| AGOSTO/2001
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Quarta, 29
Transbrasil demitirá quase mil
funcionários.
A Transbrasil anunciou ontem um plano de reestruturação para voltar
a operar no azul e garantir a sobrevivência da empresa. Para reduzir
custos, a folha de pagamentos será reduzida, dentro de 90 dias, de
2.888 para 1.899 funcionários - o equivalente a cerca de 30% do quadro.
Além disso, a empresa solicitou ao Departamento de Aviação Civil
(DAC) a transferência de todos os vôos do Aeroporto Internacional de
Guarulhos para o de Congonhas, em São Paulo.
- Com estas medidas, a empresa espera aumentar em 75% as receitas e
transformar o prejuízo líquido de R$ 11 milhões, registrado em
agosto, em lucro de R$ 7,4 milhões, em cerca de quatro meses.
"Vamos mostrar ao mercado que temos capacidade de reunir
recursos e pagar nossas dívidas", afirmou o presidente da
Transbrasil, Antônio Celso Cipriani.
- A companhia acumula hoje débitos na casa de US$ 400 milhões e
vem enfrentando sucessivos problemas com credores. Em julho, a
Transbrasil conseguiu evitar um pedido de falência feito pela GE
Capital e, na semana passada, recuperou um Boeing que havia sido
arrestado em Miami pela empresa de leasing Pegasus. Além disso, o
Sindicato dos Aeroviários acusa a empresa de não efetuar em dia os
pagamentos dos funcionários.
- Segundo Cipriani, a empresa aguarda apenas as autorizações do
DAC e da Infraero, que podem sair em poucos dias, para iniciar as
operações no aeroporto de Congonhas. "Já realizamos estudos
e temos certeza de que não há impedimentos para que voltemos para
o aeroporto, mesmo porque ainda possuímos os slots (vagas para os
aviões) necessários", diz.
Ainda em setembro, a companhia deverá também retomar os vôos
para Miami, que passarão a decolar do Aeroporto de Brasília.
- De acordo com o vice-presidente da companhia, Flávio Carvalho, a
transferência dos vôos para Congonhas vai permitir um aumento de
51% no yield dos vôos - que é a medida usada em aviação para
expressar a receita por passageiro transportado a cada quilômetro.
- "O passageiro de Congonhas geralmente é o executivo que não
se importa em pagar a tarifa cheia se precisa viajar em determinado
horário. O custo necessário para levar os passageiros até
Guarulhos tem se mostrado muito alto", explica Carvalho.
Cipriani disse que espera obter R$ 60 milhões com a venda de três
Boeings 767 próprios para uma empresa de leasing, que os alugaria
de volta para a companhia - artifício conhecido como sale leaseback.
A quantia poderia ser empregada, de acordo com ele, no leasing de
outros dez aviões.
- Mas, para executar a operação, a Transbrasil precisa obter uma
Certidão Negativa de Débito (CDN), que dificilmente o governo
fornecerá antes que se chegue a um acordo quanto às dívidas da
empresa com o INSS. O órgão alega que o débito é de R$ 320 milhões,
mas a empresa só reconhece que deve R$ 170 milhões.
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Quarta, 29
Rompimento de hélice pode ter matado Rolim.
Técnicos
do Centro Nacional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos
(Cenipa) e do Centro Tecnológico Aeronáutico (CTA) investigam desde
ontem a hipótese de que uma fadiga de material tenha provocado a queda
do helicóptero Robinson R-44, prefixo ZP-HRM, que matou o ex-presidente
da TAM, comandante Rolim Adolfo Amaro dos Santos, 59 anos, e a gerente
da empresa, Patrícia dos Santos da Silva, 31. A aeronave caiu às 9h30
do dia 8 de julho no município de Pedro Juan Caballero, no Paraguai,
minutos após de ter decolado da fazenda de Rolim em Ponta Porã (MS).
Segundo
o chefe do Cenipa, coronel-aviador Antônio Junqueira, essa hipótese
começou a ser investigada depois que agricultores paraguaios
encontraram um pedaço do rotor (hélice) do helicóptero a quase 200
metros do local da queda. Os técnicos acreditam que o rotor, devido a
uma fadiga de material, pode ter quebrado quando o helicóptero ainda
estava no ar.
Especialista
-
Junqueira esclareceu que a descoberta do pedaço do rotor levou o Cenipa
a convidar um membro do National Transportation Safety Board (NTSB), órgão
dos Estados Unidos que investiga os acidentes aéreos, a integrar a
comissão que apura as causas de acidentes. Ele explicou que o
americano, que desembarcou ontem em São Paulo, é um dos maiores
especialistas do mundo no helicóptero Robinson, fabricado nos EUA.
''Se
o rotor rompeu mesmo no ar, não há nada que conseguisse segurar o avião.
Por isso, com a ajuda do maior especialista do mundo, vamos investigar a
fundo essa hipótese'', disse Junqueira.
O
coronel-aviador afirmou que os oficiais brasileiros estão colaborando
com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aéreos do
Paraguai (Cipaa), que comanda as investigações, em consideração à
contribuição do comandante Rolim à aviação civil. Segundo
Junqueira, o relatório final será divulgado no Paraguai pelo Cipaa.
Laudo
-
''Estamos fazendo as investigações a quatro mãos, mas caberá ao
Paraguai apresentar o laudo conclusivo'', disse Junqueira. Ele afirmou
que, se ficar comprovada a fadiga de material, o relatório conclusivo
será encaminhado a Robinson e a todos as empresas usuárias da aeronave
a fim de que possam providenciar mudanças na fabricação do rotor.
Ainda
de acordo com Junqueira, todas as outras hipóteses, entre elas a de
pane seca (falta de combustível), ainda não podem ser descartadas.
Segundo
o assessor de imprensa da TAM, Paulo Pompilo, a ruptura do rotor pode
provocar a queda da aeronave, o que, segundo ele, isentaria o comandante
Rolim de culpa do acidente.
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Terça, 28
Infraero
reduz tarifas em três aeroportos.
- A Infraero reduziu em 10% as tarifas de embarque, pouso e
permanência em três aeroportos do País. A medida beneficia
passageiros e companhias aéreas, e estará vigorando nos terminais
de Guarulhos, em São Paulo, Galeão, no Rio de Janeiro, e o
aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, a partir de 1.º de
outubro. O anúncio foi feito ontem pelo presidente da Infraero,
Fernando Perrone, e pelo brigadeiro Venâncio Grossi, chefe do
Departamento de Aviação Civil (DAC), durante entrevista coletiva
no Centro de Convenções da Bahia.
- O objetivo da redução de tarifas é diminuir o fluxo de
passageiros e aeronaves nos aeroportos de Congonhas, na capital
paulista, Santos Dumont, no Rio, e Pampulha, na capital mineira, uma
vez que o tráfego aeroportuário desses terminais já se encontra
próximo da sua capacidade máxima.
- "Com essa estratégia, a Infraero e o Departamento de Aviação
Civil esperam obter, praticamente sem custos, a solução a médio
prazo de um problema bastante complexo", diz o presidente da
empresa que administra 111 aeroportos espalhados pelo País. Perrone
explica que, no caso de Congonhas e Pampulha, a ampliação está
descartada, por causa da proximidade com os centros urbanos, e em
relação ao Santos Dumont a idéia de ampliação também não é
viável por enquanto.
- Fernando Perrone se antecipou às perguntas sobre a interdição
das obras do complexo aeroportuário de Salvador, determinada pelo
Tribunal de Contas da União, que realiza uma auditoria na
contabilidade da obra. Segundo ele, a empresa "não está
preocupada com os resultados dessas investigações, mas espera que
a discussão sobre o assunto seja despolitizada." "Quanto
mais cedo se encerrarem as disputas políticas, mais cedo as obras
terminarão", disse.
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Terça, 28
França adia decisão
sobre volta do Concorde
.
As autoridades francesas precisam de mais tempo para analisar as novas
informações apresentadas pelos fabricantes do Concorde antes de
permitir que o avião supersônico retome seus vôos comerciais, afirmou
um porta-voz na terça-feira. Esperava-se que a França e a Grã-Bretanha
aprovassem a volta da aeronave aos vôos comerciais no começo desta
semana, mais de um ano depois do acidente ocorrido perto de Paris com um
Concorde da Air France. Na queda, morreram 113 pessoas.
"Precisamos de informações
suplementares dos fabricantes, já que nem todos os cenários possíveis
foram analisados", disse Gerard Le Houx, porta-voz do departamento
de aviação civil da França (DGAC). "O relatório que recebemos
recentemente deles tem de ser analisado com mais profundidade",
afirmou Le Houx. A autoridade não quis revelar se a decisão sobre o
Concorde seria tomada na quarta-feira.
A aprovação permitiria que a Air France
e a British Airways retomassem seus vôos comerciais com o Concorde
depois de realizar alterações nas aeronaves para aumentar o grau de
segurança. As empresas aéreas perdem respectivamente cerca de US$ 4
milhões e US$ 9,5 milhões por mês com os aviões no chão. A British
Airways prevê que as modificações vão custar mais US$ 46,15 milhões
para a empresa. Entre as alterações exigidas estão envolver os
tanques de combustível com uma camada protetora de kevlar - material
usado nos coletes a prova de bala -, tornar os pneus mais resistentes e
modificar a fiação da carenagem inferior do Concorde.
O acidente de Paris foi causado pelo
estouro de um pneu durante a decolagem. Pedaços do pneu atingiram o
tanque de combustível e provocaram uma explosão, indicaram as
investigações. O Concorde é fabricado por um grupo de empresas britânicas
e francesas que passaram a se chamar European Aeronautic, Defence &
Space Co e BAE Systems Plc.
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Terça, 28
Transbrasil anuncia concentração
de operações em Congonhas
.
A Transbrasil vai concentrar
todas as suas operações no Aeroporto de Congonhas a partir de
setembro. O objetivo é retornar ao equilíbrio financeiro operacional e
ao mesmo tempo contornar as dificuldades que vem enfrentando desde julho
quando a norte-americana GE Capital entrou com o pedido de falência na
Justiça.
Com essa mudança, a Transbrasil transfere toda a sua operação que está
concentrada no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, para Congonhas. A
transferência garantirá à companhia a redução de custos, pois a
Transbrasil poderá ampliar o índice de aproveitamento de suas
aeronaves trazendo reflexos positivos para a receita da companhia.
Pelas previsões da companhia, o lucro operacional voltará a ser
atingido em dois meses a partir da mudança.
O pedido de transferência das operações já foi aprovado pelo DAC
(Departamento de Aviação Civil), mas depende de uma autorização da
Infraero para ser colocada em prática.
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Segunda, 27
Quem usar grandes aeroportos receberá
descontos.
A Infraero e o Departamento de Aviação Civil (DAC) reduzirão em cerca
de 10% as tarifas de pouso, permanência e embarque para empresas aéreas
e consumidores que utilizarem os aeroportos Internacional Tancredo Neves
(BH), Galeão Tom Jobim (RJ) e Guarulhos (SP) em detrimento de outros
menores, como Pampulha (BH), Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). A idéia
é incentivar o uso de aeroportos que ofereçam uma infraestrutura
melhor e a medida poderá ser estendida também para outras cidades em
determinados horários de pico.
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Segunda, 27
Os riscos da abertura da aviação civil.
O governo dará um passo arriscado se adotar a proposta do Conselho
Nacional de Aviação Civil (Conac), formado por representantes dos
Ministérios da Defesa, Fazenda, Desenvolvimento e Casa Civil, de
ampliar a participação acionária de empresas estrangeiras na indústria
nacional de transporte aéreo. O Código Brasileiro de Aeronáutica
limita a 20% a participação do capital estrangeiro nas empresas de
aviação civil. A sugestão do Conac é permitir que estrangeiros
detenham o controle acionário das empresas, que estão passando por
dramática crise financeira.
- O objetivo da liberação é atrair novos investimentos para o
setor, permitindo o seu saneamento. O limite de participação acionária
fixado pelo Código Brasileiro de Aeronáutica é tido como decisivo
empecilho à entrada de capitais estrangeiros no setor do transporte
aéreo. De fato, até hoje nenhum investidor estrangeiro se
interessou em tornar-se sócio das transportadoras brasileiras.
Alguns acordos operacionais entre empresas brasileiras e
estrangeiras chegaram a prever uma associação acionária, nunca
realizada.
- Os defensores da abertura desse mercado argumentam que as grandes
empresas aéreas, principalmente as norte-americanas, rejeitam a idéia
de se tornarem acionistas minoritárias. Ingressos de capital,
portanto, somente se realizariam se a elas fosse permitido deter o
comando das empresas domésticas.
- A proposta do Conac, de fato, removeria esse obstáculo. A questão
é saber se essa solução não criaria problemas adicionais,
mergulhando a indústria nacional do transporte aéreo numa crise
ainda mais profunda que a atual.
- Na Argentina, a venda da Aerolíneas pode ser definida como uma
carnificina.
- Os compradores - entre eles o controlador da Ibéria -
desmembraram a empresa, venderam as partes que tinham liquidez e
relegaram a último plano a atividade-fim da companhia. Hoje, a
Aerolíneas é dona de um único avião e suas rotas estão sendo
preenchidas, quando o são, por outras empresas, brasileiras,
inclusive. Esse tipo de empreendimento predatório deve ser previsto
e evitado, se o governo pretende abrir as transportadoras
brasileiras ao capital majoritário estrangeiro.
- Pela proposta do Conac, uma empresa estrangeira não precisaria
adquirir o controle de uma empresa brasileira para atuar nas linhas
domésticas. Teria apenas de abrir filiais ou subsidiárias no
Brasil e utilizar equipamentos e instalações próprios registrados
no País. Com esse subterfúgio, não se caracterizaria formalmente
a adesão do Brasil à política de "céus abertos", pela
qual as companhias internacionais podem operar livremente nas rotas
domésticas, sem acordos de reciprocidade. Mas, na essência e na prática,
o País estaria sujeito aos efeitos perniciosos da política de
"céus abertos".
- O Brasil é, e continuará sendo por muito tempo, um mercado
pequeno para as grandes empresas aéreas internacionais - no Brasil
transporta-se, em um ano, o número de passageiros que as companhias
americanas deslocam apenas nos feriados da Ação de Graças. Isso
significa que, numa primeira etapa, as empresas estrangeiras aqui
sediadas poderão, sem maiores conseqüências para os lucros
corporativos, fazer uma guerra de tarifas que inviabilizaria as
empresas de capital nacional e, eventualmente, numa mudança de
estratégia decidida no Exterior, encerrar suas atividades no
Brasil.
- O transporte aéreo, num país com as dimensões do Brasil, não
é apenas um negócio, é uma atividade estratégica. Por isso, se o
governo adotar a sugestão do Conac, terá de tomar todas as precauções
para que as hipóteses aqui levantadas não se realizem.
- A injeção de capital estrangeiro nas combalidas empresas
nacionais pode ser uma solução para a crise, desde que precedida
de grandes cuidados. Mas, antes, cabe ao governo adotar algumas
medidas para aliviar as pressões do setor. O governo já decidiu,
acertadamente, que não repassará dinheiro público para as
empresas. O governo, porém, tem sua parcela de responsabilidade
pelas causas estruturais da crise da aviação comercial. Não
bastasse a maior parte dos equipamentos e insumos aeronáuticos ser
paga em dólares, para uma receita composta majoritariamente em
reais, a carga de impostos que incide sobre a atividade é brutal e
desproporcional à que recai sobre empresas do mesmo setor, em
outros países, em muitos dos quais elas são generosamente
subsidiadas. Por exemplo, em 1989 foi criado o Adicional de Tarifa
Aeroportuária, que acresce em 50% as tarifas aeroportuária e de
utilização dos auxílios à navegação e telecomunicações. A
contribuição, que deveria ser temporária, onera as empresas há
12 anos e o governo não cogita de sua extinção. É por aí que o
governo deveria começar.
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Domingo, 26
Rússia volta a fabricar avião
de combate de Segunda Guerra
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Um lendário avião de combate soviético da Segunda Guerra voltou a ser
fabricado graças a encomendas de admiradores milionários e museus dos
Estados Unidos e da Europa. Nikolai Menshikov, diretor de marketing da
Orenburg, uma empresa aeronáutica do sul da Rússia, disse que centenas
de pessoas vêm trabalhando em tempo integral na produção de réplicas
do Yak-9, o principal avião usado por Moscou para enfrentar a poderosa
aviação da Alemanha nazista.
