

A insegurança trazida pelo pedido de falência, de acordo com Carvalho, levou alguns passageiros a cancelar vôos, outros a exigir o uso imediato de milhagens, e principalmente afligiu os credores internacionais, que estavam em plena renegociação de leasing dos aviões e ficaram preocupados com a capacidade de pagamento da Transbrasil.

Também os funcionários passaram a questionar o futuro da empresa e entram em greve de advertência nesta sexta-feira.

Carvalho garante entretanto que a situação não é tão grave que não possa pagar o salário dos funcionários, o que estaria levando a categoria à greve nesta sexta-feira.

"Desde fevereiro estamos parcelando o pagamento em duas vezes, como tantas empresas fazem. Pagamos dia 7 até 300 reais e o restante vai ser pago no dia 18", afirma.

Por este motivo, ele não acredita na realização de uma greve consistente na empresa, marcada para a meia noite desta sexta-feira.

"Os pilotos já me garantiram que não entram em greve", disse.

A dívida da empresa hoje é de 780 milhões de reais e a frota foi deteriorada ao longo dos últimos anos, resumida hoje a oito aviões 737 em operação, e três 767 em manutenção, além de um 767 retido por um credor em um aeroporto de Miami, nos Estados Unidos.

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Sábado, 11

Indústria aeronáutica luta para sobreviver na Rússia

O quinto festival internacional de aeronáutica de Moscou acontece na próxima semana em um momento crítico para a indústria de aviação russa. Desde o fim da União Soviética, o setor vive um longo declínio.
"Até onde posso ver, não há nada de bom no setor agora", disse Yelena Sakhanova, analista de aviação da corretora de valores Aton, de Moscou. "Não tenho otimismo de que algo vá acontecer em breve para mudar essa situação. Não há uma necessidade urgente de aviões russos."
A Rússia ainda é um dos poucos países capazes de produzir aeronaves independentemente, mas sua indústria aeronáutica hoje não é nem sombra daquela que chegou a ser responsável por 60% da produção mundial. No ano passado, a Rússia entregou apenas quatro aviões -a norte-americana Boeing entregou 489 no mesmo período.
Em seus tempos de apogeu, a União Soviética vendia 2.500 aviões e helicópteros por ano. O enorme Antonov An-124, maior aeronave do mundo, é um dos poucos que ainda possuem um nicho no mercado ocidental.
O premiê russo, Mikhail Kasyanov, advertiu no início do ano que, caso algo não seja feito, a Rússia pode perder a sua capacidade de fabricar aviões. O estado da indústria aeronáutica tem sido motivo de atenção do governo, que anunciou planos para revitalizar o setor.
A iniciativa inclui um programa de empréstimo de US$ 7,7 bilhões para que as companhias aéreas nacionais renovem suas frotas. Apesar do debate político, porém, nenhuma medida concreta terá sido tomada antes do início da feira na próxima semana.
"Há agora uma batalha para o controle do setor, o que vem tornando as coisas mais lentas...Há muitos interesses ocultos envolvidos", disse Sakhanova.
Alguns analistas, por outro lado, acreditam que o aumento no número de passageiros e transporte aéreo de carga no país pode trazer algumas esperanças ao setor. "As companhias aéreas estão fazendo mais negócios agora e isso significa que podem precisar de mais aviões", disse Julia Zhdanova, analista de transportes do United Financial Group de Moscou.
Segundo ela, o setor de cargas cresceu 12 por cento na primeira metade deste ano, enquanto algumas empresas aéreas russas, como a Aeroflot, tiveram um aumento da ordem de 20% no número de passageiros.
Apesar disso, argumenta Sakhonova, a demanda atual por novas aeronaves não deve aumentar significativamente. Além disso, após lobby da Aeroflot e outras companhias interessadas em comprar aviões estrangeiros, o governo considera reduzir as tarifas sobre importação de aviões.
Em julho, a Aeroflot anunciou que não tinha mais interesse em aeronaves russas, afirmando que os aviões ocidentais têm mais prestígio, são mais baratos de operar e mais confiáveis.

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Sexta, 10

Passagens aéreas têm preços liberados 

O preço das passagens aéreas está liberado em todos os aeroportos do País a partir de segunda-feira. Essa decisão foi tomada pelo governo durante reunião com o Conselho Nacional de Aviação Civil, realizada ontem, no Ministério da Fazenda.

O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera, disse que essa decisão foi tomada porque o governo avaliou que a primeira etapa da experiência de liberação nos grandes aeroportos, teria dado certo já que não houve abuso nos preços das passagens aéreas.
O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, informou que a liberação das tarifas aéreas no País foi decidida por unanimidade pelo Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac). A liberação vale para todas as empresas de transporte aéreo regular doméstico de passageiros e cargas.
Segundo Quintão, a decisão viabiliza as companhias áreas e elimina a proteção e o controle do governo sobre o setor. O ministro frisou que o governo está seguro de que a concorrência dificultará aumentos abusivos nas tarifas. "O governo considerou razoável a liberação total, que não foi abrupta, dado que, desde abril, 11 aeroportos já operavam nessa condição", observou Quintão.
Questionado sobre o risco de um possível aumento generalizado das passagens aéreas a partir da liberação dos preços, o ministro respondeu que, se uma companhia aérea aumentar muito suas tarifas, perderá competitividade. A partir de agora, segundo Quintão, as companhias, para se manterem competitivas, terão de reduzir os custos e aumentar as vantagens para o usuário. Mesmo com a liberação, as empresas aéreas, segundo Quintão, ainda são obrigadas a avisar ao Departamento de Aviação Civil (DAC) sobre o porcentual de aumento.

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Quinta,9

Ponte aérea, menor ocupação em cinco anos
 
A média de ocupação dos aviões na ponte aérea São Paulo-Rio, em julho, foi a pior dos últimos cinco anos. Segundo dados do Departamento de Aviação Civil (DAC), algumas companhias apresentaram, em julho, uma queda de 27% em comparação com o mesmo período do ano passado. A média de ocupação da Rio-Sul, por exemplo, caiu de 74% para 54%. "A aviação é muito sensível a qualquer mudança na economia", diz Carlos Eduardo Albano, analista de aviação do Unibanco, referindo-se as crises de energia e da Argentina.
Além da Rio Sul, outras empresas também tiveram diminução. Este é o caso da TAM cuja média de ocupação caiu de 54% para 42%. No caso da Varig, a ocupação caiu de 71% para 54% e na Vasp a média caiu de 64% para 56%.
Outro ponto que também fez com que a média de ocupação das empresas de aviação caísse foi o aumento de ofertas. "No início do ano, as empresas fizeram projeções de que o setor iria crescer 8% neste ano."
Por conta disso, as empresas compraram mais aviões e aumentaram o número de oferta de vôos. "O problema é elas não contavam com as crises. Elas já revisaram as projeções de crescimento para 4%." Albano conta que a entrada da Gol, no mercado, também contribuiu para a queda na ocupação das concorrentes. Isso porque a empresa entrou, no início do ano, oferecendo preços baixos.
Mês fraco
Para Amauri Caldeira, conselheiro da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), julho é um mês fraco para a ponte aérea São Paulo-Rio. Ele explica que grande parte dos executivos, que representam 80% dos passageiros desta rota, saem de férias e viajam com a família em julho.
"Eles viajam para outros lugares e por isso a média de ocupação cai."

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Quinta,9

Ministério quer unificar equipamentos de radiodifusão
O secretário de Serviços de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, Paulo Menicucci, defendeu nesta quarta-feira punições para os fabricantes de equipamentos de radiodifusão que estejam funcionando de forma diferente das características autorizadas pelo governo federal.

Menicucci disse que a medida tem por objetivo evitar interferências nos equipamentos de comunicação de aeroportos e dos setores de segurança pública, como as policiais federal, civis e militares, bem como nas unidades dos Corpos de Bombeiros e de Defesas Civis.

A proposta também poderia resolver, segundo Menicucci, as invasões das faixas destinadas às emissoras de rádio e televisão. Ou seja, um equipamento que funciona fora dos padrões poderia interferir na programação de determinada emissora que esteja funcionando na freqüência autorizada pelo ministério. Neste caso, Menicucci quer punir o fabricante.

O secretário informou que pretende incluir no anteprojeto de Lei de Radiodifusão um dispositivo para identificar os responsáveis pelo funcionamento das rádios comunitárias. A idéia é que estas emissoras, que atuam com transmissores de baixa potência e estão limitadas a aturem em determinada região do município, tenham pessoas que irão responder caso sejam comprovadas irregularidades.

Menicucci explicou que esta sugestão foi apresentada por estudantes do curso de Comunicação Social de uma faculdade de Fortaleza. O modelo atual permite ao governo determinar punições apenas para os sócios das emissoras de rádio e de televisão comerciais.