"Estamos construindo agora o Yak-9
exclusivamente para clientes estrangeiros, principalmente dos EUA e do
Reino Unido, o que está empregando 600 trabalhadores", afirmou
Menshikov. Segundo ele, a fábrica havia preservado uma linha de
montagem original do Yak após a guerra para produzir ocasionalmente aviões.
Depois, entretanto, o local foi transformado numa fábrica de helicópteros.
"Já entregamos cerca de 20 encomendas, temos outras 12 em
andamento e outras virão", disse Menshikov.
A Luftwaffe (força aérea nazista) pegou
a aviação soviética de surpresa quando Hitler declarou guerra contra
Stalin, em 1941. Dezenas de aviões foram destruídos no ar e também no
solo. O Yak-9, desenhado por Alexander Yakovlev, foi entregue aos
pilotos soviéticos em outubro de 1942. O modelo entrou em combate pela
primeira vez na batalha de Stalingrado. Mais de 16 mil monomotores Yak-9
foram construídos até a sua produção ser suspensa em 1947.
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Domingo, 26
Governo mineiro quer novo aeroporto.
O governo de Minas sustenta que o Aeroporto Regional da Zona da Mata
é um empreendimento fundamental para o desenvolvimento da região. O
governador Itamar Franco (PMDB) prefere não responder a nada que diga
respeito ao aeroporto. Para tanto, encarregou seu secretário de
Transportes e Obras Públicas, Marco Antonio Marques de Oliveira, de
cuidar de tudo sobre a obra.
- O secretário diz que o novo aeroporto vai produzir forte impacto
econômico na região, porque beneficiará cerca de 1 milhão de
pessoas de 142 municípios. "A região é estategicamente
privilegiada, bem localizada, próxima de São Paulo, Rio e Belo
Horizonte, que são importantes centros consumidores do País",
diz Marco Antonio.
- Quem segue pela MG-353, de Juiz de Fora para Rio Novo, encontra
uma placa, 43 quilômetros à frente, distante de qualquer canteiro
de obra, com os dizeres: "Aeroporto Regional da Zona da Mata.
Secretaria de Transportes e Obras Públicas. Aqui se inicia o
aeroporto regional, progresso e vitória para a Zona da Mata."
- Próximo dessa placa será construída uma variante da MG-353,
pois a pista, menos tortuosa ali, será ocupada pelo aeroporto. O
secretário de Transportes diz que haverá ainda uma outra rodovia,
que ligará o aeroporto à BR-040 (Rio-Juiz de Fora) e à rede
ferroviária. Entre os inúmeros benefícios - diz o secretário -,
está o de o novo aeroporto servir de alternativa a outros, como os
de Confins e da Pampulha, em Belo Horizonte, o do Galeão, no Rio, e
o da própria cidade de Juiz de Fora. Quanto ao processo de
desapropriação da área onde será construído o aeroporto, o
secretário não quis entrar em detalhes. Afirmou apenas que está
dentro do que foi programado e em conformidade com a legislação.
- De acordo com informação da Infraero, não é necessária licença
da autarquia para o governo de Minas construir o aeroporto. Dos
cerca de 2 mil que existem hoje no País, apenas 65 são
administrados pela Infraero. Há casos até de aeroportos
particulares, como o de Porto Seguro, na Bahia, e o de Búzios, no
Rio de Janeiro. Em São Paulo, vários estão sob responsabilidade
do Departamento de Aviação do Estado (Daesp). Todos, entretanto, têm
de ser homologados pelo Departamento de Aviação Civil (DAC).
(J.D.)
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Sábado, 25
Transbrasil deve sair
de Cumbica e voltar a operar em Congonhas
.
A Transbrasil prepara uma mudança radical de rota: a empresa não quer
mais usar os aeroportos de Cumbica, em Guarulhos, e do Galeão, no Rio
de Janeiro.
A nova estratégia prevê a concentração dos vôos em aeroportos
centrais, como o de Congonhas, em São Paulo, e o Santos Dumont, no Rio
de Janeiro.
Hoje, os aviões da Transbrasil não pousam em Congonhas e Santos
Dumont. Mas a empresa afirma que tem direito a "slots"
_reservas de espaço nos dois aeroportos.
A razão da mudança é de ordem econômica: usar os aeroportos centrais
é o negócio mais rentável da aviação brasileira.
Nos aeroportos centrais, pode-se cobrar mais pelos bilhetes e, ainda
assim, garantir maior ocupação dos aviões do que em aeroportos mais
distantes.
A Transbrasil teria uma economia de 40% com a concentração dos vôos
nos aeroportos centrais.
A companhia pediu autorização do governo e aguarda apenas a confirmação
de Brasília para deixar os aeroportos de Guarulhos e do Galeão.
Procurada pela reportagem, a empresa não confirma a tentativa de mudança.
Segundo a Folha apurou, a tendência do governo é dar o sinal
verde para a Transbrasil e também dar mais vantagens para a Gol, a
empresa que seria mais afetada pela mudança porque também concentra
suas atividades em aeroportos centrais.
A Gol ganharia mais horários em Congonhas e seria autorizada a usar os
aeroportos de Cumbica e Santos Dumont, duas reivindicações já feitas
pela empresa.
Essa solução já circula nas cabines de comando das companhias aéreas
e desagrada à TAM e à Varig. As duas também pediam mais espaço nos
aeroportos de Congonhas e Santos Dumont e pretendem reagir contra as
concessões à Transbrasil e à Gol.
Hoje, a Transbrasil tem nove aviões em condições de vôo. São oito
aviões 767-200 que funcionariam nos aeroportos centrais.
A empresa tem também um avião 767-300, para grandes distâncias. Esse
avião, que estava retido pela Justiça americana em Miami, foi restituído
à Transbrasil e deverá ser aproveitado em rotas para Buenos Aires ou
Manaus, podendo ser a única aeronave da empresa a usar os aeroportos de
Guarulhos ou de Galeão.
Outra mudança em estudo prevê o uso do aeroporto de Brasília como um
dos principais centros da Transbrasil. Um número maior de vôos sairia
de lá, aproveitando a localização geográfica e o fato de a maior
oficina de manutenção estar em Brasília.
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Sábado, 25
Governo quer abrir aviação
comercial a estrangeiros
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Com o fim da resistência
dos militares, o governo concluiu na última quarta-feira que a abertura
do mercado de aviação civil para as empresas estrangeiras não fere a
soberania nacional. O consenso abre espaço para que a medida seja
adotada como uma tentativa para reestruturar o setor.
As discussões sobre como reestruturar o setor foram retomadas na
quarta-feira, durante reunião do Conselho Nacional de Aviação Civil
(Conac).
Ontem, houve nova reunião com os representantes das empresas, na qual o
governo deixou claro que não pretende colocar recursos públicos para
sanear as empresas aéreas.
Na reunião de quarta-feira, os militares informaram que não resistem
mais à instalação de empresas aéreas estrangeiras na aviação
civil, segundo informou um dos participantes da reunião. Hoje, a
legislação limita a participação do capital externo a 20%.
Embora haja consenso sobre a medida, ainda não há uma decisão sobre
sua adoção. Isso vai depender das negociações que estão em
andamento com as empresas e de sua viabilidade política, já que teria
de ser feita por medida provisória a ser votada no Congresso.
Alguns integrantes do governo defendem que a decisão saia logo e que a
MP seja editada até o final de setembro. Avaliam que, se perder esse
prazo, o governo terá de enviar um projeto ao Congresso devido a mudanças
nas regras de edição das medidas provisórias.
Como o projeto de lei não entra em vigor imediatamente, o governo
avalia que o lobby das empresas aéreas, que não concordam com a
abertura total, poderia atrasar ou dificultar a aprovação da proposta.
Na reunião de ontem, os representantes do grupo especial criado para
discutir o setor reuniram-se com presidentes e vice-presidentes das
companhias aéreas, mas não confirmaram a informação de abertura do
mercado às empresas estrangeiras.
Na saída, os donos das companhias aéreas disseram que não se opõem
à entrada de multinacionais, desde que o controle acionário seja
mantido pelas companhias brasileiras.
Executivos da Varig, TAM, Gol, Transbrasil e Vasp apresentaram seus
pedidos ao governo. As empresas querem desoneração tributária. Mas o
governo afirma que não haverá dinheiro público no processo de
reestruturação.
Mesmo havendo consenso sobre a abertura do mercado às empresas
estrangeiras, o Departamento de Aviação Civil (DAC), comandado por
militares, divulgou nota ontem desmentindo que a abertura do setor ao
capital estrangeiro esteja em discussão. A nota atribuiu a informação
a fontes não-credenciadas.
"Este departamento repudia veementemente as equivocadas informações
propagadas por fontes cujo interesse único é desestabilizar o processo
de evolução e modernização do transporte aéreo do país", diz
a nota.
De acordo com o secretário-executivo do Conselho Nacional de Aviação
Civil, do Ministério da Defesa, José Augusto Varanda, há uma proposta
pronta de alteração da participação do capital estrangeiro de 20%
para 25%, que só deverá ser enviada ao Congresso no fim do ano.
O presidente da Transbrasil, Antônio Celso Cipriani, fez dois
ambiciosos pedidos ao governo durante a reunião, conforme afirmaram
outros participantes do encontro. A empresa tem dívidas de cerda de R$
800 milhões.
A Transbrasil quer que o Ministério da Defesa apresse os Estados a
devolver os créditos que a empresa tem de ICMS pagos a mais.
Outro pedido da companhia é para que a Infraero ceda os espaços
reservados à Transbrasil nos aeroportos (os hangares) para que a
companhia os incorpore ao patrimônio líquido, contou uma fonte de
outra empresa aérea.
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Sexta, 24
Transbrasil recupera Boeing
767 arrestado pela Justiça dos EUA
.
A Transbrasil recuperou ontem um Boeing 767-300 que havia sido retido
pela Justiça americana em Miami. Ainda ontem, uma tripulação da
Transbrasil viajou para a cidade da Flórida para buscar o avião, que
havia sido arrestado em 9 de agosto.
O avião pertence à empresa de leasing Pegasus e fazia a rota da
Transbrasil entre São Paulo e Miami. Como o pagamento do aluguel da
aeronave estava atrasado, a Pegasus queria tomá-lo da Transbrasil e
manter o avião nos EUA.
Ontem, a Justiça americana deu ganho de causa à Transbrasil e liberou
o retorno da aeronave para o Brasil. Com a volta do 767-300, a
Transbrasil terá nove aviões para suas rotas. Outros três aviões estão
parados, em manutenção.
Com dívidas de R$ 800 milhões, a empresa enfrenta uma das mais graves
crises de sua história. Para fazer frente à crise, a Transbrasil
prepara um plano de reestruturação, que prevê a demissão de pessoal
e um novo planejamento para seus vôos.
A empresa também está renegociando dívidas com aproximadamente 200
credores. Nesta semana, a companhia aérea conseguiu garantir que dois
aviões permanecessem em sua frota, depois de renegociar contrato com a
empresa de leasing CIT.
A Transbrasil ofereceu para a CIT a troca do contrato de leasing por
outro de compra das aeronaves. Para pagar a entrada, equivalente a 10%
do valor dos aviões, a empresa vai usar recursos de um fundo de reserva
para manutenção das aeronaves.
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Sexta, 24
Infraero discute logística.
O aumento no transporte aéreo de
passageiros e, principalmente, de cargas reflete na necessidade
constante de aprimoramento e gerenciamento de logística por parte da
Infraero - Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária. Dentro
dessa perspectiva, foi realizado durante todo o dia de ontem, em
Curitiba, o II Fórum Infraero de Logística para o Desenvolvimento, que
reuniu diversos segmentos empresariais, setor de turismo, órgãos públicos
e universidades, que discutiram a importância estratégia dos
aeroportos para o economia do País. O movimento médio de passageiros
tem crescido por ano 4%, enquanto que o de cargas chega a ser até três
vezes maior, fato atribuído à presença de empresas estrangeiras no país,
relação com o Mercosul e globalização.
A Infraero é representada no Brasil por
uma malha aeroportuária composta de 65 aeroportos - que concentram 97%
do movimento do transporte aéreo regular do País - e 83 Estações de
Apoio à Navegação Aérea, que executam serviços de telecomunicações,
controle de tráfego aéreo, meteorologia e proteção ao vôo. Segundo
o presidente da Infraero, Fernando Perrone, a previsão é fechar o ano
com um faturamento da ordem de R$ 1,4 bilhão, sendo que no ano passado
foi de R$ 1,2 bilhão. "As empresas que são potenciais
transportadoras mostram que os aeroportos serão no século XXI elemento
estratégico para o desenvolvimento das regiões", destacou.
A Região Sul, que conta com nove
aeroportos com terminais de carga alfandegada, representa 10% da receita
e volume total negociado pela Infraero e é uma das regiões que mais
cresce. Mas segundo o superintendente do Aeroporto Internacional Afonso
Pena, João Roberto de Paula, este é considerado o quinto no resultado
da rede Infraero. Localizado em São José dos Pinhais, o aeroporto
respondeu, entre importação e exportação, por trinta mil toneladas
de mercadorias e por 2,5 milhões de passageiros - embarque e
desembarque. Enquanto o crescimento dos demais aeroportos do País está
entre 4% e 7% , o Afonso Pena tem crescido mais de 10%.
Para responder a necessidade das empresas
que utilizam a estrutura aeroportuária, a Infraero está voltada para a
logística, trabalhando principalmente os conceitos de velocidade, preço
competitivo e modernização das aduanas.
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Sexta, 24
DAC sugere força conjunta de companhias
aéreas.
O Departamento de Aviação Civil
(DAC) está sugerindo que as companhias aéreas nacionais atuem de forma
conjunta nas rotas internacionais como saída para ganharem poder de
fogo na competição com as empresas estrangeiras, que têm conquistado
cada vez mais tráfego nas rotas para o País. Para o mercado interno, a
concorrência entre as empresas permaneceria sendo estimulada. A idéia
foi apresentada hoje pela manhã aos deputados federais que integram a
comissão que analisa a criação da agência reguladora do setor (Anac)
e que estiveram na sede do órgão, no Rio.
Os deputados, liderados pelo presidente
da comissão, Nelson Marchezan (PSDB-RS), pediram informações sobre os
motivos que levaram o setor a chegar à crise atual. Também
demonstraram preocupação com a perda de participação das empresas
brasileira no transporte internacional. Exemplo típico é a rota entre
o Brasil e os Estados Unidos. No início dos 90, pouco mais da metade do
tráfego era feito pelas empresas nacionais. Agora, as companhias
americanas detém cerca de 65% do movimento na rota. “É preciso ter
uma estratégia para o transporte aéreo do País”, disse Marchezan,
citando a importância de fortalecer a presença brasileira no exterior.
Fonte ligada ao DAC informa que a idéia
seria estimular a união de forças nos vôos para o exterior, o que
poderia ocorrer conforme o país ou região geográfica, não
representando, necessariamente, a fusão de todos os serviços numa
empresa só. O assunto já chegou a ser informalmente tratado com as
companhias, conta outra fonte do setor, mas a política do departamento
não tem sido a de intevir nos assuntos internos e estratégicos de cada
empresa.
A preocupação é o impacto do avanço
das companhias estrangeiras sobre a balança de serviços do País. No
tráfego interno, o DAC, nos últimos anos, tem procurado incentivar a
criação de novas empresas e a competição do setor. Durante a
apresentação aos deputados, o órgão também defendeu o adicional
chamado Ataero, cujos fundos são repassados e revertem para
investimentos na infraestrutura aeroportuária do País. O adicional,
que representa 50% do valor das tarifas aeroportuárias, equivale a
cerca de 1% das tarifas vendidas no mercado doméstico, demonstraram os
técnicos do DAC. Já as despesas comerciais das companhias, incluindo
sistemas de reservas, propaganda, marketing, equivalem a quase 15% do
valor das tarifas.
Nesta sexta-feira, as empresas deverão
se reunir em Brasília com o governo federal, para um diagnóstico da
crise do setor aéreo. Os presidentes das companhia aéreas deverão ser
convocados pela comissão que analisa o projeto da agência reguladora,
para que exponham suas posições sobre a evolução da crise do setor.
Já nas próximas semanas o relatório da comissão sobre o projeto da
agência deverá estar concluído. Segundo Marchezan, a comissão
provavelmente deverá fazer referência, no documento, à situação das
companhias e ao enfraquecimento da presença da bandeira brasileira no
transporte aéreo internacional.
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Quinta, 23
Guerra das tarifas faz vôo mais longo
custar menos que um curto.
A guerra de tarifas entre as empresas aéreas já está fazendo com
que vôos em rotas mais distantes fiquem mais baratos para os usuários
do que para destinos mais curtos. É o caso da linha entre Congonhas
(SP) e Goiânia (GO), um percurso de 822 quilômetros, cuja tarifa
cobrada pela TAM é de R$ 504. Entre Congonhas e Brasília, trecho 51
quilômetros mais longo, a passagem cai para R$ 332, o que corresponde a
uma redução de 34,1%.
- A diferença ocorre porque seis empresas operam no trajeto entre
Congonhas e Brasília, entre elas a Gol, que tem a tarifa
promocional de R$ 332. Mas só duas companhias aéreas voam de
Congonhas para Brasília, com preços sem promoção. Para a capital
federal o fluxo de passageiros também é muito maior, o que
compensa eventuais perdas de margem de lucro. Os preços se referem
às tarifas mais baixas das empresas em cada rota.
- O Gol tem investido pesado para ganhar mercado. A empresa deverá
aumentar em 40% sua frota no ano que vem. A empresa novata - que já
detém 5,12% do mercado aéreo nacional planeja adquirir quatro
novos Boeing 737-700 em 2002.
- Até outubro, a frota atual somará dez jatos, com a chegada de
dois novos aviões, um no mês que vem e outro em outubro. Enquanto
isso, ela evolui. Em setembro, abrirá três novos destinos.
- A disputa é tamanha que os golpes estão sendo desferidos com
antecedência.
- Entre o fim de agosto e o início de setembro, a empresa iniciará
novos vôos entre Congonhas (SP) e as cidades Cuiabá (MT), Campo
Grande (MS) e Belém (PA). Mesmo antes de a novata empresa entrar na
rota, a Rio Sul - que tem 8,98% da demanda no país - atencipou-se e
pôs um vôo em horário próximo ao previsto pela empresa novata,
conta o diretor de Vendas da Gol, Mário Bento.
- "Isto tem sido uma tônica freqüente, faz parte do jogo da
concorrência", disse Bento.
- "Estamos fazendo tudo o que o mercado dita que tem de ser
feito. A idéia é sermos rápidos nas decisões nestes tempos de
competição acirrada", reconheceu George Ermakoff, presidente
da Rio Sul.
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Quinta, 23
Lufthansa tira turbina de avião da
Transbrasil.
A Transbrasil enfrentou ontem mais um
round na sua luta para convencer os credores de que a empresa não vai
falir. Desde que a General Electric entrou com pedido de falência
contra a companhia, em julho, a Transbrasil recebe ordens judiciais para
apreensão de bens com frequência.
Ontem, foi a vez de a Lufthansa cobrar a devolução de duas turbinas
alugadas. Obedecendo a ordem judicial, a empresa retirou um dos motores
do Boeing 737-300 prefixo TEG -mas manteve o outro enquanto negocia com
a Lufthansa. O avião ficou parado ontem, mas, segundo a Transbrasil,
será equipado com outra turbina, que estava em manutenção. "O
avião vai voltar a voar amanhã [hoje"", disse Flávio
Carvalho, vice-presidente da Transbrasil.
Segundo Carvalho, a Transbrasil conseguiu renegociar os contratos de
aluguel de dois aviões com a CIT, que cobrava a devolução dos
equipamentos porque os pagamentos estão atrasados.
Pelo acordo, a Transbrasil vai trocar o contrato de aluguel por outro de
compra. O dinheiro para o pagamento da entrada sairá de um fundo de
reservas para revisões. A Transbrasil terá que recompor o fundo.
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Quarta, 22
Aeronáutica lança programa
contra balões em 190 escolas.
Com o objetivo de eliminar ou reduzir o risco de colisão de balões
com aviões, principalmente nas proximidades dos aeroportos de São
Paulo e do Rio, a Aeronáutica lança amanhã, em 190 escolas públicas
e particulares da capital, campanha sobre os perigos que os balões
oferecem.
- Em julho, o Serviço Regional de Proteção ao Vôo de São Paulo
registrou 80 casos de aviões que avistaram balões próximos do
Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos - cinco deles
tiveram de desviar para não bater nos balões. Em dez anos,
pretende-se que a campanha atinja todas as escolas do País.
- O Concurso de Frases e Redações sobre o Perigo dos Balões é
aberto a alunos de 5.ª a 8.ª série. Os concorrentes devem redigir
um slogan e um texto de 10 a 25 linhas sobre o tema: "O perigo
que os balões de ar quente não tripulados representam para a
atividade aérea no Brasil". Os dois primeiros colocados ganharão
uma viagem de três dias para qualquer capital do Nordeste. Os prêmios
serão entregues em 23 de outubro, quando a Aeronáutica comemora o
Dia da Asa. Os estudantes viajarão acompanhados por seus
professores.
- "Nesta faixa etária a criança influi na formação de opinião
da família e dos amigos, além de assimilar conhecimentos",
destacou o major-aviador Gildo Serapião de Oliveira, oficial de
Segurança de Vôo do Controle do Espaço Aéreo de São Paulo.
"Os balões colocam em risco as aeronaves, a fauna, a flora e
até a segurança nacional, na medida em que podem provocar
desastres catastróficos."
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Quarta, 22
Governo marca para sexta nova
reunião para discutir crise aérea.
O
governo convocou para a próxima sexta uma reunião com as cinco
principais companhias aéreas (Varig, Vasp, Transbrasil, TAM e Gol) para
discutir medidas para enfrentar as dificuldades pelas quais passa o
setor. Em nota à imprensa, o ministério da Defesa voltou a descartar a
utilização de recursos públicos para socorrer as companhias aéreas.
De
acordo com a nota, a orientação do grupo de trabalho que se reuniu
hoje para discutir o assunto é a de estudar medidas com "foco no
mercado". Nas próximas reuniões, serão abordados temas gerais,
que atendem às necessidades da prestação dos serviços, evitando
tratar de situações específicas de determinada empresa.
As
propostas levantadas durante o encontro com os empresários serão
submetidas ao Conac (Conselho Nacional de Aviação Civil), mas não há
prazo determinado para que se chegue a uma solução. Participaram da
reunião de hoje o ministro interino do Desenvolvimento, Benjamin Sicsú,
o secretário-executivo da Casa Civil, Silvano Gianni, o secretário de
Acompanhamento Econômico do ministério da Fazenda, Cláudio Considera,
o Secretário de Organização institucional do ministério da Defesa,
José Augusto Varanda, o presidente da Infraero, Fernando Perrone e o
diretor do DAC (Departamento de Aviação Civil), brigadeiro Venâncio
Grossi.
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Quarta, 22
Governo quer acerto de contas das companhias
aéreas
-
O secretário de Organização
Institucional do Ministério da Defesa, José Augusto Varanda,
admitiu ontem que, para ajudar a melhorar a situação econômica
das companhias aéreas, vai ser estudado um encontro de contas entre
débitos e créditos tributários nas esferas federal, estadual e
municipal. Este será um dos temas da pauta de discussões da
primeira reunião com representantes dos ministério da Fazenda,
Desenvolvimento, Defesa, e da Casa Civil, hoje. O encontro também
tem como objetivo avaliar as causas que levaram as companhias a
amargar prejuízos, mesmo com o crescimento de 15% na demanda de
passageiros.
-
Já está decidido que não
serão utilizados recursos públicos para resolver o problema. “Não
estamos empenhados em fazer qualquer saneamento da companhias com
dinheiro público”, avisou.
-
A Transbrasil, que, além
do alto endividamento, enfrenta sérios problemas operacionais
(apenas oito aviões estão em atividade), argumenta que o encontro
de contas representaria o recebimento de um crédito de R$ 230 milhões
em recolhimento indevido de Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS). O Sindicato Nacional das Empresas Aéreas
(Snea) obteve vitória este ano em uma ação contra a cobrança do
tributo sobre a venda de passagens.
-
A decisão de acertar as
contas com o setor também pode trazer de volta à pauta as alegadas
perdas provocadas pelo congelamento das tarifas aéreas entre 1985 e
1990. A Transbrasil, primeira empresa pleitear na Justiça a reparação
de prejuízos, embolsou, em 1999, R$ 725 milhões – que não
impediram que a empresa voltasse a operar no vermelho. Processos
semelhantes movidos pelas outras companhias continuam em tramitação
e se tornaram uma bola de neve que, com valores atualizados pela
cotação atual da moeda americana (R$ 2,55 por US$ 1), pode beirar
os R$ 7,5 bilhões.
-
Outro integrante do grupo
de estudo do governo aposta na possibilidade de uma desoneração
parcial do setor. Ele admite a possibilidade de revisão, na forma
de incidência do Imposto de Renda sobre as operações de leasing
de aeronaves, e da cobrança do Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS), sobre combustível de aviação.
-
No entanto, esse processo
depende de legislação específica, que deve passar pelo Congresso
Nacional. Todas as propostas do grupo serão submetidas à aprovação
do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) antes de anunciadas.
-
A redução da carga
tributária é um pedido antigo das companhias aéreas, que devem
apresentar propostas ao governo nas próximas reuniões. De acordo
com dados do Snea, a incidência de impostos sobre a receita das
companhias no mercado doméstico chega a 34,8% – quase o dobro da
carga européia e três vezes mais do que nos Estados Unidos.
-
A incidência de
tributos, aliada à desvalorização do real, que aumentou os custos
das companhias por causa da manutenção e compra de aeronaves
cotadas em dólar, são os argumentos das empresas para grande parte
de seu prejuízo. A maior companhia brasileira, a Varig, registrou
prejuízo líquido de R$ 509,1 milhões no primeiro semestre deste
ano e atribui uma parcela de R$ 300 milhões ao impacto cambial.
-
Para o secretário de
Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio
Considera, que também integra o grupo de estudos, o maior esforço
é tornar as companhias aéreas cada vez mais independentes do
governo.
-
Com isso, seria possível
forçar uma melhor gestão das empresas e afastar a possibilidade de
elas transferirem para o governo a responsabilidade de eventuais
desequilíbrios econômicos e financeiros que venham a
registrar.
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Quarta, 22
Embraer
vende 10 aeronaves para a República Dominicana
A Embraer vai vender 10 aviões turbopropulsores de ataque leve para a
República Dominicana, primeiro acordo de exportação de seus aviões
Super Tucano. O valor da transação não foi divulgado.
O
contrato segue a venda de 76 Super Tucanos à Força Aérea Brasileira
(FAB), feita neste mês.
Os
aviões serão utilizados para treinamento, missões de patrulha de
fronteiras e operações de combate ao narcotráfico.
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Quarta, 22
Transbrasil só pode abastecer à vista
Cada vez que um avião da Transbrasil
precisa ser abastecido, um funcionário da companhia corre a um banco da
cidade onde está a aeronave e deposita um cheque na conta da Petrobrás
ou da Shell. Sem o pagamento à vista, nada feito.
O depósito dos cheques foi exigência da Petrobrás e da Shell para
continuar fornecendo querosene para os aviões da Transbrasil depois que
a empresa estourou seu limite de crédito.
Sem dinheiro em caixa, a Transbrasil enfrenta problemas para pagar do
lanche de bordo ao aluguel de seus aviões. Na sexta-feira, o comandante
de um avião parado em Fortaleza resolveu fazer um agrado para os
passageiros.
Como não havia lanche quente a bordo, ele enviou uma comissária para
uma lanchonete do Mc Donald's e encomendou 140 hambúrgueres. A conta,
de R$ 190, foi paga pela tripulação.
A Transbrasil está cortando os gastos que pode. Além disso, renegocia
condições de pagamento com 200 prestadores de serviço. Entre eles,
está a Infraero, a estatal que cuida dos aeroportos.
A Transbrasil deve R$ 70 milhões à estatal. Antes, a Infraero exigia
pagamento mensal da Transbrasil. Agora, é semanal. A Infraero também
está exigindo novas garantias da empresa.
Com dívidas de R$ 800 milhões e prejuízo no segundo trimestre
superior a R$ 30 milhões, a Transbrasil sofre uma onda de pressões de
credores. A situação piorou depois que a General Electric entrou com
pedido de falência contra a empresa, na virada do mês.
"Muitos fornecedores correram para tirar o máximo possível. Mas,
ao contrário do que imaginaram, a empresa não está falindo", diz
Pedro Mattos, diretor financeiro da Transbrasil.
Ontem, pilotos, co-pilotos e comissários de bordo reunidos numa assembléia
no Sindicato dos Aeronautas decidiram aceitar a proposta da Transbrasil
de tirar licença e cortar parte dos ganhos.
"Foi uma decisão dura, mas diante do quadro da empresa, eles
decidiram que era a única alternativa possível", disse Graziela
Baggio, presidente do sindicato.
Hoje, diretores da Transbrasil e de outras empresas aéreas -que também
passam por grave crise financeira- têm encontro com o governo em Brasília.
Vão tratar de medidas como redução de carga tributária para o setor.
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Terça, 21
Aluguel da Base de Alcântara.
Contrato tem cláusulas polêmicas
Brasil e Estados Unidos assinaram, em abril
de 2000, um acordo de salvaguardas que regulamenta o aluguel da base
espacial de Alcântara (MA) para o lançamento de foguetes e satélites
dos EUA.
O tratado tem cláusulas polêmicas. Uma das mais criticadas é a que
impede que o dinheiro pago pelos norte-americanos -US$ 5 milhões a cada
lançamento- seja investido no desenvolvimento tecnológico do programa
espacial brasileiro. O contrato também prevê que, no período dos lançamentos,
a base terá controle total dos norte-americanos. Brasileiros só poderão
entrar com crachás distribuídos pelos EUA. O acordo só entra em vigor
se for aprovado pelo Congresso.
Estudo feito pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência)
pede a rejeição do acordo. "Embora reconheça importância e méritos
na negociação, [a SBPC" sugere a não-aprovação do acordo em
sua forma atual, por entendê-lo desconforme e lesivo aos interesses
nacionais."
A base de Alcântara fica próxima da linha do Equador, o que dá mais
velocidade nos lançamentos e permite economia de combustível.
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Terça, 21
Segundo DAC, todo balão é
perigoso
Os riscos de acidentes com balões não se limitam aos prejuízos no
solo, a incêndios em matas e a explosões iguais à que matou oito
pessoas na Vila Carolina, zona norte da capital. Os balões de todos os
tipos também são um perigo constante para a aviação, inclusive
aquele movido a ar quente, no qual não é usado nenhum tipo de tocha,
cangalha ou fogos.
- Esse balão é feito de uma espécie de plástico fino, que pode
ser comprado a R$ 0,25 o metro em lojas, bazares ou papelarias -
material semelhante ao usado na fabricação de sacos de lixo. Na
região da Vila Carolina é comum ver esses balões, principalmente
nos fins de semana. Bazares e papelarias da zona norte, visitados
pelo Estado, negaram vender o plástico.
- O morador da Vila Carolina Reinaldo César de Almeida disse que são,
na maioria das vezes, garotos que fazem esses balões, de simples
confecção. Uma ponta do plástico é amarrada com linha. O plástico
é enrolado como se fosse uma grande charuto e inflado. Amarra-se,
então, a outra ponta e ele é exposto ao sol. O ar fica quente e,
conseqüentemente, o balão sobe.
- Para quem pensa que não há perigo, em razão da inexistência de
fogo, oficiais de segurança de vôo do Departamento de Aviação
Civil (DAC) alertam para o fato de que todo balão oferece risco à
aviação. Eles explicam que um balão pode entrar na turbina de um
avião, obstruir a passagem de ar dos motores e até causar
acidentes, por perda parcial ou total de potência.
- Segundo o DAC, não há registro de acidentes provocados por balões
desse tipo. Mas, em regiões de intenso tráfego aéreo, como nas
cidades do Rio e de São Paulo, está se tornando comum aviões
terem de desviar de balões.
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Terça, 21
Airbus deve vender aeronaves
A320 à China
A companhia de aviação Airbus está negociando a venda de mais de 30
aviões do tipo A320 para a China. O acordo deve ser firmado até o
final do ano, segundo edição, desta terça-feira, do jornal Wall
Street. O valor do negócio varia entre US$ 1,5 e US$ 2,7 milhões,
ainda de acordo com matéria publicada no jornal. Um porta-voz da
Airbus, foi abordado pela imprensa, mas preferiu não se pronunciar. Ele
apenas relembrou que há interesse da empresa pelo mercado chinês.