Menicucci explicou que o contrabando de equipamentos de radiodifusão tem sido uma outra preocupação do ministério. Estes produtos, que entraram no País de forma irregular, seriam responsáveis pelas transmissões de emissoras de rádio clandestinas. "Estes equipamentos de baixa qualidade estariam interferindo nas faixas de comunicação de aeroportos", afirmou o secretário.

Para ele, se a legislação atual não permitir que os fiscais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) possam responsabilizar os fabricantes destes aparelhos importados e nacionais, o governo federal tomará a iniciativa de elaborar um projeto de lei tratando deste assunto. O presidente da agência reguladora, Renato Guerreiro, admitiu que não há meios para tomar tal medida com base na legislação do setor que encontra-se em vigor.

A interferência das rádios piratas no sistema de comunicação dos aeroportos foi debatida na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados. O diretor de Eletrônica e Proteção de Vôo do Comando da Aeronáutica, major brigadeiro-do-Ar Roberto Cardoso Vilarinho, informou que nos aeroportos de São Paulo, as torres de controle do tráfego aéreo estão optando pelo atraso da decolagem de aviões quando constatam que existem interferências nas faixas de comunicação.

O oficial da Aeronáutica apresentou um vídeo que enfocou problemas verificados no aeroporto de Fortaleza. Segundo Vilarinho, emissoras de rádios comunitárias teriam causado "interferências e até o bloqueio total nas comunicações terra-avião". Ele divulgou trechos de registros feitas por comandantes de companhias aéreas comerciais que relatam as dificuldades enfrentadas naquele aeroporto.

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Quinta,9

Jornada de trabalho do piloto será investigada

O Ministério do Trabalho instaurou ontem um processo investigatório para apurar se o acidente ocorrido com o helicóptero do grupo Pão de Açúcar em Maresias, em São Sebastião, pode ter sido provocado por imprudência do piloto Ronaldo Jorge Ribeiro, 47, devido ao excesso de trabalho.
Na queda, no dia 27 de julho, morreram o piloto e a modelo Fernanda Vogel, 20, namorada de João Paulo Diniz, vice-presidente do grupo Pão de Açúcar.
A jornada de trabalho de Ribeiro e as escalas que foram cumpridas no último mês, assim como o fato de o piloto estar com o ombro machucado quando voou, vão ser analisados pela delegacia do ministério em São Sebastião.
Até ontem, o DAC (Departamento de Aviação Civil), com base no depoimento prestado pelo co-piloto Luís Roberto de Araújo Cintra, trabalhava com a hipótese de falha humana.
Os equipamentos de segurança que a aeronave possuía e a obediência da empresa às normas de saúde e segurança do funcionário também serão checadas.

O auditor fiscal do Ministério do Trabalho em São Sebastião, Cláudio Augusto Tarifa, disse que o processo investigatório foi aberto por se tratar de morte ocorrida durante um acidente de trabalho.
Tarifa disse que, se ficar comprovado pelo DAC que a queda foi provocada por imprudência, o ministério quer saber os fatores que podem tê-la provocado.
"O excesso de trabalho e a usência de escalas podem provocar o estresse. Isso pode ocasionar a distração do piloto e, consequentemente, acidentes", disse.
Se for achada irregularidade em algum item, o grupo pode ser multado e a investigação deve ser encaminhada aos outros órgãos que apuram o caso.
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Quinta, 9

Passagem aérea sobe 13,87%

As tarifas de vôos domésticos nos 54 aeroportos que são controlados pela Infraero serão reajustadas em 13,87%. A autorização do aumento foi concedida ontem, mas ficou abaixo do índice pedido pelas empresas aéreas, que queriam um aumento entre 22% e 31%.

O Departamento de Aviação Civil (DAC) fez uma análise da reivindicação das companhias e considerou procedente a o aumento solicitado por elas em 2000. Por sua vez, o Sindicato das Empresas Aeroviárias (SNEA) contesta o reajuste concedido e informa que a defasagem no preço das tarifas aéreas é de 24%, desde o último reajuste, de 19,3%, concedido no dia 18 de julho de 2000.

Câmbio - De acordo com o SNEA, as tarifas estão defasadas por causa da desvalorização cambial, que responde por 40% do aumento de custos para as companhias aéreas. Também contribuíram para essa defasagem, a alta dos combustíveis - de novembro até agora, segundo o sindicato, o aumento alcança 60% -, salários, seguros das aeronaves e gastos com treinamento de pessoal.

Hoje, o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) reúne-se em Brasília para discutir a liberação do reajuste das tarifas aéreas em todo o país e não somente nos 11 principais aeroportos brasileiros.

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Quinta, 9

Gol supera metas de desempenho no 1° semestre em atividade

  A Gol Transportes Aéreos atingiu, no primeiro semestre do ano, a marca de um milhão de passageiros transportados nas dez rotas onde opera. A companhia iniciou suas atividades em 15 de janeiro passado, e a expectativa era de que até o final do ano fossem transportados dois milhões de pessoas. No entanto, a Gol já comemora a possibilidade de ultrapassar esta meta.

Segundo dados divulgados há pouco, na capital paulista, a companhia atingiu em junho 5,08% de market share (participação no mercado) , com base em dados do Departamento de Aviação Civil (DAC). A estimativa é de que o market share de julho fique em 5,5%.

Também em junho, a taxa de ocupação das aeronaves da Gol foi, em média, de 78%, contra a média de 67% do mercado. Na rota Rio (Galeão)-São Paulo (Congonhas) a média foi ainda maior: 81%.

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Quarta, 8

Aeronáutica descarta problemas mecânicos no helicóptero de Diniz.

A Aeronáutica não tem mais dúvidas. Com base no depoimento do co-piloto Luiz Roberto de Araújo Cintra e depois de examinarem os destroços do helicóptero do Grupo Pão de Açúcar que caiu há dez dias em Maresias, técnicos do Serviço Regional de Aviação Civil (Serac-4) garantem que não houve falha mecânica. Para os técnicos, tudo indica que uma série de falhas do piloto, que pode ter sido surpreendido pelo mau tempo, provocou a queda do helicóptero.

— Dentro de três meses teremos concluído o inquérito, mas posso adiantar que o acidente será classificado como Control Flight Into Terrane . Ou seja, o vôo estava sob controle, com os comandos funcionando, quando, por descuido do piloto, que voava baixo demais, houve o choque do aparelho com uma onda, possivelmente depois de ele ser deslocado por uma rajada de vento — disse o coronel Antonio Junqueira, chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Aeronáutica.

No acidente morreram o piloto Ronaldo Ribeiro e a modelo Fernanda Vogel.

Em nota, o Departamento de Aviação Civil (DAC) diz que não encontrou qualquer problema nos motores do helicóptero, que já foram periciados. O painel e demais instrumentos serão examinados no Centro de Tecnologia Aeronáutica (CTA), em São José dos Campos.

O coronel diz acreditar que, como fazia vôo visual, já que o heliponto de Maresias não tem instrumentos para orientar o pouso, o comandante desceu quase ao nível do mar.

— Eles estavam acostumados a fazer isso. Como ninguém a bordo estava com cinto de segurança ou coletes salva-vidas e os dois passageiros liam jornais e revistas, segundo disse o co-piloto, isso nos leva a concluir que não houve pane no aparelho. O piloto e o co-piloto estavam tranqüilos, voando baixo, quando uma rajada de vento empurrou o aparelho contra uma onda. Com isso, o helicóptero virou de lado e o rotor bateu na água. Com o rotor danificado, não há o que fazer — explicou o chefe do Cenipa.

Os técnicos do Serac-4 estão certos de que o acidente aconteceu pela conjugação de falhas operacionais.

— A primeira delas é que não havia um plano de vôo, pois se houvesse as autoridades de controle de vôo não teriam autorizado. O vôo foi feito à revelia das normas. O tempo estava fechado e o piloto vinha por instrumentos até chegar ao mar em Maresias. Ao chegar lá, ele passou a fazer um vôo visual. Como não enxergavam nada, foram se orientando pelo mar. Quando bateram na onda, o piloto e o co-piloto levaram um susto. Esse tipo de vôo é impraticável. Não poderia ter sido feito — disse o coronel Junqueira.

Ele não acredita em problemas no altímetro ou no painel:

— O Agusta é um dos helicópteros mais modernos do mercado. Ele tem rádio-altímetro, que é preciso quanto à altura do aparelho. E esse equipamento indica que ele estava praticamente taxiando, bem rente ao mar. O piloto sabia que estava nessa posição. Eles já tinham feito outras descidas semelhantes em Maresias, guiando-se pelo mar.

Além das falhas operacionais, o coronel Junqueira considera que o piloto e o co-piloto descumpriram normas internacionais de aviação:

— Quando o helicóptero caiu no mar, eles deveriam ter orientado a colocação dos coletes e o uso dos bancos como bóias.
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Quarta, 8

Transbrasil poderá perder dois jatos arrendados.

A empresa australiana de leasing de aviões Ansett decidiu retomar dois jatos Boeing 737-300 arrendados à Transbrasil por falta de pagamento das prestações mensais. Se concretizada, a entrega das aeronaves representará o encolhimento de 22% na frota de jatos 737 da empresa, basicamente usados no tráfego doméstico. A Transbrasil tem nove desses aviões e cinco 767. Do total de 14 jatos da frota, nove estão em operação. O resto parou para manutenção, informou a companhia.

O pedido de retomada dos aviões foi confirmado por Steve Travis, vice-presidente de vendas para a América da Ansett, por telefone, de Seattle, Estados Unidos. “Solicitamos porque estão endividados conosco e já que não podem manter o pagamento, o pedido foi feito”, disse Travis. O executivo não revelou o valor da dívida da Transbrasil. Um especialista do setor informou, contudo, que o arrendamento de cada avião desse tipo sairia por cerca de US$ 230 mil.
A solicitação da Ansett foi feita diretamente ao presidente da Transbrasil, Celso Cipriani, e ao vice-presidente, Flávio Carvalho que informou que a empresa está revendo os contratos com as empresas de leasing, dentre elas a Ansett. Disse também que as negociações com a empresa australiana ainda estão em curso e que um de seus dois 737-300 está em manutenção e o outro permanece voando.
Mesmo assim, a expectativa da Ansett era de que os aviões deverão ser devolvidos nos próximos dias. Pelo menos um deles já estaria sendo preparado para a devolução. Travis disse que advogados da Ansett já estavam em contato com a companhia aérea, tratando dos documentos relativos à devolução.
A demanda da Transbrasil caiu 8,6% em julho, com relação ao mesmo período em 2000. A taxa de aproveitamento dos aviões melhorou, contudo, de 68% para 81%, por conta de um ajuste na oferta de vôos, que foi reduzida em 23%. A empresa vem buscando concentrar a aposta em vôos de maior rentabilidade e retorno ao capital investido. Hoje, voa apenas para Miami e Buenos Aires na rota internacional e, no início de agosto, fez novo ajuste nas suas rotas. 

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Quarta, 8

Governo estuda a liberação das tarifas aéreas.

O Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac), que reúne os Ministérios do Desenvolvimento, da Defesa, da Fazenda e o Comando da Aeronáutica, além do Departamento de Aviação Civil (DAC) e da Infraero, discutirá amanhã, em Brasília, a liberação total dos preços das passagens aéreas. O DAC já antecipou que apresentará parecer favorável à liberação integral, que poderá ser decidida no mesmo dia, segundo fonte de uma das Pastas envolvidas no assunto. Atualmente, a liberdade para fixar tarifas vigora apenas para um grupo de 11 aeroportos.

Na prática, cerca de metade do tráfego doméstico do País ainda está sob controle de tarifas por parte do governo. Antigo pleito das companhias, a liberação vale hoje só para o tráfego entre oito cidades, responsáveis por cerca de 50% dos vôos domésticos: Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis e Campinas.
"A posição do DAC é muito clara", disse Venâncio Grossi, diretor-geral do órgão, citando, porém, que a decisão final caberá aos ministros. Além do DAC, a Fazenda também deverá apresentar sua avaliação sobre o assunto, que se arrasta no governo desde o fim de 1999. Em outubro desse ano, a liberação chegou a ser anunciada como assunto praticamente definido pelo comandante anterior da Aeronáutica, Walter Brauer, num jantar com executivos do setor.
No dia, os presidentes de empresas aéreas aplaudiram a notícia. Mas a liberação foi abatida em pleno vôo. Alegou-se, à época, o risco de as empresas aéreas aumentarem os preços justamente no período da alta temporada de verão, acompanhado da possibilidade de redução de rotas de menor interesse e até de desemprego no setor.
Atualmente, nas áereas já liberadas pelo governo, não houve "excessos", informou Grossi. O diretor-geral disse que o DAC vem acompanhando de perto a evolução das tarifas. Nos aeroportos onde ainda vigora o controle de preços, as empresas requereram aumentos médios de 22%, há quase dois meses, ainda não autorizados. Uma fonte do setor informa que o Ministério da Fazenda está na reta final da análise e a aprovação, provavelmente em níveis inferiores aos solicitados, deverá sair nos próximos dias.
A lei ainda em vigor prevê apenas um reajuste ao ano para as tarifas controladas. Como o prazo venceu em junho, as empresas alegam que estão com defasagem de valores. Perguntado se as empresas poderiam acionar judicialmente o governo para recuperar as perdas, o presidente do Sindicato Nacional de Empresas Aéreas, George Ermakoff, limitou-se a dizer: "É uma possibilidade".

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Segunda, 6

Puma Air Linhas Aéreas deve oferecer vôos em seis meses

  A Puma Air Linhas Aéreas é a mais nova candidata a operar com linhas regulares no país. O Departamento Nacional de Aviação Civil (DAC) estima que em seis meses a empresa deverá começar a oferecer vôos que ligam Belém (PA) a Palmas (TO) e a diversas outras cidades da Região Norte. A Puma recebeu autorização para seu funcionamento jurídico e, falta apenas, a licença para começar a voar.

Outras duas empresas charters (sem rotas e horários fixos), a BIA (Brazilian International Airways) e a Promodal também obtiveram a mesma autorização. A BIA vai fazer vôos do Rio e São Paulo para os Estados Unidos, enquanto a Promodal vai levar carga de São Paulo para outras capitais do país.

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Segunda, 6

Até dezembro saberemos quem vai fornecer os caças para a FAB

  Com aviões carregados de drogas e armas de tráfico voando sobre a Amazônia, a Força Aérea Brasileira (FAB) começou o processo de licitação de novos caças.

O governo alocou R$ 700 milhões para comprar 24 aviões de caça que equiparão as esquadrilhas supersônicas da FAB, que hoje é composta de 750 aviões. Mais da metade das aeronaves estão em terra devido às restrições de orçamento e à falta de peças sobressalentes. Mas o governo exige aviões de primeira linha e a transferência de tecnologia. Esse pedido de ouro colocou o Brasil em conflito direto com os Estados Unidos, que durante um quarto de século adotam a política de não vender seus armamentos avançados para a América Latina, quanto mais ensinar o know-how.

A França, no entanto, está entusiasmada com a demanda brasileira. Para os Estados Unidos, um acordo entre Brasil e França seria uma derrota não somente no sentido financeiro. Com a tecnologia francesa nas mãos, o Brasil será capaz de fazer aviões de caça mais baratos para vender para os países do Terceiro Mundo, independentemente da influência dos EUA , que freqüentemente utiliza a venda de armas para influenciar aliados e estabelecer o poder.

Sete companhias de cinco países, incluindo a Rússia, a Suécia e a Itália, vêm fazendo um lobby agressivo frente ao governo brasileiro durante meses numa disputa para ver quem ganha a licitação. ''Os americanos têm preços bons, mas as máquinas que eles estão oferecendo não são as mais modernas. 

O nome do ganhador deverá ser conhecido até dezembro, mas todos o sinais apontam para a França, a menos que reine, no último minuto, a pressão americana. No momento, a França tem uma importante vantagem. Em 1999, Dassault e três outras companhias francesas adquiriram 20% da Embraer, a maior exportadora brasileira de aeronaves. Fundada pela FAB em 1969 para fazer treinos militares e patrulhar os aviões, a Embraer foi privatizada em dezembro de 1994 e tornou-se a quarta maior fabricante de aviões comerciais do mundo graças ao grande sucesso da linha de jatos regionais.

Os Estados Unidos, por outro lado, impuseram um embargo para as vendas de sistemas de armamentos avançados para a América latina em 1977, durante o governo Carter. Como resultado, a América do Sul tem gastado menos em armas nas últimas duas décadas do que qualquer outra região do mundo.

A embaixada americana em Brasília não quis comentar o processo de licitação. Mas uma decisão do Brasil de conceder o contrato para a França daria, claramente, ao Chile e a outros compradores de armas em potencial na América Latina um meio de pressionar os Estados Unidos a fornecer equipamentos avançados.

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Segunda, 6

Helicóptero de Diniz chegou ontem em  Osasco para perícia.

Uma equipe de dez mergulhadores do Corpo de Bombeiros e da Aeronáutica e um representante da Agusta, fabricante do helicóptero do grupo Pão de Açúcar, que caiu em Maresias, em São Sebastião, começaram no sábado a perícia preliminar para estudar as causas do acidente.