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Segunda, 20
Concorde
deve ser autorizado a voar de novo
A França e a Grã-Bretanha anunciaram hoje que os últimos problemas
com o Concorde devem ser resolvidos ainda este mês, fazendo com que o
único avião comercial supersônico volte a voar depois de mais de um
ano parado.
As
autoridades de aviação civil disseram que vão estabelecer normas à
British Airways e à Air France, únicas companhias que operam o
Concorde, para que possam fazer as modificações de segurança necessárias.
Elas
incluirão tanques de combustível e pneus mais resistentes, além de
melhor proteção no sistema elétrico. No ano passado, um pedaço de
pneu furou o tanque quando o avião decolava de Paris, transformando-o
numa bola de fogo que atingiu um hotel. Logo em seguida, os vôos com o
Concorde foram suspensos.
As
autoridades e companhias dos dois países estão avaliando os resultados
de testes com um avião da British Airways que já foi modificado e voou
a velocidades supersônicas. Um porta-voz da aviação civil britânica
disse que todos os Concordes poderão voltar a voar quando tiverem feito
as reformas.
As
mudanças são analisadas por um grupo de trabalho formado pelas
autoridades anglo-francesas, as duas empresas aéreas e o consórcio
europeu que fabricou e mantém os aviões.
No
mês passado, a British Airways anunciou que espera retomar os vôos
comerciais com o supersônico em setembro, enquanto a Air France planeja
fazer o Concorde voar em outubro.
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Domingo, 19
Governo deve adiar solução
para crise das companhias aéreas
Há anos discutindo a crise crônica das companhias aéreas, o governo
avalia que parte delas está em estado terminal irreversível e vai
apresentar uma proposta paliativa para o setor nesta semana. A intenção
não é salvar as empresas, apenas adiar a agonia e jogar o problema
para o futuro governo, que assume em 2003.
A proposta será discutida durante almoço no Ministério da Defesa na
próxima quarta-feira e levada às companhias até sexta-feira. Não
haverá recursos do BNDES nem perdão de dívidas, mas há a
possibilidade de ''desoneração'' do setor -com renúncia de Cofins,
por exemplo.
Participarão do almoço cinco secretários-executivos (os segundos nas
hierarquias dos ministérios) e os diretores da Infraero (a estatal que
cuida dos aeroportos) e do DAC (Departamento de Aviação Civil).
O único consenso entre eles é que as companhias estão virtualmente
quebradas, especialmente a Transbrasil, mas não deve haver um ''Proar''
(equivalente ao Proer, o programa do governo para driblar a crise dos
bancos). Seria como ''jogar dinheiro fora ou num saco sem fundo''.
Por isso, as próprias companhias não mantêm grande expectativa em
relação a propostas oficiais. Avaliam, inclusive, que reuniões como a
da quarta-feira, a menos de um ano e meio das eleições presidenciais,
servem apenas para tentar dizer à opinião pública que o governo não
se omitiu.
Em resumo, governo e companhias travam uma espécie de duelo. As
companhias dão sinal de estarem de braços cruzados, esperando que uma
ou duas delas quebrem para que o governo corra para tentar salvar as
demais.
Mas o governo não consegue definir o principal: se o país tem ou não
interesse estratégico em manter companhias aéreas nacionais. Se tem, a
União estaria disposta até a ceder subsídios?
O exemplo mais citado na Esplanada dos Ministérios é o da Transbrasil,
que em 1999 ganhou uma bolada na Justiça a título de indenização por
perdas durante planos econômicos passados, mas continua no vermelho.
A companhia recebeu em torno de R$ 725 milhões, embolsou R$ 25 milhões
e consumiu todos os R$ 700 milhões restantes para pagar dívidas com a
União. O acordo foi em dezembro de 1999. Um ano e meio depois, o buraco
já bate em cerca de R$ 800 milhões, segundo dados extra-oficiais.
A Transbrasil atrasa o salário dos funcionários desde fevereiro, acaba
de ter um avião arrestado nos EUA por inadimplência e, segundo o
governo, mantém apenas sete aviões voando. Já teve 15.
A Varig, detentora do maior número e das melhores linhas
internacionais, não está numa situação muito melhor, segundo diagnóstico
feito pelo governo, atualizado depois com as próprias consultorias das
empresas e engavetado pelo Planalto.
Além de gerenciamento difuso, a companhia não se ajustou à competição
interna nem à internacional. Praticou política de tarifa alta, tem um
modelo de participação que impede demissões, está endividada e já
vendeu os ativos que poderia vender.
Ao contrário da Varig, a Vasp empreendeu um forte programa de
reestruturação. Está sem rota internacional desde março do ano
passado e reduziu de 9.000 para 4.000 o número de funcionários.
Concentrou suas dívidas no setor público e tem frota própria. As dívidas,
porém, são altas. E os aviões estão tecnologicamente defasados.
Diante desse quadro, a TAM e a recém-lançada Gol advertiram o governo
que não seria justo um programa de favorecimento das companhias que ''não
fizeram a lição de casa''. Seria premiar a incompetência.
A TAM acaba de perder seu principal executivo, o comandante Rolim Amaro,
morto em acidente de helicóptero, mas tem boa imagem no mercado,
propaganda agressiva e aviões novos, graça a um ''leasing'' que abriu
as portas do Brasil para a Airbus. Além de ter concentrado sua base no
''filé'' da aviação doméstica, que é o aeroporto de Congonhas, em São
Paulo.
A Gol inovou o mercado com baixos custos, sistema próprio de serviço e
leasing de aviões novos e modernos, com baixas tarifas. O governo
acompanha a companhia como ''novidade'' e não arrisca palpite sobre o
futuro.
O diagnóstico está feito, só falta saber o que o governo tem a ver
com isso tudo. É o que os participantes do almoço de quarta-feira irão
discutir.
Serão eles os secretários-executivos Silvano Gianni (Casa Civil), José
Augusto Varanda (Defesa), Claudio Considera (Fazenda) e Benjamin Sicsu
(Desenvolvimento). Além deles, Fernando Perrone (Infraero) e o
major-brigadeiro Venâncio Grossi (DAC).
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Sexta, 17
Co-piloto de Diniz
presta depoimento hoje à polícia
Luiz Roberto de Araújo
Cintra, 35, co-piloto do helicóptero do grupo Pão de Açúcar que caiu
em Maresias, litoral norte de São Paulo, prestará depoimento hoje na 1ª
Delegacia Seccional, região central.
Cintra disse em entrevista na sede da empresa que o mau tempo não teria
sido responsável pela queda do helicóptero, aumentando ainda mais o
mistério em torno do acidente. No dia da queda, Maresias estava sob a ação
de um ciclone, com ondas de até dois metros de altura.
A Aeronáutica ainda não terminou as investigações. O primeiro laudo,
sobre o motor, descartou a existência de falhas nas duas turbinas que
sustentavam o helicóptero. Os técnicos do DAC (Departamento de Aviação
Civil) apuram falha humana e as condições do tempo na região como
sendo as prováveis causas do acidente.
O empresário João Paulo Diniz, 37, que, assim como Cintra, nadou até
a praia, prestou depoimento à polícia ontem. Ele disse que enxergava,
apesar da escuridão e do mau tempo, dois metros ao redor, enquanto
tentava nadar ao lado de sua namorada, a modelo Fernanda Vogel, 20.
Fernanda e o piloto Ronaldo Jorge Ribeiro, 47, morreram no acidente.
Diniz contou ter se perdido da modelo duas vezes enquanto ambos nadavam.
O empresário contou à polícia que Fernanda dizia que estava cansada.
"João" foi a última palavra que o empresário ouviu antes de
perdê-la. Juntos, disse ele, haviam feito três tentativas de nadar:
primeiro, de mãos dadas; depois, separados e próximos; por fim, Diniz
se distanciava e voltava, tentando motivá-la a nadar.
A modelo ainda seria encontrada pelo co-piloto, que vinha nadando atrás.
Depois, desapareceria nas ondas pela última vez. A versão de Diniz foi
contada à polícia sob forte aparato de segurança. O acesso da
imprensa à delegacia foi impedido.
Segundo o promotor Fernando Cezar Bourgogne de Almeida, 27, designado
para o caso, o depoimento foi importante porque os "fatos foram
narrados na seqüência em que ocorreram", mas não acrescentou
informações sobre as causas do acidente.
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Quinta, 16
Empresas aéreas transportam mais e faturam
menos.
Segundo o Departamento de Aviação Civil (DAC), 2,7 milhões de pessoas
passaram pelas portas dos aviões brasileiros em julho. O resultado é
12,9% maior do que o do mesmo mês do ano passado. Então, por que
existe um ar de crise na aviação? Porque os aviões cheios não estão
conseguindo pagar os custos com a alta do dólar. Entre 35% e 40% dos
gastos de uma companhia aérea são cotados em dólar. São desde peças
de manutenção a despesas com aeronaves em aeroportos. Arrecadar em
real não basta. E, pelo visto, nem em dólar.
A maior companhia aérea da América Latina, a Varig, apresentou um
resultado negativo em mais de R$ 500 milhões no primeiro semestre. No
ano passado, a TAM voava para Miami e Paris. Este ano, os aviões dela vão
também para Frankfurt e Buenos Aires. A empresa transportou cerca de
1,2 milhão de passageiros em julho, mas, deste número, apenas 90 mil
foram para o exterior. A Transbrasil deve fechar seus números nos próximos
dias, e eles serão negativos. No primeiro trimestre, o resultado
operacional foi positivo em R$ 2 milhões e o líquido, de menos R$ 36
milhões. Restam a Vasp, que não voa mais para o exterior, e a
estreante Gol, que em oito meses de vida teve uma taxa de ocupação de
78% em julho. As companhias trabalhavam em janeiro com o dólar a R$
2,10. Ou seja, um valor de R$ 2,50 é um golpe nas finanças
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Quinta, 16
Transbrasil quer ser indenizada
pela GE.
- A Transbrasil quer ser indenizada pela GE Capital, alegando perdas
depois que a maior empresa de leasing de aeronaves do mundo
ingressou, no dia 12 de julho, com pedido de falência da companhia
aérea. A Transbrasil ganhou a causa, mas teria sofrido prejuízos
financeiros e junto à opinião pública. Por isso, pede indenização
superior aos US$ 2,5 milhões da nota promissória que a empresa
americana cobrava na Justiça.
- “Não podemos permitir que uma ação como essa, que deixou
nossos parceiros e clientes inseguros quanto ao nosso futuro, fique
impune”, afirma o presidente da Transbrasil, Antônio Celso
Cipriani.
- A Transbrasil atravessa a pior crise de sua história. Com
endividamento na casa de R$ 800 milhões e frota reduzida de 21 aviões,
em janeiro de 2000, para os atuais 12 (dos quais 4 estão em manutenção),
a empresa abandonou temporariamente os vôos para sete cidades
brasileiras (Cuiabá, Goiânia, Vitória, Maceió, Natal, São Luís
e Foz do Iguaçu), para Miami (EUA) e deixou para a Varig,
temporariamente, todos os vôos operados em code share – a ponte aérea
Rio São Paulo e as rotas para Portugal.
- A Transbrasil alega ser a companhia com melhor aproveitamento médio
dos vôos no mercado doméstico durante este ano (63%). Mas a
confiança dos funcionários parece estar abalada: no sábado,
fizeram uma paralisação de 12 horas em protesto contra atrasos nos
salários.
- Antônio Celso Cipriani defendeu a necessidade de ajuda do governo
para tirar da crise as empresas do setor, quando foi ouvido, em Brasília,
pela comissão que estuda a criação da Agência Nacional de Aviação
Civil (Anac). Uma intervenção direta do governo federal na empresa
não está descartada. Para analistas do mercado, os únicos
caminhos para a companhia seriam a fusão com outra empresa do setor
ou a aquisição por algum grande investidor.
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Quarta,15
Fabricantes propõem mudanças para que
Concorde volte a voar
Os fabricantes do Concorde vão
entregar na quarta-feira às autoridades da aviação o projeto final de
modificações nas aeronaves para que se decida se o avião supersônico
pode ou não voltar a operar comercialmente, disse um oficial.
Os Concordes, operados pela British
Airways e pela Air France, foram proibidos de voar depois que um deles
caiu sobre um hotel nos arredores de Paris no ano passado, matando 113
pessoas.
A Autoridade de Aviação Civil da Grã-Bretanha
afirmou que quarta-feira era a data prometida para que os fabricantes do
Concorde -- o grupo europeu EADS e uma unidade da BAE Systems Plc
incorporada à Airbus SAS no mês passado -- entregassem os dados sobre
as modificações e os testes para evitar novos acidentes.
"Vamos trabalhar com os dados junto
com nossos parceiros franceses, do DGAC, para tomar uma decisão sobre
se o Concorde volta ou não a voar", disse um porta-voz do
organismo à Reuters.
Os engenheiros vêm trabalhando desde o
acidente em modificações, como o fortalecimento do tanque de combustível.
Também houve testes sobre a velocidade.
O grupo anglo-francês que trabalha no
Concorde terá sua reunião mensal na segunda-feira em Paris, disse o
porta-voz.
A queda do Concorde da Air France foi
causada por um pedaço de metal na pista, que acabou estourando um pneu
durante a decolagem. Pedaços do pneu atingiram o tanque de combustível,
causando a explosão, concluíram as investigações.
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Quarta,15
Protesto de aeroviários deve
atrasar vôos da Transbrasil
Os aeroviários
decidiram hoje em assembléia fazer uma paralisação de advertência na
Transbrasil amanhã, entre 6h e 9h. Apesar de não bloquear a decolagem
das aeronaves, o protesto deve atrasar o horário dos vôos, já que vários
funcionários envolvidos no suporte dos aviões estarão de braços
cruzados nesse horário.
Segundo o presidente do Sindicato dos
Aeroviários do Estado de São Paulo, Uébio José da Silva, a intenção
da categoria é prejudicar o mínimo possível os passageiros da
Transbrasil. Mas o sindicalista admite que o protesto dos aeroviários
pode atrapalhar o horário de embarque amanhã.
Uébio disse que o protesto tem o
objetivo de advertir a companhia sobre a greve geral por tempo
indeterminado que será deflagrada caso os salários dos funcionários não
sejam pagos na sexta-feira, como foi prometido. Desde fevereiro a
empresa vem atrasando o pagamento dos funcionários.
A partir deste mês, quem ganha acima de
R$ 1.500 recebeu 30% do salário. Para quem ganha mais de R$ 1.500, a
Transbrasil pagou 20% do salário. A companhia aérea prometeu pagar o
restante do salário até sexta-feira.
Segundo Uébio, a Transbrasil se comprometeu
a pagar o saldo de salários dos funcionários até o final da tarde de
sexta-feira. Além de desconfiar da promessa, os aeroviários também
querem que a empresa se posicione sobre a intenção de demitir funcionários.
Segundo Uébio, a Transbrasil pode vir a demitir cerca de 1.000 funcionários
em virtude da redução de 60% da malha aeroviária.
No final de julho, a empresa anunciou que
estava suspendendo vôos para Cuiabá (MS), Goiânia (GO), Vitória
(ES), Maceió (AL), Natal (RN), São Luís (MA) e Foz do Iguaçu (PR).
"A empresa cortará funcionárias nessas cidades. Isso já é
certo. Queremos saber até onde irão as demissões", disse Uébio.
A Transbrasil sinalizou que a desconfiança
dos aeroviários faz sentido. O vice-presidente executivo da companhia,
Flávio Carvalho, admitiu que haverá um processo de reestruturação de
pessoal na Transbrasil. "A empresa com certeza será estruturada.
Se a mais nova empresa do mercado anuncia que tem 100 funcionários por
aeronave e a Transbrasil tem 2.900 funcionários para 11 aviões,
teremos de nos ajustar", disse Carvalho se referindo à Gol
Transporte Aéreo, que entrou no mercado de aviação em janeiro.
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Quarta,15
- Varig estuda aumento de tarifas
- A Varig estuda aumentar preços de
suas tarifas aéreas para compensar a alta dos custos operacionais e
do combustível. "Haverá um realinhamento das tarifas de
acordo com as rotas", disse o diretor de Relação com os
Investidores, Manuel Guedes, sem detalhar números. Fontes do setor
estimam que a companhia deve reajustar os preços de alguns trechos
em 30%.