O grupo do Serac-4 (Serviço Regional de Aviação Civil), do Pára-Sar, grupamento de salvamento e resgate da aeronáutica e dos bombeiros mergulharam com o objetivo de tirar fotos da carcaça.

Após a perícia preliminar, a  aeronave foi transportada ontem para o município de Osasco, para a empresa autorizada Agusta.

 Inicia-se agora outra etapa da perícia, onde os técnicos enviados pelo fabricante, da autorizada no Brasil e a equipe da Aeronáutica procuram por evidências de uma possível falha mecânica. Trata-se de uma etapa demorada, que requer a análise detalhada de muitos componentes da aeronave.

Algumas partes do Helicóptero serão levadas para o Centro Técnico Aeroespacial, em São José dos Campos - SP
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Domingo, 5

Falha humana é a maior causa de acidentes

Estatística do Departamento de Aviação Civil (DAC) revela que 79% dos acidentes aéreos envolvendo helicópteros no país são causados por falha humana. Além de erros do piloto, são considerados falha humana erros de comunicação da torre, falha na manutenção dos aparelhos, erro de interpretação de equipamentos e até mesmo de avaliação meteorológica. Hipóteses que estão sendo investigadas pelo DAC no caso da queda do helicóptero do grupo Pão de Açúcar, que provocou a morte da modelo Fernanda Vogel e do piloto Ronaldo Ribeiro.
De acordo com as estatísticas, dos 50 acidentes aéreos ocorridos em 2000, 12 envolveram helicópteros, totalizando 24% dos casos. Um número proporcionalmente alto se comparado com a frota nacional. Das 10.478 aeronaves em operação no país, apenas 875 (8,3%) são helicópteros.
Para o presidente da Associação de Pilotos de Helicópteros do Rio, Rogério Izzo, o principal problema é a falta da obrigatoriedade de treinamento regular, como acontece nas aviações civil e comercial:
— Os acidentes em geral são causados por falha humana, seja ela na manutenção do helicóptero, na má avaliação sobre as condições do tempo ou mesmo por erro de pilotagem. O DAC é muito exigente com a aviação civil. Os treinamentos regulares são obrigatórios para que os pilotos estejam sempre bem preparados. Essa obrigatoriedade deveria ser cobrada também na aviação executiva.
Segundo ele, não há como comparar a segurança entre aeronaves. Izzo garante, no entanto, que o helicóptero é seguro e que viagens litorâneas não oferecem risco:
— As pessoas dizem que cidades como Angra dos Reis são perigosas por causa das bruscas mudanças de tempo. Até onde sei só houve dois acidentes de helicóptero em Angra, uma das cidades mais procuradas para esse tipo de turismo. Aliás, a região serrana sofre muito mais a influência da mudança de tempo.
Izzo lembra que o piloto tem que informar seu plano de vôo à torre da área em que estiver passando.
— Ele pode fazer essa comunicação pelo rádio do helicóptero e não precisa ser feita previamente. Mas não pode deixar de informar. É uma questão de segurança — explicou.
Piloto desde 1985 e com 7.500 horas de vôo, Izzo comemora o fato de nunca ter sofrido qualquer acidente:
— Trabalho em off-shore , em plataformas de petróleo, que é um tipo específico de vôo. Temos 38 helicópteros operando em todo o país. Estamos sempre em treinamento. Quanto mais horas de vôo tiver o piloto, maior segurança terá.
Segundo o presidente da associação, o Brasil está abaixo da estatística mundial de acidentes. Mesmo assim, toda vez que ocorre um acidente envolvendo um helicóptero há uma retração no volume de vôos:
— Existe uma estatística mundial de um acidente para cem mil horas de vôo.
Nos últimos quatro anos, o mercado de helicópteros no Brasil cresceu 1,9%. Em 97, dos 9.786 aparelhos, apenas 628 (6,4%) eram helicópteros. Segundo Izzo, São Paulo é o estado que registra o maior crescimento da frota, principalmente por causa dos problemas de trânsito e de segurança.
No Rio, são cerca de 150 helicópteros. As rotas mais disputadas são para Angra e Região dos Lagos. O preço de uma viagem para Angra varia de R$ 1.400 a R$ 1.800. Para Búzios, a viagem custa, em média, R$ 2.300.

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Domingo, 5

No céu de São Paulo, o limite da segurança

Os últimos acidentes com helicópteros no País trouxeram à tona antigas discussões. Há consenso de que esse é um meio de transporte seguro, mas talvez até por isso cada vez mais pessoas usam o aparelho como se fosse um carro. Ignoram riscos e pressionam pilotos a decolarem, mesmo sob condições desfavoráveis. Uma situação que preocupa a Aeronáutica, num quadro de crescimento da frota.

"Sem dúvida isso acontece", disse o chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo (SRPV) de São Paulo, tenente-coronel aviador Hélio da Silva Filho. "Se o piloto diz que o vôo não pode ser realizado e outro é chamado e afirma o contrário, ele fica com fama de medroso", disse. "A consciência do piloto é imprescindível para a segurança."
O tenente-coronel alerta também para outro fenômeno, a banalização dos helicópteros. "Um modelo Robinson 22 custa US$ 300 mil. Para um empresário, isso não é nada. Com R$ 700 mil ele sai voando. Hoje, todo mundo é comandante."
Segundo o Departamento de Aviação Civil (DAC), São Paulo é a terceira cidade do mundo em movimento de helicópteros e a segunda em frota, perdendo apenas para Nova York. Há 862 aparelhos no Brasil, 45% deles no Estado de São Paulo. A quantidade de pousos e decolagens cresceu 25% nos últimos dois anos. De acordo com o chefe do SRPV, porém, a frota pode continuar aumentando e mesmo assim o transporte continuará seguro. "Basta que todos respeitem as regras."
Represálias - Pilotos só falam sobre o assunto com uma condição: não ter o nome revelado. A justificativa é que, "certamente", sofreriam represálias. "As pressões ocorrem e as normas são desrespeitadas, pondo em risco quem está em cima e quem está embaixo", afirma V.F., de 33 anos, piloto de helicóptero há 9. "Acontece mais com os novos, que têm medo de perder o emprego ou ficar 'queimados'."
Em pelo menos um acidente aéreo recente o DAC investigou a possibilidade de o piloto ter sofrido pressões para decolar. Isso teria ocorrido com o comandante Geraldo Antonio da Silva, que pilotava o bimotor que caiu sobre cinco casas na Vila Anhangüera, zona sul. O acidente aconteceu sob chuva forte, na noite de 16 de dezembro. Morreram no desastre Silva, o co-piloto e cinco parentes que tinham viajado de Maringá para São Paulo para assistir ao enterro de um empresário. A investigação prossegue, mas em caráter sigiloso.
Segundo o chefe do SRPV, a fiscalização não consegue pegar todas as transgressões. "Se um helicóptero quiser sair de um corredor ou de um prédio para outro e não fizer a comunicação, não temos como saber." Vôos abaixo da altura mínima também não são flagrados pelos radares. "Se abaixarmos o 'prato' do radar, passaremos a pegar os carros. É assim no mundo todo", disse. "As pessoas precisam nos avisar se virem um aparelho dando vôos rasantes."
Conscientização - Autoridades do 4.º Serviço Regional de Aviação Civil (Serac-4), em São Paulo, já tinham dito ao Estado que essa é uma preocupação real. Uma campanha de conscientização para que pilotos não cedam diante de pressões de donos de helicópteros e aviões estava sendo cogitada.
Em meio à turbulência causada pelo acidente com o helicóptero do Grupo Pão de Açúcar - que causou a morte do piloto Ronaldo Jorge Ribeiro e da modelo Fernanda Vogel -, o atual comandante do Serac-4, coronel Marco Aurélio Sendin, garantiu que não ouviu falar sobre o assunto, porque assumiu o cargo há pouco tempo. "Sou novo aqui. Assumi há menos de três meses e não tenho conhecimento ainda desse fator. Só após mais tempo por aqui, conversando com os pilotos, interagindo", completou.
Para o chefe do SRPV, uma campanha de conscientização poderia trazer bons resultados. "Seria muito interessante, quem sabe com a participação da Associação de Pilotos de Helicópteros do Estado de São Paulo (Aphesp)." A reportagem entrou em contato com a Aphesp, mas nenhum representante respondeu às ligações. A associação divulgou nota na quinta-feira, informando que não falaria mais com a imprensa, que seria responsável pela divulgação de "declarações totalmente inverídicas de fontes duvidosas" sobre o acidente com o helicóptero de Diniz. (Colaborou Carlos Araújo) 

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Domingo, 5

Banalização preocupa Aeronáutica

Os últimos acidentes com helicópteros no País trouxeram à tona antigas discussões. Há consenso de que esse é um meio de transporte seguro – e por isso cada vez mais pessoas usam o aparelho como se fosse um carro, ignorando riscos e pressionando pilotos a decolar, mesmo sob condições desfavoráveis. A situação preocupa a Aeronáutica, num quadro de crescimento da frota.

“Sem dúvida isso ocorre”, diz o chefe do Serviço Regional de Proteção ao Vôo (SRPV) de São Paulo, tenente-coronel aviador Hélio da Silva Filho. “Se o piloto diz que o vôo não pode ser realizado e outro é chamado e afirma o contrário, ele fica com fama de medroso”, disse. “A consciência do piloto é imprescindível para a segurança.”
O tenente-coronel alerta também para outro fenômeno, a banalização dos helicópteros. “Um modelo Robinson 22 custa US$ 300 mil. Para um empresário, isso não é nada. Com R$ 700 mil ele sai voando. Hoje, todo mundo é comandante.”
Segundo o Departamento de Avião Civil (DAC), São Paulo é a terceira cidade do mundo em movimento de helicópteros e a segunda em frota, perdendo apenas para Nova York. Há 862 aparelhos no Brasil, 45% deles no Estado de São Paulo. A quantidade de pousos e decolagens cresceu 25% nos últimos dois anos. De acordo com o chefe do SRPV, porém, a frota pode continuar aumentando e mesmo assim o transporte continuará seguro. “Basta que todos respeitem as regras.”
Represálias
Pilotos só falam sobre o assunto com uma condição: não ter o nome revelado. A justificativa é de que sofrerão represálias. “As pressões ocorrem e as normas são desrespeitadas, pondo em risco quem está em cima e quem está embaixo”, afirma V.F., de 33 anos, piloto de helicóptero há 9. “Ocorre mais com os novos, que têm medo de perder o emprego.”
Em pelo menos um acidente aéreo recente, o DAC investigou a possibilidade de o piloto ter sofrido pressões para decolar. Isso teria ocorrido com o comandante Geraldo Antonio da Silva, que pilotava o bimotor que caiu sobre cinco casas na Vila Anhangüera, na zona sul. O acidente ocorreu sob chuva forte, na noite de 16 de dezembro. Morreram no desastre Silva, o co-piloto e cinco parentes que tinham viajado de Maringá para São Paulo para assistir ao enterro de um empresário. A investigação prossegue em caráter sigiloso.
Segundo o chefe do SRPV, a fiscalização não consegue pegar todas as transgressões. “Se um helicóptero quiser sair de um corredor ou de um prédio para outro e não fizer a comunicação, não temos como saber.” Vôos abaixo da altura mínima também não são flagrados pelos radares. “Se abaixarmos o ‘prato’ do radar, passaremos a pegar os carros. É assim no mundo todo”, disse.
Autoridades do 4.º Serviço Regional de Aviação Civil (Serac-4), em São Paulo, já tinham afirmado que essa é uma preocupação real. Uma campanha de conscientização para que pilotos não cedam diante de pressões e com donos de helicópteros e aviões está sendo cogitada

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Sábado, 4

Sindicato diz que pilotos são pressionados a burlar regras do DAC
O risco de uma demissão sumária ou de terminar a carreira com a patente reduzida faz com que pilotos aceitem determinações de empresários para que burlem as regras da aviação estipuladas pelo Departamento de Aviação Civil (DAC).

A constatação é da presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, com sede no Rio de Janeiro, Graziela Baggio, que não poupou fôlego para criticar a ineficiente fiscalização do setor.

"O DAC não tem capacidade para fiscalizar todas as empresas", disse Graziela, hoje, revelando em seguida a forma como os empresários pressionam os profissionais para voar mesmo em condições inadequadas.

"Se o piloto não cumprir as regras será demitido ou, como acontece em alguns casos, rebaixado de comandante para co-piloto".

Segundo ela, é pouco comum receber no sindicato pilotos que denunciam patrões. No mês passado, lembrou Graziela, uma companhia aérea chegou a suspender, por 29 dias, três pilotos que se recusaram a exceder as horas de vôo.

A indústria de aviação tem hoje mil pilotos empregados com carteira assinada. Outros sete mil têm licença para voar, e, neste caso, a maioria trabalha para pequenos empresários espalhados pelo país.

Mas Graziela reclama mesmo é do trabalho do DAC. Para ela, o processo para investigar uma denúncia é demorado e quase sempre não tem resultados contrários aos interesses empresariais. Ou seja, as reclamações feitas por aeronautas não têm eco neste segmento.

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Sábado, 4

Aeronáutica fará perícia em helicóptero acidentado do Pão de Açúcar

Uma equipe de dez mergulhadores do Corpo de Bombeiros e da Aeronáutica e um representante da Agusta, fabricante do helicóptero do grupo Pão de Açúcar que caiu em Maresias, em São Sebastião, começaram, às 11h, a perícia preliminar para estudar as causas do acidente com a aeronave.
O grupo do Serac-4 (Serviço Regional de Aviação Civil), do Pára-Sar, grupamento de salvamento e resgate da aeronáutica e dos bombeiros mergulharam com o objetivo de tirar fotos da carcaça e analisar o estado geral do helicóptero.
O oficial de segurança do DAC (Departamento de Aviação Civil) Wagner Cyrillo Júnior não forneceu detalhes da operação e disse apenas que pretendia que as primeiras investigações fossem realizadas ainda no mar e, caso isso não fosse possível, tentaria fazer a retirada do helicóptero.
Até às 11h30, os mergulhadores não haviam concluído se a análise preliminar poderia ser realizada no local e nem se a aeronave poderia ser retirada.
A carcaça do helicóptero foi encontrada ontem por volta das 11h30, por quatro mergulhadores civis, a 17,5 metros de profundidade, no Canto da Moreira, sentido sul de Maresias, a 1,5 km do local do acidente.
Para o DAC, a carcaça é considerada peça fundamental nas investigações para esclarecer os motivos do acidente.
Segundo Cyrillo, o departamento não pode apontar as causas do acidente sem a análise do helicóptero porque há mais de dez hipóteses para a queda da aeronave na semana passada.
A confirmação dos motivos para o acidente somente devem ser divulgadas dentro de um ano, após as apurações.

O DAC analisa, entre as hipóteses, a possibilidade de falha mecânica e do acidente ter sido provocado pelo mau tempo causado pela passagem de uma frente-fria no litoral norte.

O helicóptero, depois de içado, deve ser enviado ao laboratório do DAC em São Paulo ou ao CTA (Centro Técnico Aeroespacial), em São José dos Campos.
Uma perícia com o objetivo de identificar a causa ou as causas de um acidente pode demorar, pois envolve desde o plano de vôo, as condições do tempo, a manutenção da aeronave, a atitude do empresário, do piloto até as condições e comportamento da aeronave no momento da queda, isso será visto pelos destroços, e se possível pelo o que registravam os mostradores do painel da aeronave no momento da queda. É um trabalho que consome muitas horas de trabalho, registros e relatórios, onde dezenas de especialistas estarão envolvidos.Pela manhã, somente seis homens do Corpo de Bombeiros e um navio do grupamento do Guarujá estavam no local para impedir que curiosos e mergulhadores civis se aproximassem da aeronave.
Os 70 homens e os navios, lanchas, botes e helicópteros vindos de Ubatuba, Santos, Guarujá e São Paulo utilizados na megaoperação de buscas começaram a deixar a cidade ontem, após a localização do corpo da modelo Fernanda Vogel e da carcaça da aeronave.
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Sexta, 03

Bombeiros encontram corpo de Fernanda Vogel

O Corpo de Bombeiros encontrou o corpo de Fernanda Vogel entre as praias de Paúba e Santiago, próximo a Maresias, litoral Norte de São Paulo, perto das 7h45. A confirmação da identidade foi feita no IML, pelo primo da modelo, Henrique Vogel de Oliveira, e pelo amigo da família, Maurício Costa Ramos. Os bombeiros já tinham quase certeza da identidade, pois o corpo tinha uma tatuagem tribal na nuca e outra na perna, que correspondiam às da descrição da modelo. A equipe de resgate procura por Fernanda desde a sexta-feira passada, quando o helicóptero em que viajava com o namorado, o empresário João Paulo Diniz, caiu no mar. Diniz e o co-piloto do helicóptero, Luís Roberto Cintra, sobreviveram ao acidente e passam bem.

Dois soldados que estavam em um bote inflável do Corpo de Bombeiros resgataram o corpo de Fernanda boiando a cerca de 400 metros da arrebentação. O local é muito próximo de onde o piloto Ronaldo Jorge Ribeiro, que morreu no mesmo acidente, foi localizado na terça-feira. Fernanda deve ser enterrada ainda hoje, no Rio de Janeiro.