- A empresa aérea, que registrou prejuízo
líquido de R$ 509,1 milhões no primeiro semestre e patrimônio líquido
negativo de R$ 657,8 milhões, atribuiu o mau desempenho à alta do
dólar. Guedes afirmou que o impacto do câmbio foi de cerca de R$
300 milhões. Além disso, segundo ele, a empresa teve encargos
financeiros elevados por conta de sua dívida de US$ 1,250 bilhão.
- Nos primeiros dias de agosto, a Varig
teve ocupação de assentos de 72% no âmbito doméstico e de 73%
nas rotas internacionais. No primeiro semestre, registrou em média
65% dos assentos ocupados nas rotas domésticas e de 72% nas rotas
internacionais. Apesar dos números satisfatórios, os executivos da
companhia afirmaram que o movimento não cresceu conforme o esperado
entre janeiro e julho.
- O presidente da Varig, Ozires Silva,
disse que todo o setor de aviação está sofrendo com a desaceleração
econômica mundial. "Pelo menos não estamos sozinhos".
Ozires disse também que a companhia não quer saber de guerras
tarifárias, mas apóia a decisão do governo de liberar as tarifas.
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Terça,14
TAP suspende dois vôos Rio-Lisboa
Para reduzir custos, a TAP Air Portugal vai
diminuir de 7 para 5 as freqüências
semanais entre Rio de Janeiro e Lisboa durante dois meses e meio, isto
é, de outubro até a metade de dezembro. De acordo com o presidente da
TAP, Fernando Pinto, a empresa vai aproveitar a baixa estação para
fazer a manutenção das suas aeronaves. "Não temos nenhuma intenção
de cancelar estas linhas", disse hoje em São Paulo. O executivo
garantiu que a TAP não seguirá o exemplo da Lufthansa, que vai
cancelar rotas entre o Rio e a Alemanha em outubro por falta de
lucratividade da linha.
A
TAP começou agora a colher os primeiros frutos da mudança de estratégia
comercial no Brasil. O processo começou com o ingresso de Fernando
Pinto na empresa em outubro passado. Ex-presidente da Varig, onde
trabalhou por 28 anos, ele decidiu aumentar o número de vôos entre
Brasil e Portugal.
Passou a ter 26 saídas semanais para aquele país, sempre no mesmo horário.
No ano passado eram 17 freqüências, em horários diversos. Os aviões
passaram a voar 16 horas por dia, quatro a mais do que antes para
aumentar a produtividade. Além disso, a empresa apostou nos vôos entre
Europa e Nordeste do Brasil, distante apenas 6 horas de avião de
Portugal.
O
resultado, segundo Fernando Pinto, foi um aumento de 36% na receita
gerada no Brasil no primeiro semestre em relação ao mesmo período de
2000. O executivo afirmou que o desempenho foi melhor do que o esperado
e deve garantir a meta de transportar 426 mil passageiros entre Brasil e
Portugal este ano 33% a mais do que em 2000. A TAP registrou ocupação
média de 67% nos primeiros seis meses do ano e de 80% entre julho e os
primeiros dias de agosto.
De
acordo com Fernando Pinto, a empresa sentiu o efeito da alta do dólar,
que tem diminuído o tráfego aéreo no País. Ele calculou que o
impacto negativo do câmbio na receita da empresa no Brasil foi de 8%.
"Só não foi maior porque o real mais barato estimula a vinda de
estrangeiros ao País", disse.
Em
junho, conforme ele, o balanço financeiro global da TAP mostrou lucro
de US$ 1,2 milhão. A geração de caixa (medida pelo Ebitda) foi de US$
25 milhões no primeiro semestre de 2001, 80% maior do que o registrado
em igual período de 2000. No acumulado do ano, a TAP mantém perdas de
US$ 70 milhões. "Os resultados são negativos ainda, mas há uma
tendência de reversão", disse.
A
TAP, que pertence ao governo português, reinicia em outubro reuniões
com investidores com o objetivo de retomar seu processo de privatização.
A empresa tem 34 aviões Airbus e transportou 5,3 milhões de pessoas em
2000. Fernando Pinto chegou ao Brasil ontem e ficará no País até
sexta-feira.
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Terça,14
Liberação de tarifas não
aumenta passagem aérea, por enquanto
Apesar de os preços das passagens aéreas estarem liberados a partir de
hoje, nenhuma empresa oficializou a intenção de reajustar tarifas por
enquanto. Das principais companhias áreas do país, apenas a Gol se
comprometeu a não fazer ajuste de preços em função da liberação
das tarifas.
Já a Vasp, Varig e Transbrasil estão analisando possíveis aumentos
nos preços, mas ainda não definiram índices, rotas e quando fazer
ajustes.
A decisão de liberar os preços foi tomada na semana passada pelo Conac
(Conselho Nacional de Aviação Civil) em reunião realizada no Ministério
da Fazenda. Também estão liberados os preços dos serviços de carga aéreos
e das malas postais em todos os aeroportos do país.
Os aeroportos que têm as tarifas liberadas a partir de hoje representam
aproximadamente 50% do mercado. As companhias estavam livres para fixar
os preços das passagens apenas em 11 aeroportos de oito cidades do país
(Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis,
Brasília, Belo Horizonte e Campinas).
No último dia 8, o governo anunciou um reajuste de 13,87% para as
passagens aéreas, que estavam congeladas desde julho do ano passado. Segundo
o SNEA (Sindicato Nacional das Empresas Aéreas) a defasagem de preços
já chega a 24%.
A desvalorização do real em relação ao dólar é o principal fator
que contribuiu para a elevação dos custos das empresas, pois 60% dos
gastos estão atrelados ao câmbio.
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Segunda,13
- Transbrasil poderá demitir
funcionários.
- A companhia aérea Transbrasil pode
demitir cerca de 1,5 mil trabalhadores de um quadro de 2,9 mil
funcionários até o fim da semana. Esta é a estimativa do
Sindicato dos Aeroviários de São Paulo. "A empresa está com
a situação financeira combalida. Dificilmente eles conseguirão
manter seu quadro de funcionários intacto", diz Uébio José
da Silva, presidente do Sindicato dos Aeroviários de São Paulo. A
Transbrasil confirma que haverá demissões, mas não arrisca um número
preciso de quantos serão dispensados. "Ainda estamos estudando
que estratégia vamos tomar", disse Mário Thurler, diretor de
administração da companhia.
- A Transbrasil acumula uma dívida de
US$ 800 milhões. No mês passado, teve falência pedida pela
General Electric Capital Corporation, empresa que financia a compra
dos aviões. A GE alegava que a Transbrasil devia US$ 2,7 milhões
referentes a uma parcela da nota promissória do arrendamento de
cinco aeronaves. O pedido não foi aceito, mas serviu para mostrar a
fragilidade da companhia, que está atolada em dívidas. Só com a
Previdência Social, o débito da empresa chega a R$ 400 milhões.
- Segundo o presidente do Sindicato dos
Aeroviários, os problemas são gigantescos. "A crise
acentuou-se com a alta do dólar". Isso porque 40% dos custos
de uma companhia aérea são pagos em dólar. O combustível é pago
em dólar e as parcelas do leasing dos aviões também. E, para
piorar, diz Uébio da Silva, muitos aviões da empresa estão sendo
arrestados pelas financeiras.
- Na semana passada, um avião Boeing
767-300 da Transbrasil foi retido em Miami, nos Estados Unidos. E,
na última sexta-feira, os funcionários da empresa ficaram parados
por três horas. "Paramos das 6h até as 9h".
- Uébio diz que a paralisação ocorreu
devido ao atraso no pagamento dos salários dos funcionários.
"O salário de julho ainda não foi pago", garante.
Segundo o sindicalista, os funcionários que têm salário de até
R$ 1,5 mil receberam R$ 300,00, e aqueles com salário superior a R$
1,5 mil receberam 20%. "Vamos resolver a situação destes salários
atrasados até o fim da semana", garantiu Mário Thurler, da
Transbrasil.
- O pessimismo do sindicato em relação
ao futuro dos empregados e ao pagamento dos salários é muito
grande. Isso porque a Transbrasil parou de operar em rotas como
Cuiabá (MT), Goiânia (GO), Vitória (ES), Maceió (AL), Natal
(RN), São Luís (MA) e Foz do Iguaçu (PR). "Desde o início
do ano, a empresa reduziu a malha aeroviária em 60%. Dificilmente a
Transbrasil terá receita para pagar as despesas e os funcionários".
- O problema pelo qual a empresa passa
é comum nas outras empresas do setor.
- Segundo Graziella Baggio, presidente
do Sindicato dos Aeronautas, a situação da Transbrasil é reflexo
da falta de regulamentação no setor da aviação civil brasileira.
"Os pontos estruturais, como os encargos tributários, devem
ser revistos". Ela explica que as empresas brasileiras pagam
36% de imposto, enquanto na Europa se paga 16% e, nos Estados
Unidos, 7%. Outro exemplo dado por Graziella é o caso da Vasp.
"No ano passado, a Vasp demitiu quatro mil funcionários".
Pode-se acrescentar o caso da Varig, que acumula uma dívida de US$
1,3 bilhão.
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Segunda,13
Gol começa a vender passagem
por meio de leilão na internet
A Gol começa a vender
a partir de hoje passagens aéreas por meio de leilão na internet. O
novo sistema de venda deve reduzir ainda mais o preço das passagens aéreas
da Gol, que entrou no mercado de aviação comercial em janeiro deste
ano com a promessa de popularizar o setor.
Para participar do leilão, o interessado
deve acessar os sites da Gol (www.voegol.com.Br) ou do Precito (www.precito.com)
na internet e fazer o seu lance de preço para a rota desejada. Vence o
leilão quem der o maior lance. No caso de todos os lances serem iguais,
o ganhador será quem tiver feito a primeira oferta de preço.
Simulação feita pela empresa mostra
quer as tarifas em leilão poderão ser até 83% menores do que as
autorizadas pelo Departamento de Aviação Civil (DAC).
Na ligação entre São Paulo e o Rio de
Janeiro, por exemplo, a passagem vendida pela Gol terá o lance mínimo
de R$ 47 pelo sistema de leilão. O preço normal é de R$ 79 ou R$ 99,
dependendo do horário do vôo.
Segundo a empresa, o novo modelo de venda
deve aumentar a taxa de ocupação média dos vôos, que em julho foi de
78%. O volume de assentos que serão colocados à venda por meio de leilão
dependerá do destino, dia e horário do vôo.
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Segunda,13
Varig anuncia criação de empresa com
parceiros internacionais
A Varig disse nesta segunda-feira que
vai criar uma nova companhia a partir de um acordo estratégico com
parceiros internacionais, mas não deu mais detalhes.
O presidente da companhia, Ozires Silva,
apresentará o acordo em uma entrevista à imprensa na manhã de terça-feira,
em São Paulo, informou a Varig em um comunicado.
Em entrevista concedida à Reuters no mês
passado, Silva disse que a Varig tinha intenção de criar uma companhia
de manutenção de aviões e uma empresa de administração de
aeroportos, para depois vender as participações que terá nestes negócios
a fim de ajudar a empresa a sair do vermelho.
A Varig acumula uma dívida de 1,3 bilhão
de dólares e quatro anos de prejuízo.
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Segunda,13
Aeroporto Bacacheri é seguro.
As estatísticas envolvendo o Aeroporto
Bacacheri comprovam sua segurança desde sua fundação há 57 anos.
Alguns moradores da região queixam-se da intranqüilidade causada pela
proximidade de suas casas com o aeroporto. Entretanto, os números o
caracterizam como muito seguro.
Somente no ano passado o Aeroporto do
Bacacheri realizou 25.275 operações de pouso e decolagem, atendendo
43.011 passageiros. Considerando os últimos três anos, os passageiros
atendidos somam 148.751 em 78.161 operações de pouso e decolagem,
todas, sem exceção, sem qualquer tipo de acidente ou incidente
envolvendo pessoas não ligadas à comunidade aeronáutica.
Num comparativo com os acidentes
automobilísticos na região, as diferenças de perigo a que os
moradores são expostos fica ainda mais evidente. Entre os meses de
fevereiro de 2000 e julho de 2001, o BPTran (Batalhão de Polícia de Trânsito)
registrou 406 acidentes nas ruas do bairro, totalizando 153 feridos. A
Avenida Erasto Gaertner é a via onde aconteceram a maior parte dos
acidentes, totalizando 54 neste período. Logo em seguida aparecem as
ruas Nicarágua e Estados Unidos, com 28 e 24 acidentes respectivamente.
A crítica ao uso do Aeroporto Bacacheri
como Escola de Aviação, alegando falta de segurança, também é
contestada pelos números. Nos últimos 10 anos, as escolas de aviação
do aeroporto realizaram 168 mil operações de pouso e decolagem, todas
elas dentro da normalidade, sem nenhum acidente envolvendo pessoas da
comunidade.
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Segunda,13
A empresa Team fará a rota
S.P.-Paraty-Angra
Dentro de duas
semanas, Angra dos Reis e Paraty, no litoral fluminense, vão ter acesso
mais fácil: um vôo direto do Campo de Marte, zona norte de São Paulo,
realizado pela empresa Team. O desembarque será feito nos aeroportos de
cada uma dessas cidades, o que eliminará as viagens de carro do Rio de
Janeiro até os dois destinos turísticos.
No caso de Angra, o trajeto pela estrada, a partir da capital
fluminense, dura cerca de duas horas e meia. Pelo ar, do Campo de Marte
a Paraty, serão em média 45 minutos. Com mais dez minutos, o
passageiro chegará a Angra dos Reis.
Além da economia de tempo, a viagem é interessante pela aeronave
utilizada. O trajeto é feito por um Let-410, de fabricação checa, que
permite aos viajantes ter uma ampla visão da paisagem, já que existem
duas janelas a cada fileira. A aeronave tem capacidade para transportar
19 pessoas.
Durante todo o tempo de vôo, observa-se as belezas naturais como as
praias e a Mata Atlântica no litoral fluminense. No retorno, quando se
está chegando a São Paulo, a imagem próxima dos prédios também
impressiona.
"Queremos ser mais do que um meio de transporte. O objetivo é
que a viagem seja um passeio turístico", afirmou Mônica Gonçalves,
diretora comercial da Team. Segundo ela, a empresa também quer evitar a
burocracia que normalmente o passageiro enfrenta no embarque e
desembarque em aeroportos convencionais.
Os investimentos para a implantação da rota foram de US$ 2 milhões.
O primeiro vôo demonstrativo ocorreu no fim de semana passado. Mas as
operações comerciais estão previstas para começar em 15 dias, assim
que sair a homologação final do Departamento de Aviação Civil (DAC).
A Team voará também do Rio de Janeiro para Macaé.
A passagem ida-e-volta de São Paulo a Angra dos Reis custará R$
358. Para Paraty, R$ 348. Crianças até um ano não pagam pelo trajeto.
De 1 a 12 anos, a tarifa será equivalente a 50% do preço do bilhete de
um adulto. Mais informações e reservas pelo tel. (0--21) 2533-6565
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Domingo,12
Helicópteros de Diniz vão ter vistoria
O
Departamento de Aviação Civil (DAC) do Ministério da Aeronáutica vai
abrir processo de fiscalização no Grupo Pão de Açúcar para
verificar as condições dos helicópteros que servem aos executivos e
à família do empresário Abílio Diniz e as relações entre a empresa
e tripulantes. ''É uma investigação profunda, séria, rígida e
abrangerá tudo o que se relacione à empresa e à aviação'', disse o
chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos
(Cenipa), coronel-aviador Antônio Junqueira.
Prevista
para este mês, a vistoria das aeronaves é procedimento rotineiro em
casos de acidente. A finalidade, segundo Junqueira, é encontrar
eventuais ''debilidades ou fragilidades'' que tenham contribuído para a
queda do helicóptero Agusta 109E Power, no dia 27 de julho em Maresias,
litoral Norte de São Paulo, que causou a morte da modelo Fernanda Vogel
e do piloto Ronaldo Jorge Ribeiro. O empresário João Paulo Diniz,
namorado de Fernanda, e o co-piloto Luiz Roberto de Araújo Cintra se
salvaram nadando até a praia.
Com
base no relatório dos peritos, o DAC pode decidir por uma punição que
varia da multa, com valor máximo de R$ 5 mil à cassação da licença
de vôo. O Pão de Açúcar informou, através de sua assessoria de
imprensa, que o grupo vai colaborar com a investigação para que se
apure a causa do acidente. As aeronaves que servem aos executivos e
parentes do empresário Abílio Diniz são propriedade da holding Paic,
controladora do Pão de Açúcar.
Junqueira
disse, embora não haja até agora indícios contra o Pão de Açúcar,
o tipo de aviação em que o grupo se insere - transporte de passageiro
particular (TPP) - é alvo de muitas críticas. A maior parte se refere
a pressão sobre os pilotos e sonegação de informações sobre o
estado das aeronaves.
A
comissão que investiga o acidente está se dedicando ao levantamento do
perfil psicológico dos dois tripulantes e de tudo o que ocorreu no período
que antecedeu o acidente. Todos os indícios encontrados até agora pelo
Cenipa apontam para uma possível imprudência envolvendo a tripulação
que, mesmo sem plano de vôo, com o tempo muito ruim e sem o auxílio de
instrumentos, decidiu decolar de São Paulo e tentar descer em Maresias
buscando uma referência visual. O helicóptero teria sido atingido por
uma rajada de vento ou por uma onda alta e se chocado com o mar. As
conclusões serão apontadas no laudo do DAC.
''É
necessário agora ter um retrato do piloto e co-piloto, para saber se
estavam preparados'', disse Junqueira. O co-piloto Cintra tem
apresentado versões contraditórias sobre o acidente. Primeiro, disse
que houve pane no motor, depois levantou suspeita de falha humana do
piloto. Por último, voltou a falar de problemas no motor, dizendo
perdeu potência.
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Domingo, 12
Uma batalha para vender caças para a FAB
Uma batalha aérea, envolvendo europeus,
russos e norte-americanos, começou na quarta-feira passada sobre o
Brasil. Envolvendo US$ 700 milhões, a concorrência para a escolha dos
novos aviões de combate da FAB (Força Aérea Brasileira) é um dos
principais negócios do gênero em curso no mundo.
Os franceses da Dassault e seu Mirage 2000 pareciam ser os favoritos
para ganhar o negócio, especialmente pelo fato de prometerem construir
o avião no Brasil, em parceria com a Embraer.
Mas o jogo pode sofrer uma reviravolta. A fabricante russa Sukhoi
revelou à Agência Folha que está pronta para negociar um acordo de
transferência tecnológica total para vender seu avião, o Su-27
Flanker -um produto militarmente mais tentador que o Mirage, por ter
desempenho considerado superior.
""Estamos prontos para entregar ao Brasil não só o avião,
mas também transferir as tecnologias para construção e reparo para a
aeronave e os sistemas de combate", afirmou o diretor-geral adjunto
do Complexo de Aviação Militar Sukhoi, Alexander Klementiev.
Transferência tecnológica é a palavra chave. ""As empresas
deverão apresentar propostas de compensação comercial, garantindo que
os valores a serem pagos pelo Brasil na compra das aeronaves serão
reinvestidos, por aquelas empresas, na transferência de tecnologia que
permita à FAB manter os softwares da aeronave de forma autônoma",
diz o Comando da Aeronáutica.
Duas empresas americanas se apresentaram na retirada da proposta
de compra, em Brasília. A Boeing deve oferecer o F/A-18, e a Lockheed,
o popular F-16.
A estratégia dos norte-americanos é esperar a concorrência. O maior
problema é a indisposição do governo dos EUA em ceder material com
tecnologia de ponta para outros países que não aqueles que possam ter
alguma utilidade estratégica -caso de Israel e Taiwan.
Exemplo recente disso é a concorrência chilena Caza-2000, muito
semelhante à brasileira. Os F-16 ganharam, mas o fato de os
norte-americanos terem apresentado uma versão antiquada do caça levou
o processo a um impasse.
O problema não é só com os EUA. Uma eventual vitória francesa
levanta insinuações sem comprovação, entre analistas, de uma
compensação pela perda para os norte-americanos da concorrência do
Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia).
O Brasil está trocando sua frota de 18 Mirage F-103, que vai caducar em
2005. A idéia é comprar entre 12 e 24 aviões com capacidade de
interceptação supersônica de longo alcance.
O orçamento para o programa F-X, como é chamada a compra, se estende
por oito anos e faz parte de um plano maior de modernização, de US$ 3
bilhões -parte já está sendo gasta na troca do recheio eletrônico
dos caças táticos F-5, que, com a reforma, devem durar até 2015 no
ar.
Suecos
Além dos franceses e russos, devem apresentar um programa de transferência
de tecnologia os suecos da Saab, que querem vender seu jato Gripen. A
venda é feita por meio da BAe (British Aerospace) e pode ter moldes
semelhantes à concorrência ganha pelo Gripen na África do Sul, onde
empresas locais produzem peças para o avião.
Segundo John Neilson, chefe de comunicação da BAe, a empresa ainda não
irá se pronunciar. Pesa contra o Gripen o fato de ser uma aeronave
menor e de raio de combate limitado, mais adequada ao céu sueco do que
ao brasileiro.
A FAB fará uma pré-seleção até novembro. As propostas podem ser
entregues até outubro. Entre novembro e dezembro, sairá o vencedor. O
contrato final, informa a Aeronáutica, só será assinado em junho de
2002, permitindo negociações sobre transferência de tecnologia e
financiamentos.
Completam a lista de empresas interessadas o consórcio europeu que
fabrica o Eurofighter Typhoon e a russa RAC, que vende os famosos MiG-29
ao exterior. O problema do primeiro é o custo da aeronave, mais de US$
50 milhões. Já o MiG-29, um avião considerado um dos melhores de sua
geração, sofre com o envelhecimento do projeto e a péssima experiência
de governos como o do Peru, que comprou os aviões e enfrentou depois a
falta de peças.
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Sábado, 11
Helicóptero não tinha
salva-vidas
O co-piloto Luiz Roberto de Araújo Cintra, sobrevivente do acidente com
o helicóptero Agusta 109E Power, do Grupo Pão de Açúcar, afirmou
ontem que a queda da aeronave, a mais de três quilômetros da praia de
Maresias, no litoral Norte de São Paulo, pode ter sido provocada pela
perda de potência do motor. ''Foi como se tivesse tirado o pé (do
acelerador) ou alguma coisa interna (no motor)'', disse Cintra, em
entrevista na sede do Pão de Açúcar. Ele descartou a hipótese de o
helicóptero ter sido atingido por uma rajada de vento ou uma onda alta.
Havia ''uma chuvinha normal'' e as condições de visibilidade ''eram
boas'', disse.
Esta é a terceira versão de Cintra para
o acidente de dia 27 de julho, que causou a morte do piloto Ronaldo
Jorge Ribeiro e da modelo Fernanda Vogel, namorada do empresário João
Paulo Diniz, que escapou com Cintra nadando até a praia. Na noite do
acidente, ainda abalado e recebendo medicação no hospital de São
Sebastião, o co-piloto disse a um policial militar que a queda fora
causada por falha mecânica. No depoimento ao Departamento de Aviação
Civil (DAC), sugeriu que o comandante Ribeiro tivesse cometido algum
erro.
Falha - O depoimento de Cintra e o laudo
preliminar do Centro Tecnológico Aeroespacial (CTA), que não encontrou
problema no motor do helicóptero, levaram o Centro de Investigação e
Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) a considerar a hipótese
de falha humana. O chefe do Cenipa, coronel-aviador Antônio Junqueira,
disse que o helicóptero, ao descer além do limite de segurança, pode
ter sido atingido pelo vento forte ou uma onda. Segundo o DAC, as condições
do tempo tornavam o vôo arriscado. Cintra afirmou que só às 21h30 a
meteorologia mostrava a chegada de uma frente fria, mas o Agusta 109E
podia voar naquelas condições.
Na entrevista, ao lado da mulher,
Cristina, o co-piloto admitiu que não havia plano de vôo para Maresias
nem coletes salva-vidas no helicóptero. Cintra contou que já havia
baixado o trem de pouso e o helicóptero voava a 100 metros de altura,
sob comando de Ribeiro, quando houve o acidente, a 3,6 quilômetros do
heliponto. O Agusta tocou a cauda no mar, levantou o nariz, chocou-se
contra a água e virou, permanecendo com a parte inferior voltada para
cima até afundar.
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Sábado, 11
Transbrasil vai demitir e vender aviões
A Transbrasil terá de demitir funcionários
e pensa em vender seus únicos três aviões próprios para reagir à
pior crise da sua história, informou o vice-presidente da empresa nesta
sexta-feira.
"Demissão não é da cultura da
empresa, mas vamos ter que mexer sim", disse à Reuters Flávio
Carvalho.
Ele não dá números, porém lembra que
é preciso adequar o número de funcionários à reduzida frota da
empresa, atualmente com apenas oito aviões em operação.
Desses oito, três são próprios e poderão
ser vendidos e recontratados por leasing.
"Temos créditos de ICMS para
receber da ordem de 220 milhões de reais e três aeronaves próprias,
cada uma de 20 milhões de dólares", contabiliza ele, ao informar
como vai resolver os problemas da empresa.
A liberação das passagens aéreas,
anunciada na quinta-feira pelo governo, também deve contribuir para a
retomada da empresa, avalia Carvalho.
"Não será tão rápido para nós,
mas (a liberação) é um grande passo que o governo deu e vai dar mais
liberdade ao mercado. Onde não existe demanda o preço tende a
baixar", disse.
Ele lembra que no primeiro trimestre do
ano a Transbrasil deu demonstrações de recuperação e obteve 2 milhões
de reais de lucro operacional, mas no segundo trimestre a situação
piorou, principalmente pela queda do real e o agravamento da crise
argentina.
"O combustível está sendo o vilão
da aviação depois da desvalorização do real, e, com essas crises
todas, fica difícil pegar crédito lá fora", diz.
Carvalho explica que, desde o pedido de
falência feito pela GE Capital em julho deste ano --já negado pela
Justiça--, uma crise de confiança se abateu sobre a Transbrasil e
agravou os problemas da empresa, que já não eram poucos.
"A situação na aviação
brasileira não está nada fácil, principalmente nesse último
trimestre (abril a junho), mas o pedido de falência ativou uma
desconfiança desnecessária sobre a Transbrasil", lamenta
Carvalho.
A insegurança trazida pelo pedido de falência,
de acordo com Carvalho, levou alguns passageiros a cancelar vôos,
outros a exigir o uso imediato de milhagens, e principalmente afligiu os
credores internacionais, que estavam em plena renegociação de leasing
dos aviões e ficaram preocupados com a capacidade de pagamento da
Transbrasil.
Também os funcionários passaram a
questionar o futuro da empresa e entram em greve de advertência nesta
sexta-feira.
Carvalho garante entretanto que a situação
não é tão grave que não possa pagar o salário dos funcionários, o
que estaria levando a categoria à greve nesta sexta-feira.
"Desde fevereiro estamos parcelando
o pagamento em duas vezes, como tantas empresas fazem. Pagamos dia 7 até
300 reais e o restante vai ser pago no dia 18", afirma.
Por este motivo, ele não acredita na
realização de uma greve consistente na empresa, marcada para a meia
noite desta sexta-feira.
"Os pilotos já me garantiram que não
entram em greve", disse.
A dívida da empresa hoje é de 780 milhões
de reais e a frota foi deteriorada ao longo dos últimos anos, resumida
hoje a oito aviões 737 em operação, e três 767 em manutenção, além
de um 767 retido por um credor em um aeroporto de Miami, nos Estados
Unidos.
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Sábado, 11
Indústria aeronáutica luta
para sobreviver na Rússia
O quinto festival internacional de aeronáutica de Moscou acontece na próxima
semana em um momento crítico para a indústria de aviação russa.
Desde o fim da União Soviética, o setor vive um longo declínio.
"Até onde posso ver, não há nada de bom no setor agora",
disse Yelena Sakhanova, analista de aviação da corretora de valores
Aton, de Moscou. "Não tenho otimismo de que algo vá acontecer em
breve para mudar essa situação. Não há uma necessidade urgente de
aviões russos."
A Rússia ainda é um dos poucos países capazes de produzir aeronaves
independentemente, mas sua indústria aeronáutica hoje não é nem
sombra daquela que chegou a ser responsável por 60% da produção
mundial. No ano passado, a Rússia entregou apenas quatro aviões -a
norte-americana Boeing entregou 489 no mesmo período.
Em seus tempos de apogeu, a União Soviética vendia 2.500 aviões e
helicópteros por ano. O enorme Antonov An-124, maior aeronave do mundo,
é um dos poucos que ainda possuem um nicho no mercado ocidental.
O premiê russo, Mikhail Kasyanov, advertiu no início do ano que, caso
algo não seja feito, a Rússia pode perder a sua capacidade de fabricar
aviões. O estado da indústria aeronáutica tem sido motivo de atenção
do governo, que anunciou planos para revitalizar o setor.
A iniciativa inclui um programa de empréstimo de US$ 7,7 bilhões para
que as companhias aéreas nacionais renovem suas frotas. Apesar do
debate político, porém, nenhuma medida concreta terá sido tomada
antes do início da feira na próxima semana.
"Há agora uma batalha para o controle do setor, o que vem tornando
as coisas mais lentas...Há muitos interesses ocultos envolvidos",
disse Sakhanova.
Alguns analistas, por outro lado, acreditam que o aumento no número de
passageiros e transporte aéreo de carga no país pode trazer algumas
esperanças ao setor. "As companhias aéreas estão fazendo mais
negócios agora e isso significa que podem precisar de mais aviões",
disse Julia Zhdanova, analista de transportes do United Financial Group
de Moscou.
Segundo ela, o setor de cargas cresceu 12 por cento na primeira metade
deste ano, enquanto algumas empresas aéreas russas, como a Aeroflot,
tiveram um aumento da ordem de 20% no número de passageiros.
Apesar disso, argumenta Sakhonova, a demanda atual por novas aeronaves não
deve aumentar significativamente. Além disso, após lobby da Aeroflot e
outras companhias interessadas em comprar aviões estrangeiros, o
governo considera reduzir as tarifas sobre importação de aviões.
Em julho, a Aeroflot anunciou que não tinha mais interesse em aeronaves
russas, afirmando que os aviões ocidentais têm mais prestígio, são
mais baratos de operar e mais confiáveis.
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Sexta, 10
Passagens aéreas têm preços liberados
O preço das passagens aéreas está liberado em todos os aeroportos
do País a partir de segunda-feira. Essa decisão foi tomada pelo
governo durante reunião com o Conselho Nacional de Aviação Civil,
realizada ontem, no Ministério da Fazenda.
- O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da
Fazenda, Cláudio Considera, disse que essa decisão foi tomada
porque o governo avaliou que a primeira etapa da experiência de
liberação nos grandes aeroportos, teria dado certo já que não
houve abuso nos preços das passagens aéreas.
- O ministro da Defesa, Geraldo Quintão, informou que a liberação
das tarifas aéreas no País foi decidida por unanimidade pelo
Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac). A liberação vale
para todas as empresas de transporte aéreo regular doméstico de
passageiros e cargas.
- Segundo Quintão, a decisão viabiliza as companhias áreas e
elimina a proteção e o controle do governo sobre o setor. O
ministro frisou que o governo está seguro de que a concorrência
dificultará aumentos abusivos nas tarifas. "O governo
considerou razoável a liberação total, que não foi abrupta, dado
que, desde abril, 11 aeroportos já operavam nessa condição",
observou Quintão.
- Questionado sobre o risco de um possível aumento generalizado das
passagens aéreas a partir da liberação dos preços, o ministro
respondeu que, se uma companhia aérea aumentar muito suas tarifas,
perderá competitividade. A partir de agora, segundo Quintão, as
companhias, para se manterem competitivas, terão de reduzir os
custos e aumentar as vantagens para o usuário. Mesmo com a liberação,
as empresas aéreas, segundo Quintão, ainda são obrigadas a avisar
ao Departamento de Aviação Civil (DAC) sobre o porcentual de
aumento.
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Quinta,9
- Ponte aérea, menor ocupação em
cinco anos
-
- A média de ocupação dos aviões na ponte aérea São Paulo-Rio,
em julho, foi a pior dos últimos cinco anos. Segundo dados do
Departamento de Aviação Civil (DAC), algumas companhias
apresentaram, em julho, uma queda de 27% em comparação com o mesmo
período do ano passado. A média de ocupação da Rio-Sul, por
exemplo, caiu de 74% para 54%. "A aviação é muito sensível
a qualquer mudança na economia", diz Carlos Eduardo Albano,
analista de aviação do Unibanco, referindo-se as crises de energia
e da Argentina.
- Além da Rio Sul, outras empresas também tiveram diminução.