A delegacia de São Sebastião, cidade onde fica Maresias, abriu inquérito para apurar as causas do acidente. João Paulo Diniz e o co-piloto da aeronave foram chamados para prestar depoimento. Existem dúvidas se houve falha humana. Ainda não há informações se o piloto informou ao Departamento de Aviação Civil que estava indo para Maresias apesar do mau tempo. O INPE e outros institutos de meteorologia avisavam que o tempo no litoral Norte de São Paulo estava ruim. A decisão de voar para o local, de acordo com oficiais da aeronáutica, seria de responsabilidade do piloto.

O Grupo Pão de Açúcar divulgou hoje nota oficial desmentindo que João Paulo Diniz tenha forçado o piloto a voar até Maresias apesar do mau tempo. "Toda e qualquer decisão de vôo em qualquer uma das aeronaves do Grupo Pão de Açúcar é tomada única e exclusivamente pelo comandante", afirma a nota. O heliponto em Maresias não tinha capacidade para fazer pouso por instrumentos e, de acordo com o dono do local, o piloto estaria ciente do mau tempo na região.

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Sexta, 03

Piloto de Diniz estava "por conta e risco próprios"
O piloto Ronaldo Jorge Ribeiro estava ""por conta e risco próprios" ao se aproximar de Maresias (litoral norte de SP) no helicóptero do grupo Pão de Açúcar, de acordo com o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.
Caso julgasse arriscado descer, por causa da forte chuva, deveria abortar a operação e deslocar-se para o local seguro mais próximo, no caso, a cidade de Santos.
Segundo a assessoria da Aeronáutica, Ribeiro poderia ter se informado sobre as condições do tempo no litoral paulista ainda no aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo, de onde ele decolou na sexta-feira por volta das 16h30.
Após uma parada no heliponto do grupo Pão de Açúcar, na avenida Brigadeiro Luiz Antonio, por volta das 17h30, seguiu para Maresias, onde o helicóptero ficou no centro de um ciclone. Ribeiro morreu no acidente.

Ventos
A passagem do ciclone pode ter provocado a queda do helicóptero, segundo o meteorologista do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos) Fernando Lemos.
De acordo com ele, durante a ocorrência do fenômeno na última sexta-feira, os ventos atingiram até 25 km/h, o triplo da velocidade que normalmente é registrada na região.
A aeronave, segundo o co-piloto Luís Roberto de Araújo Cintra, 35, caiu no mar de ponta cabeça. Cintra e João Paulo Diniz conseguiram nadar 3 km até a praia. Um dia após a queda, segundo os bombeiros, a região registrou rajadas de vento de até 40 km/h.
Os efeitos da frente fria se estenderam da região central de São Paulo até a região sul do Rio de Janeiro, mas estavam mais intensos no litoral norte paulista, especificamente no oceano, local onde o ciclone foi formado.
O CPTEC prevê a ocorrência de frentes frias e, consequentemente, a formação de ciclones, com dois dias de antecedência. As previsões do centro estão disponíveis no site www.cptec.inpe.br.
Segundo o meteorologista Sérgio Calbete, os dados climáticos também são trocados com a Aeronáutica, que elabora uma previsão própria e as distribui para os aeroportos espalhados pelo país.
A partir dessa carta do tempo, disse Calbete, é que as rotas de vôos são elaboradas e os pilotos podem decidir se há condições ou não para as viagens.
"O aeroporto dá as orientações para os vôos, e o piloto sabe disso. Se mesmo assim ele decide prosseguir viagem, ele deve assumir os riscos", afirmou Calbete.
Lemos disse que os ventos e chuvas do ciclone com a intensidade observada na sexta-feira podem causar instabilidade e prejudicar os vôos de qualquer aeronave, principalmente de helicópteros, mas as condições são normalizadas após três horas.
"No momento do ciclone não há condições de vôo, mas se o piloto esperar as três horas, ele pode voar por cima das nuvens e não enfrentar dificuldades", disse.
O piloto Ribeiro não tinha como saber exatamente a situação do tempo em Maresias, durante o vôo até a praia, porque não existe estação meteorológica na região. Segundo a Aeronáutica, os dados sobre as condições climáticas são fornecidas, em geral, pela torre de controle de São Paulo.
Os pilotos podem ainda, de acordo com o DAC (Departamento de Aviação Civil), comunicar-se com qualquer torre próxima para obter informações meteorológicas. No caso, Santos ou São José dos Campos.
Em aeroportos com controle de vôo, por exemplo, há um novo boletim meteorológico a cada 30 minutos para guiar os pilotos que se aproximam. As informações são passadas via rádio.
O heliponto onde o helicóptero desceria é privado, homologado pelo DAC, mas não possui um centro de controle de vôo. Não há exigência disso na lei.
Laudo
O laudo da morte do piloto Ronaldo não conseguiu apontar o dia em que ele teria morrido.
Confirma apenas que a morte do piloto foi por afogamento, já que seu corpo não apresentava nenhum hematoma ou outro sinal que indicasse algum tipo de traumatismo.

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Sexta, 03

Helicóptero estava no "olho" de ciclone.

O helicóptero do grupo Pão de Açúcar que caiu na praia de Maresias, em São Sebastião (SP), há uma semana, estava no centro de um ciclone extratropical, que atingiu a faixa que vai da região central do Estado de São Paulo até o sul do Rio de Janeiro.
A informação é do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), órgão ligado ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que havia distribuído na quarta-feira, dois dias antes do acidente, comunicado sobre a ocorrência do ciclone.
Segundo o centro meteorológico, uma frente fria intensa, responsável pela formação do ciclone, passaria pelo litoral norte de São Paulo entre 17h e 19h de sexta-feira da semana passada.
O helicóptero, que levava o empresário João Paulo Diniz, 37, e a modelo Fernanda Vogel (desaparecida), 20, além de dois pilotos, saiu do heliporto particular do Pão de Açúcar, localizado na avenida Brigadeiro Luiz Antonio, em São Paulo, às 17h30, quando o fenômeno meteorológico já ocorria na área de Maresias.
O ciclone é caracterizado pelo encontro de duas massas de ar -uma fria e outra quente-, que provocam mudanças na direção e velocidade dos ventos e trazem chuvas e nebulosidade, o que pode ter dificultado a visibilidade do piloto da aeronave, Ronaldo Jorge Ribeiro, 47, na hora do pouso. Ribeiro morreu no acidente.
A passagem do ciclone pode ter provocado a queda do helicóptero, segundo o meteorologista do CPTEC Fernando Lemos. De acordo com ele, durante a ocorrência do fenômeno no dia do acidente, os ventos atingiram até 25 km/h, o triplo da velocidade normalmente registrada na região.
A aeronave, segundo o co-piloto Luís Roberto de Araújo Cintra, 35, caiu no mar de ponta cabeça. Cintra e Diniz conseguiram nadar 3 km até a praia.
Um dia após a queda, segundo os bombeiros, a região registrou rajadas de vento de até 40 km/h.
Os efeitos da frente fria se estenderam da região central de São Paulo até a região sul do Rio de Janeiro, mas estava mais intensa no litoral norte paulista, especificamente no oceano, local onde o ciclone foi formado.
O CPTEC prevê a ocorrência de frentes frias e, consequentemente, a formação de ciclones, com dois de antecedência. As previsões do centro estão disponíveis no site www.cptec.inpe.br .
Segundo o meteorologista Sérgio Calbete, os dados climáticos também são trocados com a Aeronáutica, que elabora uma previsão própria e as distribui para os aeroportos espalhados pelo país.
A partir dessa carta do tempo, disse Calbete, é que as rotas de vôos são elaboradas e os pilotos podem decidir se há condições ou não para as viagens. "O aeroporto dá as orientações para os vôos, e o piloto sabe disso. Se mesmo assim ele decide prosseguir viagem, ele deve assumir os riscos."
Lemos disse que os ventos e chuvas do ciclone com a intensidade observada na sexta-feira podem causar instabilidade e prejudicar os vôos de qualquer aeronave, principalmente de helicópteros, mas as condições são normalizadas após três horas.
"No momento do ciclone não há condições de vôo, mas se o piloto esperar as três horas, ele pode voar por cima das nuvens e não enfrentar dificuldades", disse.
O piloto Ribeiro não tinha como saber exatamente a situação do tempo em Maresias, durante o vôo até a praia, porque não existe estação meteorológica na região. Segundo a Aeronáutica, os dados sobre as condições climáticas são fornecidas, em geral, pela torre de controle de São Paulo.
Os pilotos podem ainda, de acordo com o DAC (Departamento de Aviação Civil), comunicar-se com qualquer torre próxima para obter informações meteorológicas. No caso, Santos ou São José dos Campos.
Em aeroportos com controle de vôo, por exemplo, há um novo boletim meteorológico a cada 30 minutos para guiar os pilotos que se aproximam. As informações são passadas via rádio.
O heliponto onde o helicóptero desceria é privado, homologado pelo DAC, mas não possui um centro de controle de vôo. Não há exigência disso na lei.
De acordo com o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, Ribeiro poderia ter se informado sobre as condições do tempo no litoral paulista ainda no aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo, de onde ele decolou na última sexta-feira por volta das 16h30.
Em Maresias, o piloto estava ""por conta e risco próprio", segundo a assessoria da Aeronáutica. Caso julgasse arriscado descer, por causa da forte chuva, deveria abortar a operação e deslocar-se para o local seguro mais próximo, no caso, Santos.