Este é o caso da TAM cuja média de ocupação caiu de 54% para
42%. No caso da Varig, a ocupação caiu de 71% para 54% e na Vasp a
média caiu de 64% para 56%.
- Outro ponto que também fez com que a média de ocupação das
empresas de aviação caísse foi o aumento de ofertas. "No
início do ano, as empresas fizeram projeções de que o setor iria
crescer 8% neste ano."
- Por conta disso, as empresas compraram mais aviões e aumentaram o
número de oferta de vôos. "O problema é elas não contavam
com as crises. Elas já revisaram as projeções de crescimento para
4%." Albano conta que a entrada da Gol, no mercado, também
contribuiu para a queda na ocupação das concorrentes. Isso porque
a empresa entrou, no início do ano, oferecendo preços baixos.
- Mês fraco
- Para Amauri Caldeira, conselheiro da Associação Brasileira das
Agências de Viagem (Abav), julho é um mês fraco para a ponte
aérea São Paulo-Rio. Ele explica que grande parte dos executivos,
que representam 80% dos passageiros desta rota, saem de férias e
viajam com a família em julho.
- "Eles viajam para outros lugares e por isso a média de
ocupação cai."
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Quinta,9
Ministério quer
unificar equipamentos de radiodifusão
O secretário de
Serviços de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, Paulo
Menicucci, defendeu nesta quarta-feira punições para os fabricantes de
equipamentos de radiodifusão que estejam funcionando de forma diferente
das características autorizadas pelo governo federal.
Menicucci disse que a medida tem por objetivo evitar interferências
nos equipamentos de comunicação de aeroportos e dos setores de segurança
pública, como as policiais federal, civis e militares, bem como nas
unidades dos Corpos de Bombeiros e de Defesas Civis.
A proposta também poderia resolver, segundo Menicucci, as invasões
das faixas destinadas às emissoras de rádio e televisão. Ou seja, um
equipamento que funciona fora dos padrões poderia interferir na
programação de determinada emissora que esteja funcionando na freqüência
autorizada pelo ministério. Neste caso, Menicucci quer punir o
fabricante.
O secretário informou que pretende incluir no anteprojeto de Lei de
Radiodifusão um dispositivo para identificar os responsáveis pelo
funcionamento das rádios comunitárias. A idéia é que estas
emissoras, que atuam com transmissores de baixa potência e estão
limitadas a aturem em determinada região do município, tenham pessoas
que irão responder caso sejam comprovadas irregularidades.
Menicucci explicou que esta sugestão foi apresentada por estudantes
do curso de Comunicação Social de uma faculdade de Fortaleza. O modelo
atual permite ao governo determinar punições apenas para os sócios
das emissoras de rádio e de televisão comerciais.
Menicucci explicou que o contrabando de equipamentos de radiodifusão
tem sido uma outra preocupação do ministério. Estes produtos, que
entraram no País de forma irregular, seriam responsáveis pelas
transmissões de emissoras de rádio clandestinas. "Estes
equipamentos de baixa qualidade estariam interferindo nas faixas de
comunicação de aeroportos", afirmou o secretário.
Para ele, se a legislação atual não permitir que os fiscais da Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel) possam responsabilizar os
fabricantes destes aparelhos importados e nacionais, o governo federal
tomará a iniciativa de elaborar um projeto de lei tratando deste
assunto. O presidente da agência reguladora, Renato Guerreiro, admitiu
que não há meios para tomar tal medida com base na legislação do
setor que encontra-se em vigor.
A interferência das rádios piratas no sistema de comunicação dos
aeroportos foi debatida na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação
e Informática da Câmara dos Deputados. O diretor de Eletrônica e
Proteção de Vôo do Comando da Aeronáutica, major brigadeiro-do-Ar
Roberto Cardoso Vilarinho, informou que nos aeroportos de São Paulo, as
torres de controle do tráfego aéreo estão optando pelo atraso da
decolagem de aviões quando constatam que existem interferências nas
faixas de comunicação.
O oficial da Aeronáutica apresentou um vídeo que enfocou problemas
verificados no aeroporto de Fortaleza. Segundo Vilarinho, emissoras de rádios
comunitárias teriam causado "interferências e até o bloqueio
total nas comunicações terra-avião". Ele divulgou trechos de
registros feitas por comandantes de companhias aéreas comerciais que
relatam as dificuldades enfrentadas naquele aeroporto.
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Quinta,9
Jornada de trabalho do piloto
será investigada
O Ministério do Trabalho instaurou ontem um processo investigatório
para apurar se o acidente ocorrido com o helicóptero do grupo Pão de Açúcar
em Maresias, em São Sebastião, pode ter sido provocado por imprudência
do piloto Ronaldo Jorge Ribeiro, 47, devido ao excesso de trabalho.
Na queda, no dia 27 de julho, morreram o piloto e a modelo Fernanda
Vogel, 20, namorada de João Paulo Diniz, vice-presidente do grupo Pão
de Açúcar.
A jornada de trabalho de Ribeiro e as escalas que foram cumpridas no último
mês, assim como o fato de o piloto estar com o ombro machucado quando
voou, vão ser analisados pela delegacia do ministério em São Sebastião.
Até ontem, o DAC (Departamento de Aviação Civil), com base no
depoimento prestado pelo co-piloto Luís Roberto de Araújo Cintra,
trabalhava com a hipótese de falha humana.
Os equipamentos de segurança que a aeronave possuía e a obediência da
empresa às normas de saúde e segurança do funcionário também serão
checadas.
O auditor fiscal do Ministério
do Trabalho em São Sebastião, Cláudio Augusto Tarifa, disse que o
processo investigatório foi aberto por se tratar de morte ocorrida
durante um acidente de trabalho.
Tarifa disse que, se ficar comprovado pelo DAC que a queda foi provocada
por imprudência, o ministério quer saber os fatores que podem tê-la
provocado.
"O excesso de trabalho e a usência de escalas podem provocar o
estresse. Isso pode ocasionar a distração do piloto e,
consequentemente, acidentes", disse.
Se for achada irregularidade em algum item, o grupo pode ser multado e a
investigação deve ser encaminhada aos outros órgãos que apuram o
caso.
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Quinta, 9
Passagem aérea sobe 13,87%
As
tarifas de vôos domésticos nos 54 aeroportos que são controlados pela
Infraero serão reajustadas em 13,87%. A autorização do aumento foi
concedida ontem, mas ficou abaixo do índice pedido pelas empresas aéreas,
que queriam um aumento entre 22% e 31%.
O
Departamento de Aviação Civil (DAC) fez uma análise da reivindicação
das companhias e considerou procedente a o aumento solicitado por elas
em 2000. Por sua vez, o Sindicato das Empresas Aeroviárias (SNEA)
contesta o reajuste concedido e informa que a defasagem no preço das
tarifas aéreas é de 24%, desde o último reajuste, de 19,3%, concedido
no dia 18 de julho de 2000.
Câmbio
-
De acordo com o SNEA, as tarifas estão defasadas por causa da
desvalorização cambial, que responde por 40% do aumento de custos para
as companhias aéreas. Também contribuíram para essa defasagem, a alta
dos combustíveis - de novembro até agora, segundo o sindicato, o
aumento alcança 60% -, salários, seguros das aeronaves e gastos com
treinamento de pessoal.
Hoje,
o Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) reúne-se em Brasília
para discutir a liberação do reajuste das tarifas aéreas em todo o país
e não somente nos 11 principais aeroportos brasileiros.
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Quinta, 9
Gol supera metas de desempenho no 1°
semestre em atividade
A Gol Transportes Aéreos atingiu, no primeiro semestre do ano, a marca
de um milhão de passageiros transportados nas dez rotas onde opera. A
companhia iniciou suas atividades em 15 de janeiro passado, e a
expectativa era de que até o final do ano fossem transportados dois
milhões de pessoas. No entanto, a Gol já comemora a possibilidade de
ultrapassar esta meta.
Segundo dados divulgados há pouco, na
capital paulista, a companhia atingiu em junho 5,08% de market share
(participação no mercado) , com base em dados do Departamento de Aviação
Civil (DAC). A estimativa é de que o market share de julho fique em
5,5%.
Também em junho, a taxa de ocupação
das aeronaves da Gol foi, em média, de 78%, contra a média de 67% do
mercado. Na rota Rio (Galeão)-São Paulo (Congonhas) a média foi ainda
maior: 81%.
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Quarta, 8
Aeronáutica descarta problemas mecânicos
no helicóptero de Diniz.
A Aeronáutica não tem mais dúvidas. Com base no depoimento do
co-piloto Luiz Roberto de Araújo Cintra e depois de examinarem os
destroços do helicóptero do Grupo Pão de Açúcar que caiu há dez
dias em Maresias, técnicos do Serviço Regional de Aviação Civil (Serac-4)
garantem que não houve falha mecânica. Para os técnicos, tudo indica
que uma série de falhas do piloto, que pode ter sido surpreendido pelo
mau tempo, provocou a queda do helicóptero.
— Dentro de três meses teremos concluído o inquérito, mas posso
adiantar que o acidente será classificado como Control Flight Into
Terrane . Ou seja, o vôo estava sob controle, com os comandos
funcionando, quando, por descuido do piloto, que voava baixo demais,
houve o choque do aparelho com uma onda, possivelmente depois de ele ser
deslocado por uma rajada de vento — disse o coronel Antonio Junqueira,
chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos
(Cenipa) da Aeronáutica.
No acidente morreram o piloto Ronaldo Ribeiro e a modelo Fernanda Vogel.
Em nota, o Departamento de Aviação Civil (DAC) diz que não encontrou
qualquer problema nos motores do helicóptero, que já foram periciados.
O painel e demais instrumentos serão examinados no Centro de Tecnologia
Aeronáutica (CTA), em São José dos Campos.
O coronel diz acreditar que, como fazia vôo visual, já que o heliponto
de Maresias não tem instrumentos para orientar o pouso, o comandante
desceu quase ao nível do mar.
— Eles estavam acostumados a fazer isso. Como ninguém a bordo estava
com cinto de segurança ou coletes salva-vidas e os dois passageiros
liam jornais e revistas, segundo disse o co-piloto, isso nos leva a
concluir que não houve pane no aparelho. O piloto e o co-piloto estavam
tranqüilos, voando baixo, quando uma rajada de vento empurrou o
aparelho contra uma onda. Com isso, o helicóptero virou de lado e o
rotor bateu na água. Com o rotor danificado, não há o que fazer —
explicou o chefe do Cenipa.
Os técnicos do Serac-4 estão certos de que o acidente aconteceu pela
conjugação de falhas operacionais.
— A primeira delas é que não havia um plano de vôo, pois se
houvesse as autoridades de controle de vôo não teriam autorizado. O vôo
foi feito à revelia das normas. O tempo estava fechado e o piloto vinha
por instrumentos até chegar ao mar em Maresias. Ao chegar lá, ele
passou a fazer um vôo visual. Como não enxergavam nada, foram se
orientando pelo mar. Quando bateram na onda, o piloto e o co-piloto
levaram um susto. Esse tipo de vôo é impraticável. Não poderia ter
sido feito — disse o coronel Junqueira.
Ele não acredita em problemas no altímetro ou no painel:
— O Agusta é um dos helicópteros mais modernos do mercado. Ele tem rádio-altímetro,
que é preciso quanto à altura do aparelho. E esse equipamento indica
que ele estava praticamente taxiando, bem rente ao mar. O piloto sabia
que estava nessa posição. Eles já tinham feito outras descidas
semelhantes em Maresias, guiando-se pelo mar.
Além das falhas operacionais, o coronel Junqueira considera que o
piloto e o co-piloto descumpriram normas internacionais de aviação:
— Quando o helicóptero caiu no mar, eles deveriam ter orientado a
colocação dos coletes e o uso dos bancos como bóias.
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Quarta, 8
Transbrasil poderá perder dois jatos
arrendados.
A empresa australiana de leasing de aviões
Ansett decidiu retomar dois jatos Boeing 737-300 arrendados à
Transbrasil por falta de pagamento das prestações mensais. Se
concretizada, a entrega das aeronaves representará o encolhimento de
22% na frota de jatos 737 da empresa, basicamente usados no tráfego doméstico.
A Transbrasil tem nove desses aviões e cinco 767. Do total de 14 jatos
da frota, nove estão em operação. O resto parou para manutenção,
informou a companhia.
- O pedido de retomada dos aviões foi
confirmado por Steve Travis, vice-presidente de vendas para a América
da Ansett, por telefone, de Seattle, Estados Unidos. “Solicitamos
porque estão endividados conosco e já que não podem manter o
pagamento, o pedido foi feito”, disse Travis. O executivo não
revelou o valor da dívida da Transbrasil. Um especialista do setor
informou, contudo, que o arrendamento de cada avião desse tipo
sairia por cerca de US$ 230 mil.
- A solicitação da Ansett foi feita
diretamente ao presidente da Transbrasil, Celso Cipriani, e ao
vice-presidente, Flávio Carvalho que informou que a empresa está
revendo os contratos com as empresas de leasing, dentre elas a
Ansett. Disse também que as negociações com a empresa australiana
ainda estão em curso e que um de seus dois 737-300 está em manutenção
e o outro permanece voando.
- Mesmo assim, a expectativa da Ansett
era de que os aviões deverão ser devolvidos nos próximos dias.
Pelo menos um deles já estaria sendo preparado para a devolução.
Travis disse que advogados da Ansett já estavam em contato com a
companhia aérea, tratando dos documentos relativos à devolução.
- A demanda da Transbrasil caiu 8,6% em
julho, com relação ao mesmo período em 2000. A taxa de
aproveitamento dos aviões melhorou, contudo, de 68% para 81%, por
conta de um ajuste na oferta de vôos, que foi reduzida em 23%. A
empresa vem buscando concentrar a aposta em vôos de maior
rentabilidade e retorno ao capital investido. Hoje, voa apenas para
Miami e Buenos Aires na rota internacional e, no início de agosto,
fez novo ajuste nas suas rotas.
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Quarta, 8
Governo estuda a liberação das tarifas aéreas.
O Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac),
que reúne os Ministérios do Desenvolvimento, da Defesa, da Fazenda e o
Comando da Aeronáutica, além do Departamento de Aviação Civil (DAC)
e da Infraero, discutirá amanhã, em Brasília, a liberação total dos
preços das passagens aéreas. O DAC já antecipou que apresentará
parecer favorável à liberação integral, que poderá ser decidida no
mesmo dia, segundo fonte de uma das Pastas envolvidas no assunto.
Atualmente, a liberdade para fixar tarifas vigora apenas para um grupo
de 11 aeroportos.
- Na prática, cerca de metade do tráfego
doméstico do País ainda está sob controle de tarifas por parte do
governo. Antigo pleito das companhias, a liberação vale hoje só
para o tráfego entre oito cidades, responsáveis por cerca de 50%
dos vôos domésticos: Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo, Belo
Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis e Campinas.
- "A posição do DAC é muito
clara", disse Venâncio Grossi, diretor-geral do órgão,
citando, porém, que a decisão final caberá aos ministros. Além
do DAC, a Fazenda também deverá apresentar sua avaliação sobre o
assunto, que se arrasta no governo desde o fim de 1999. Em outubro
desse ano, a liberação chegou a ser anunciada como assunto
praticamente definido pelo comandante anterior da Aeronáutica,
Walter Brauer, num jantar com executivos do setor.
- No dia, os presidentes de empresas aéreas
aplaudiram a notícia. Mas a liberação foi abatida em pleno vôo.
Alegou-se, à época, o risco de as empresas aéreas aumentarem os
preços justamente no período da alta temporada de verão,
acompanhado da possibilidade de redução de rotas de menor
interesse e até de desemprego no setor.
- Atualmente, nas áereas já liberadas
pelo governo, não houve "excessos", informou Grossi. O
diretor-geral disse que o DAC vem acompanhando de perto a evolução
das tarifas. Nos aeroportos onde ainda vigora o controle de preços,
as empresas requereram aumentos médios de 22%, há quase dois
meses, ainda não autorizados. Uma fonte do setor informa que o
Ministério da Fazenda está na reta final da análise e a aprovação,
provavelmente em níveis inferiores aos solicitados, deverá sair
nos próximos dias.
- A lei ainda em vigor prevê apenas um
reajuste ao ano para as tarifas controladas. Como o prazo venceu em
junho, as empresas alegam que estão com defasagem de valores.
Perguntado se as empresas poderiam acionar judicialmente o governo
para recuperar as perdas, o presidente do Sindicato Nacional de
Empresas Aéreas, George Ermakoff, limitou-se a dizer: "É uma
possibilidade".