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Sexta, 03

Pão de Açúcar culpa piloto por vôo

O grupo Pão de Açúcar responsabilizou ontem o piloto Ronaldo Jorge Ribeiro pela decolagem do helicóptero que levava o empresário João Paulo Diniz e sua namorada, Fernanda Vogel, numa viagem sem os instrumentos de vôo necessários, sem comunicação oficial do destino e sem consulta às condições meterológicas da região de pouso. ''O Pão de Açúcar informa que toda e qualquer decisão de vôo em qualquer de uma de suas aeronaves é tomada única e exclusivamente pelo comandante, exatamente como aconteceu no vôo desta sexta-feira'', diz a íntegra da nota. O avião caiu no começo da noite de sexta-feira causando a morte do piloto e o desaparecimento no mar de Fernanda Vogel.

Com a nota, o grupo pertencente à família Diniz tenta se eximir da responsabilidade legal pelo acidente, já que as leis aeroviárias afirmam que o comandante tem integral controle do vôo. Mas entidades de classe apontam para o chamado ''constrangimento do dono'' - ordem de seguir vôo para um determinado lugar dada pelo proprietário da aeronave.

A Associação de Pilotos de Helicóptero do Estado de São Paulo (APHESP) afirmou ontem que é cedo para apontar culpados. ''Neste momento, seria leviano por parte de quem quer que seja, fazer qualquer comentário sobre as prováveis causas do acidente. Tenha sido o acidente ocasionado por falha mecânica, operacional ou condições meteorológicas'', informou, por meio de uma nota, o presidente da entidade, Carlos Mendes.

Pressão - As normas de vôo nem sempre são cumpridas. Muitas vezes os pilotos de aviação executiva são pressionados a voar mesmo em condições de risco. O presidente da Associação de Pilotos e Proprietários de Aeronaves (APPA), comandante Décio Corrêa, reconhece o problema. ''A norma da aviação é clara: o comandante é a maior autoridade a bordo. Mas todos nós sabemos que existe sim um grande número de casos em há uma forte pressão do patrão para efetuar certas operações que o bom senso do comandante diz não'', declarou.

O assunto é delicado para os pilotos. São poucos os que se arriscam a comentar. Um profissional que preferiu não se identificar disse que os pilotos que se recusam a voar em condições adversas perdem o emprego: ''Se perder meu emprego o que fazer, bater lata no meio da rua?'', declarou. ''Quem tem um avião particular, um empresário com necessidade de se deslocar com rapidez e conforto, não pode estar sujeito a formalidades de linhas convencionais: Não é uma chuvinha que vai me impedir de chegar ao meu destino. São pessoas acostumadas a ter as ordens obedecidas'', afirmou Corrêa.

Desculpas - O presidente da APPA sabe de cor as alegações. ''São os famosos: eu tenho um compromisso, minha família está esperando. São responsáveis por boa parte dos acidentes na aviação.'' Há casos até em que o piloto é ameaçado. ''Certa vez, em Curitiba, um piloto não quis decolar por conta da chuva. Um deputado apontou a arma para o comandante e o ameaçou. E o jatinho decolou'', contou Corrêa.

Segundo o DAC, a frota nacional de helicópteros cresceu de 628 helicópteros em 1997 para 822 em 2000. O que significa um aumento de 30% da frota. Cerca de 50% estão operando na Grande São Paulo. Em 2000, foram registrados 12 acidentes, com 13 mortos.

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Quinta, 02

DAC nega ter omitido falhas do vôo de Diniz a Maresias

O Departamento de Aviação Civil (DAC) negou hoje, em nota oficial, que tenha ocultado irregularidades referentes ao vôo do helicótero do grupo Pão de Açucar, que caiu na costa de Maresias, litoral norte de São Paulo, na última sexta-feira à noite. O comunicado foi emitido em resposta a acusações feitas pelo Jornal do Brasil, que nas edições de ontem e hoje afirmou que a aeronave não teria permissão para voar até Maresias. O DAC, no entanto, apesar de negar a omissão de falhas, não rebateu diretamente as acusações.

O helicóptero, segundo o jornal, estaria autorizado apenas a voar do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, até a avenida Paulista, na região central da cidade. O DAC apenas afirma que prefere não divulgar qualquer informação sobre o caso antes de a investigação estar concluída.

Confira a íntegra da nota:
Sobre as investigações do acidente com o helicóptero do empresário João Paulo Diniz. Em referência ao que foi noticiado hoje (02 de agosto), no Rio de Janeiro, num dos principais formadores de opinião deste país, o Departamento de Aviação Civil tem a esclarecer que:

Não oculta e nem nunca ocultou qualquer informação que seja do interesse da opinião pública. O DAC se posiciona sempre de forma cuidadosa e responsável na condução das investigações dos acidentes aeronáuticos, principalmente por seguir fielmente o que preconiza as diretrizes internacionais (anexo 13 da Convenção Internacional de Aviação Civil – "Investigação de Acidentes e Incidentes Aeronáuticos").

Os dados de uma investigação são preservados com o intuito único de se atingir o máximo de precisão possível na análise dos fatos, tendo em vista exclusivamente a prevenção de novos acidentes e a segurança de vôo.

Não cabe a este Departamento admitir perigosas especulações sobre as possíveis causas, sobre culpabilidades ou ainda tirar ilações sobre procedimentos que possam prejudicar quem quer que seja. Vale lembrar que as conseqüências de um julgamento realizado sem bases técnicas afetam moralmente e acima de tudo emocionalmente os envolvidos num acidente.

Para finalizar, após concluída a investigação, o DAC estará pronto para divulgar, por meio do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), o Relatório Final do acidente, bem como encaminhá-lo às autoridades judiciais que o requisitarem. Assessoria de Comunicação Social do DAC

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Quinta, 02

Para meteorologia, ciclone poderia ocorrer onde helicóptero caiu

A presença da frente fria, com ventos e mar agitado, com ondas altas, era a previsão da meteorologia para o litoral norte de SP onde ocorreu a queda do helicóptero do Grupo Pão de Açúcar, na última sexta-feira, dia 27.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou  que dois dias antes do acidente já havia a previsão da passagem de uma frente fria no Estado, acompanhado do "ciclone extra-tropical".
O Inpe não fornece boletins para os aeroportos, mas informou que "qualquer meteorologista teria acesso à informação" sobre a ocorrência de um "sistema de baixa pressão" , outra denominação para ciclone extra-tropical.
"Qualquer um poderia ter acesso às imagens e às previsões do tempo do Cptec/Inpe", segundo a meteorologista Glaucia Meira Carneiro, do Inpe. Antes de qualquer vôo os pilotos são obrigados a verificar as condições de tempo do destino. O DAC (departamento de Aviação Civil) confirma essa informação.
Segundo o Inpe, o ciclone extra-tropical é muito diferente do ciclone tropical, ou furacão. O extra-tropical é uma região onde a pressão atmosférica é mais baixa e ventos convergem, fazendo massas de ar quente e frio se encontrarem e formarem as frentes. A chegada de uma frente fria é marcada por queda de pressão atmosférica, ventos moderados vindos de Sul, com rajadas, geralmente muita nebulosidade e queda de temperatura. O ciclone acompanha a frente.
Ainda segundo o Instituto, é pela pressão atmosférica que o piloto se guia para conhecer sua altitude, principalmente se não tiver visibilidade.
"Com certeza a Aeronáutica deve ter previsto isso porque tem acesso às imagens. Cada aeroporto tem um departamento de meteorologia", disse. A frente fria era prevista como "normal", mas os ventos, dois dias antes da queda do helicóptero, já eram classificados de "moderados". Ou seja, poderiam aumentar nos dias seguintes.
"Foi imprudência saber que tinha frente fria com ventos e seguir viagem", afirmou a meteorologista.

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Quinta, 02

Gol já tem 5,8 % do mercado
 
A novata Gol, que entrou no mercado de aviação em janeiro deste ano, chegou ao fim do primeiro semestre com metade do tamanho de mercado da Transbrasil, que começou a voar em 1956, ainda com o nome de Sadia Transportes Aéreos. Em junho, a companhia do empresário Nenê Constantino, ficou com 5,08% do tráfego doméstico. Já a Transbrasil, fundada por Omar Fontana, conseguiu 10,4%.
Os movimentos parecem opostos. Enquanto a Gol receberá o oitavo Boeing 737-700 na semana que vem e o nono no mês seguinte, a Transbrasil, que em maio operava 14 aviões, voa hoje com 9 jatos. Acredita-se que a jovem empresa poderá reduzir ainda mais a distância que a separa da Transbrasil nos próximos meses. Terá, contudo, de vencer o desafio de voar, agora, em época sem férias ou feriados prolongados.
"Acho que o período entre agosto e novembro será decisivo para um julgamento final", diz o consultor Paulo Bittencourt Sampaio, um dos responsáveis pelos estudos para a criação do transporte aéreo regional no País. A análise é de que, até agora, a Gol, que tem buscado cobrar 35% a menos que as concorrentes, brilhou intensamente em períodos marcados por tempo livre para viagens de turismo.
No mês passado, a companhia bateu novo recorde de movimento: transportou mais de 200 mil passageiros, com pelo menos 70% dos assentos dos jatos ocupados. Até dezembro, contudo, o quadro será diferente.
Mas a perspectiva não preocupa tanto os acionistas da Gol. "Nossas pesquisas mostram 98% de satisfação dos clientes e nossa percepção é de que o fluxo de passageiros vai gerar mais tráfego nos próximos meses", disse Constantino de Oliveira Júnior, presidente da empresa e filho de Nenê Constantino.
Tanto que Oliveira Júnior admite que, neste momento, a empresa faz estudos sobre a viabilidade de expandir sua frota a partir de outubro, quando chegará o décimo jato 737-700. Outra perspectiva são acordos operacionais com companhias internacionais, para distribuir passageiros de empresas estrangeiras a diferentes destinos do País, Os líderes das companhias aéreas preferem dizer que não montam suas estratégias de olho no tamanho de mercado da concorrente. Mas o presidente da Transbrasil, Flávio Carvalho, prefere dizer que a empresa que comanda tem o dobro do tamanho da Gol. "Voamos com apenas um avião a mais que a Gol, é verdade, mas temos 10% da oferta de assentos do mercado", pondera Carvalho.
O fato é que a Transbrasil já teve, recentemente, pelo menos 14% de participação de mercado e viu sua fatia encolher 40% até o naco atual, com a estratégia de cortar os vôos menos rentáveis e apostar em trajetos de maior retorno de capital,explica o executivo. "Estamos vivenciando a economia do País em situação séria, mas não queremos culpar a situação. É claro que o quadro não é bom, não temos o que esconder", diz Carvalho. A empresa carrega dívidas da ordem de R$ 800 milhões, parte renegociadas. Chegou a ter a falência requerida por um fornecedor de aviões, pedido que terminou negado pela Justiça.
Considerando os jatos hoje em manutenção, a frota total da companhia chega a 13. Segundo Carvalho, não há projetos megalômanos, mas o objetivo é retomar o espaço perdido e manter sua fatia de mercado.
Uma novidade: a partir de hoje, os jatos da controlada Interbrasil começarão a voar com as mesmas cores e padrões visuais da Transbrasil. Plano similiar já havia sido adotado no passado pelas empresas do Grupo Varig. Apesar disso, Carvalho diz que a controlada continuará como empresa independente. O ranking das empresas aéreas brasileiras em junho se completa com Varig dona de 28,63% do mercado, TAM 28,21%, Vasp 14,38%, Rio-Sul 8,72% e as demais com o restante.

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Quarta, 01

Aeronáutica abre concorrência para compra de caças

 A Aeronáutica abre hoje uma concorrência para a aquisição de caças que vão substituir os 20 F-103, os Mirages. Parte da frota completa 30 anos em 2002, quando termina sua vida útil. A substituição desses aviões faz parte do Plano de Fortalecimento do Controle do Espaço Aéreo Brasileiro. A Aeronáutica vai contar com US$ 700 milhões para trocar os Mirages até 2005.

— Achamos que a FAB merece ter um núcleo de excelência em termos de aviação de combate — afirmou o comandante da Aeronáutica, Carlos Almeida Baptista, na apresentação do Projeto F-X BR, há duas semanas.
Oito empresas estão pré-selecionadas para disputar a licitação. Dos nove fabricantes que haviam manifestado interesse, a alemã EADS saiu da disputa. Hoje, em Brasília, os concorrentes vão adquirir a carta com as exigências técnicas.

— Vamos comprar o melhor, o mais barato e o que atenda às necessidades da Força Aérea — disse Baptista.

Não há previsão do número de jatos a serem adquiridos, já que o governo federal cortou 10% da verba de US$ 3,5 bilhões destinada ao programa.
Os oito concorrentes são a Alenia Aerospazio (Mako AT-60; as americanas Boeing (F-18E/F) e Lockheed Martin (F-16); as russas Rac-Mig (Mig 29) e Rosoboronexport (Sukoi 27); a sueca Saab Ab (Gripen); a francesa Dassault (Rafale) e a Embraer (Dassault Mirage 2000 5-E). A A Dassault detém hoje 20% da Embraer.

A frota brasileira contava, até mês passado, com 20 aviões Mirage, todos na Base Aérea de Anápolis, em Goiás. No mês passado, uma dessas aeronaves caiu, mas o piloto conseguiu ejetar sua cadeira e se salvou. Segundo o comandante da Aeronáutica, dos 19 restantes apenas 14 estão em condições operacionais de vôo. As peças dos outros cinco estão servindo de reposição para os demais.

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Quarta, 01 

DAC investiga falha humana na queda do helicóptero

O Departamento de Aviação Civil (DAC) trabalha com a hipótese de que uma falha humana pode ter ocasionado a queda do helicóptero Augusta 109E, do Grupo Pão de Açucar, sexta-feira à noite em Maresias, no litoral paulista. Essa hipótese começou a ganhar força nas investigações depois do co-piloto Luís Roberto Araújo Cintra ter afirmado, segunda-feira, em depoimento à uma comissão de oficiais do DAC que a aeronave já estava em posição de pouso no momento da queda.

Segundo um oficial que participa das investigações, o comandante Ronaldo Jorge Pinheiro, devido às condições climáticas, devia estar voando abaixo do limite de altura recomendado pelo DAC para aterrissagens na região.

''Como a aeronave possuía dois motores, mesmo que um quebrasse, o comandante teria condições de pousar com outro''. Teremos essa certeza depois de que as ferragens foram encontradas, pois saberemos, com certeza, a altura que o helicóptero se encontrava no momento da queda'', disse o mesmo oficial.

O oficial disse ainda que o erro pode ter sido provocado pelo fato de o comandante ter restringido o seu plano de vôo somente do Aeroporto de Marte para o Heliporto do Pão de Açucar, na região dos Jardins Paulista. De lá seguiu para Maresias.

Membro da Comissão de Investigação, o major Wagner Cirilo, informou que pelo menos essa dúvida deverá ser esclarecida amanhã quando o DAC espera ter acesso ao plano de vôo. Cirilo explica que, caso tenha feito uma uma escala no Heliporto Pão de Açucar, o comandante deveria obrigatoriamente de ter elaborado um novo plano de vôo até Maresias. ''Esse plano pode ser feito na hora, pelo rádio em conversa do piloto com o operador. Por isso, vamos chegar todas as conversas do piloto durante o vôo, o que nos permitirá esclarecer de vez esse assunto'', afirmou o major Wagner Cirilo Jr. Cirilo esclareceu que o Heliporto de Maresias, onde a aeronave deveria aterrissara, está homologado para funcionar à noite.

Piloto de helicóptero há 26 anos, o presidente da Associação de Pilotos de Helicópteros de São Paulo (Aphesp), Moacyr Honório, disse que, às vezes, os pilotos de São Paulo são obrigados a mudar o seu plano de vôo durante o percurso para atender às agendas dos empresários. Honório explicou que, embora a aeronave e toda tripulação fossem homologados para voar por instrumento, a região onde ocorreu a queda da aeronave não permite o uso dessa tecnologia. Honório explica que o fato de a região litorânea não possuir nem mesmo uma rota definida, homologada pela DAC, acaba levando os pilotos a utilizar somente o procedimento manual nas decolagens e aterrissagens.

''O que predomina na região são planos de vôos feitos através da comunicações entre os pilotos pelo rádio, que se informam sobre as condições climáticas'', afirmou Honório.

Dizendo conhecer profundamente o trabalho do piloto, considerado por ele ético e experiente, Honório acha difícil que ele tenha cometido erro. Segundo Honório, o comandante Ribeiro tem se empenhado na Aphesp no trabalho de prevenção de acidentes.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto,  a capital paulista, com 400 aeronaves, possui a segunda maior frota de helicópteros do mundo, perdendo para Nova Iorque.