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Segunda, 6
Puma Air Linhas Aéreas deve oferecer vôos
em seis meses
A Puma Air Linhas Aéreas é a mais nova candidata a operar com linhas
regulares no país. O Departamento Nacional de Aviação Civil (DAC)
estima que em seis meses a empresa deverá começar a oferecer vôos que
ligam Belém (PA) a Palmas (TO) e a diversas outras cidades da Região
Norte. A Puma recebeu autorização para seu funcionamento jurídico e,
falta apenas, a licença para começar a voar.
Outras duas empresas charters (sem rotas
e horários fixos), a BIA (Brazilian International Airways) e a Promodal
também obtiveram a mesma autorização. A BIA vai fazer vôos do Rio e
São Paulo para os Estados Unidos, enquanto a Promodal vai levar carga
de São Paulo para outras capitais do país.
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Segunda, 6
Até dezembro saberemos quem vai fornecer os
caças para a FAB
Com aviões carregados de drogas e armas de tráfico voando sobre a Amazônia,
a Força Aérea Brasileira (FAB) começou o processo de licitação de
novos caças.
O governo alocou R$ 700 milhões para
comprar 24 aviões de caça que equiparão as esquadrilhas supersônicas
da FAB, que hoje é composta de 750 aviões. Mais da metade das
aeronaves estão em terra devido às restrições de orçamento e à
falta de peças sobressalentes. Mas o governo exige aviões de primeira
linha e a transferência de tecnologia. Esse pedido de ouro colocou o
Brasil em conflito direto com os Estados Unidos, que durante um quarto
de século adotam a política de não vender seus armamentos avançados
para a América Latina, quanto mais ensinar o know-how.
A França, no entanto, está entusiasmada
com a demanda brasileira. Para os Estados Unidos, um acordo entre Brasil
e França seria uma derrota não somente no sentido financeiro. Com a
tecnologia francesa nas mãos, o Brasil será capaz de fazer aviões de
caça mais baratos para vender para os países do Terceiro Mundo,
independentemente da influência dos EUA , que freqüentemente utiliza a
venda de armas para influenciar aliados e estabelecer o poder.
Sete companhias de cinco países,
incluindo a Rússia, a Suécia e a Itália, vêm fazendo um lobby
agressivo frente ao governo brasileiro durante meses numa disputa para
ver quem ganha a licitação. ''Os americanos têm preços bons, mas as
máquinas que eles estão oferecendo não são as mais modernas.
O nome do ganhador deverá ser conhecido
até dezembro, mas todos o sinais apontam para a França, a menos que
reine, no último minuto, a pressão americana. No momento, a França
tem uma importante vantagem. Em 1999, Dassault e três outras companhias
francesas adquiriram 20% da Embraer, a maior exportadora brasileira de
aeronaves. Fundada pela FAB em 1969 para fazer treinos militares e
patrulhar os aviões, a Embraer foi privatizada em dezembro de 1994 e
tornou-se a quarta maior fabricante de aviões comerciais do mundo graças
ao grande sucesso da linha de jatos regionais.
Os Estados Unidos, por outro lado,
impuseram um embargo para as vendas de sistemas de armamentos avançados
para a América latina em 1977, durante o governo Carter. Como
resultado, a América do Sul tem gastado menos em armas nas últimas
duas décadas do que qualquer outra região do mundo.
A embaixada americana em Brasília não
quis comentar o processo de licitação. Mas uma decisão do Brasil de
conceder o contrato para a França daria, claramente, ao Chile e a
outros compradores de armas em potencial na América Latina um meio de
pressionar os Estados Unidos a fornecer equipamentos avançados.
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Segunda, 6
Helicóptero de Diniz chegou ontem
em Osasco para perícia.
Uma equipe de dez mergulhadores do Corpo de
Bombeiros e da Aeronáutica e um representante da Agusta, fabricante do
helicóptero do grupo Pão de Açúcar, que caiu em Maresias, em São
Sebastião, começaram no sábado a perícia preliminar
para estudar as causas do acidente.
O grupo do Serac-4 (Serviço Regional de Aviação Civil), do Pára-Sar,
grupamento de salvamento e resgate da aeronáutica e dos bombeiros
mergulharam com o objetivo de tirar fotos da carcaça.
Após a perícia preliminar, a
aeronave foi transportada ontem para o município de Osasco, para a
empresa autorizada Agusta.
Inicia-se agora outra etapa da
perícia, onde os técnicos enviados pelo fabricante, da autorizada no
Brasil e a equipe da Aeronáutica procuram por evidências de uma
possível falha mecânica. Trata-se de uma etapa demorada, que requer a
análise detalhada de muitos componentes da aeronave.
Algumas partes do Helicóptero serão
levadas para o Centro Técnico Aeroespacial, em São José dos Campos -
SP
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Domingo, 5
Falha humana é a maior causa de
acidentes
Estatística do Departamento de Aviação
Civil (DAC) revela que 79% dos acidentes aéreos envolvendo helicópteros
no país são causados por falha humana. Além de erros do piloto, são
considerados falha humana erros de comunicação da torre, falha na
manutenção dos aparelhos, erro de interpretação de equipamentos e até
mesmo de avaliação meteorológica. Hipóteses que estão sendo
investigadas pelo DAC no caso da queda do helicóptero do grupo Pão de
Açúcar, que provocou a morte da modelo Fernanda Vogel e do piloto
Ronaldo Ribeiro.
De acordo com as estatísticas, dos 50 acidentes aéreos ocorridos em
2000, 12 envolveram helicópteros, totalizando 24% dos casos. Um número
proporcionalmente alto se comparado com a frota nacional. Das 10.478
aeronaves em operação no país, apenas 875 (8,3%) são helicópteros.
Para o presidente da Associação de Pilotos de Helicópteros do Rio,
Rogério Izzo, o principal problema é a falta da obrigatoriedade de
treinamento regular, como acontece nas aviações civil e comercial:
— Os acidentes em geral são causados por falha humana, seja ela na
manutenção do helicóptero, na má avaliação sobre as condições do
tempo ou mesmo por erro de pilotagem. O DAC é muito exigente com a aviação
civil. Os treinamentos regulares são obrigatórios para que os pilotos
estejam sempre bem preparados. Essa obrigatoriedade deveria ser cobrada
também na aviação executiva.
Segundo ele, não há como comparar a segurança entre aeronaves. Izzo
garante, no entanto, que o helicóptero é seguro e que viagens litorâneas
não oferecem risco:
— As pessoas dizem que cidades como Angra dos Reis são perigosas por
causa das bruscas mudanças de tempo. Até onde sei só houve dois
acidentes de helicóptero em Angra, uma das cidades mais procuradas para
esse tipo de turismo. Aliás, a região serrana sofre muito mais a influência
da mudança de tempo.
Izzo lembra que o piloto tem que informar seu plano de vôo à torre da
área em que estiver passando.
— Ele pode fazer essa comunicação pelo rádio do helicóptero e não
precisa ser feita previamente. Mas não pode deixar de informar. É uma
questão de segurança — explicou.
Piloto desde 1985 e com 7.500 horas de vôo, Izzo comemora o fato de
nunca ter sofrido qualquer acidente:
— Trabalho em off-shore , em plataformas de petróleo, que é
um tipo específico de vôo. Temos 38 helicópteros operando em todo o
país. Estamos sempre em treinamento. Quanto mais horas de vôo tiver o
piloto, maior segurança terá.
Segundo o presidente da associação, o Brasil está abaixo da estatística
mundial de acidentes. Mesmo assim, toda vez que ocorre um acidente
envolvendo um helicóptero há uma retração no volume de vôos:
— Existe uma estatística mundial de um acidente para cem mil horas de
vôo.
Nos últimos quatro anos, o mercado de helicópteros no Brasil cresceu
1,9%. Em 97, dos 9.786 aparelhos, apenas 628 (6,4%) eram helicópteros.
Segundo Izzo, São Paulo é o estado que registra o maior crescimento da
frota, principalmente por causa dos problemas de trânsito e de segurança.
No Rio, são cerca de 150 helicópteros. As rotas mais disputadas são
para Angra e Região dos Lagos. O preço de uma viagem para Angra varia
de R$ 1.400 a R$ 1.800. Para Búzios, a viagem custa, em média, R$
2.300.
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Domingo, 5
No céu de São Paulo, o limite da segurança
Os últimos acidentes com helicópteros no País trouxeram à tona
antigas discussões. Há consenso de que esse é um meio de transporte
seguro, mas talvez até por isso cada vez mais pessoas usam o aparelho
como se fosse um carro. Ignoram riscos e pressionam pilotos a decolarem,
mesmo sob condições desfavoráveis. Uma situação que preocupa a
Aeronáutica, num quadro de crescimento da frota.
- "Sem dúvida isso acontece", disse o chefe do Serviço
Regional de Proteção ao Vôo (SRPV) de São Paulo, tenente-coronel
aviador Hélio da Silva Filho. "Se o piloto diz que o vôo não
pode ser realizado e outro é chamado e afirma o contrário, ele
fica com fama de medroso", disse. "A consciência do
piloto é imprescindível para a segurança."
- O tenente-coronel alerta também para outro fenômeno, a banalização
dos helicópteros. "Um modelo Robinson 22 custa US$ 300 mil.
Para um empresário, isso não é nada. Com R$ 700 mil ele sai
voando. Hoje, todo mundo é comandante."
- Segundo o Departamento de Aviação Civil (DAC), São Paulo é a
terceira cidade do mundo em movimento de helicópteros e a segunda
em frota, perdendo apenas para Nova York. Há 862 aparelhos no
Brasil, 45% deles no Estado de São Paulo. A quantidade de pousos e
decolagens cresceu 25% nos últimos dois anos. De acordo com o chefe
do SRPV, porém, a frota pode continuar aumentando e mesmo assim o
transporte continuará seguro. "Basta que todos respeitem as
regras."
- Represálias - Pilotos só falam sobre o assunto com uma
condição: não ter o nome revelado. A justificativa é que,
"certamente", sofreriam represálias. "As pressões
ocorrem e as normas são desrespeitadas, pondo em risco quem está
em cima e quem está embaixo", afirma V.F., de 33 anos, piloto
de helicóptero há 9. "Acontece mais com os novos, que têm
medo de perder o emprego ou ficar 'queimados'."
- Em pelo menos um acidente aéreo recente o DAC investigou a
possibilidade de o piloto ter sofrido pressões para decolar. Isso
teria ocorrido com o comandante Geraldo Antonio da Silva, que
pilotava o bimotor que caiu sobre cinco casas na Vila Anhangüera,
zona sul. O acidente aconteceu sob chuva forte, na noite de 16 de
dezembro. Morreram no desastre Silva, o co-piloto e cinco parentes
que tinham viajado de Maringá para São Paulo para assistir ao
enterro de um empresário. A investigação prossegue, mas em caráter
sigiloso.
- Segundo o chefe do SRPV, a fiscalização não consegue pegar
todas as transgressões. "Se um helicóptero quiser sair de um
corredor ou de um prédio para outro e não fizer a comunicação, não
temos como saber." Vôos abaixo da altura mínima também não
são flagrados pelos radares. "Se abaixarmos o 'prato' do
radar, passaremos a pegar os carros. É assim no mundo todo",
disse. "As pessoas precisam nos avisar se virem um aparelho
dando vôos rasantes."
- Conscientização - Autoridades do 4.º Serviço Regional
de Aviação Civil (Serac-4), em São Paulo, já tinham dito ao
Estado que essa é uma preocupação real. Uma campanha de
conscientização para que pilotos não cedam diante de pressões de
donos de helicópteros e aviões estava sendo cogitada.
- Em meio à turbulência causada pelo acidente com o helicóptero
do Grupo Pão de Açúcar - que causou a morte do piloto Ronaldo
Jorge Ribeiro e da modelo Fernanda Vogel -, o atual comandante do
Serac-4, coronel Marco Aurélio Sendin, garantiu que não ouviu
falar sobre o assunto, porque assumiu o cargo há pouco tempo.
"Sou novo aqui. Assumi há menos de três meses e não tenho
conhecimento ainda desse fator. Só após mais tempo por aqui,
conversando com os pilotos, interagindo", completou.
- Para o chefe do SRPV, uma campanha de conscientização poderia
trazer bons resultados. "Seria muito interessante, quem sabe
com a participação da Associação de Pilotos de Helicópteros do
Estado de São Paulo (Aphesp)." A reportagem entrou em contato
com a Aphesp, mas nenhum representante respondeu às ligações. A
associação divulgou nota na quinta-feira, informando que não
falaria mais com a imprensa, que seria responsável pela divulgação
de "declarações totalmente inverídicas de fontes
duvidosas" sobre o acidente com o helicóptero de Diniz.
(Colaborou Carlos Araújo)
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Domingo, 5
Banalização preocupa Aeronáutica
Os últimos acidentes com helicópteros no País trouxeram à tona
antigas discussões. Há consenso de que esse é um meio de transporte
seguro – e por isso cada vez mais pessoas usam o aparelho como se
fosse um carro, ignorando riscos e pressionando pilotos a decolar, mesmo
sob condições desfavoráveis. A situação preocupa a Aeronáutica,
num quadro de crescimento da frota.
- “Sem dúvida isso ocorre”, diz o chefe do Serviço Regional de
Proteção ao Vôo (SRPV) de São Paulo, tenente-coronel aviador Hélio
da Silva Filho. “Se o piloto diz que o vôo não pode ser
realizado e outro é chamado e afirma o contrário, ele fica com
fama de medroso”, disse. “A consciência do piloto é imprescindível
para a segurança.”
- O tenente-coronel alerta também para outro fenômeno, a banalização
dos helicópteros. “Um modelo Robinson 22 custa US$ 300 mil. Para
um empresário, isso não é nada. Com R$ 700 mil ele sai voando.
Hoje, todo mundo é comandante.”
- Segundo o Departamento de Avião Civil (DAC), São Paulo é a
terceira cidade do mundo em movimento de helicópteros e a segunda
em frota, perdendo apenas para Nova York. Há 862 aparelhos no
Brasil, 45% deles no Estado de São Paulo. A quantidade de pousos e
decolagens cresceu 25% nos últimos dois anos. De acordo com o chefe
do SRPV, porém, a frota pode continuar aumentando e mesmo assim o
transporte continuará seguro. “Basta que todos respeitem as
regras.”
- Represálias
Pilotos só falam sobre o assunto com uma condição: não
ter o nome revelado. A justificativa é de que sofrerão represálias.
“As pressões ocorrem e as normas são desrespeitadas, pondo em
risco quem está em cima e quem está embaixo”, afirma V.F., de 33
anos, piloto de helicóptero há 9. “Ocorre mais com os novos, que
têm medo de perder o emprego.”
- Em pelo menos um acidente aéreo recente, o DAC investigou a
possibilidade de o piloto ter sofrido pressões para decolar. Isso
teria ocorrido com o comandante Geraldo Antonio da Silva, que
pilotava o bimotor que caiu sobre cinco casas na Vila Anhangüera,
na zona sul. O acidente ocorreu sob chuva forte, na noite de 16 de
dezembro. Morreram no desastre Silva, o co-piloto e cinco parentes
que tinham viajado de Maringá para São Paulo para assistir ao
enterro de um empresário. A investigação prossegue em caráter
sigiloso.
- Segundo o chefe do SRPV, a fiscalização não consegue pegar
todas as transgressões. “Se um helicóptero quiser sair de um
corredor ou de um prédio para outro e não fizer a comunicação, não
temos como saber.” Vôos abaixo da altura mínima também não são
flagrados pelos radares. “Se abaixarmos o ‘prato’ do radar,
passaremos a pegar os carros. É assim no mundo todo”, disse.
- Autoridades do 4.º Serviço Regional de Aviação Civil (Serac-4),
em São Paulo, já tinham afirmado que essa é uma preocupação
real. Uma campanha de conscientização para que pilotos não cedam
diante de pressões e com donos de helicópteros e aviões está
sendo cogitada
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Sábado, 4
Sindicato diz que pilotos são pressionados
a burlar regras do DAC
O risco de
uma demissão sumária ou de terminar a carreira com a patente reduzida
faz com que pilotos aceitem determinações de empresários para que
burlem as regras da aviação estipuladas pelo Departamento de Aviação
Civil (DAC).
A constatação é da presidente do
Sindicato Nacional dos Aeronautas, com sede no Rio de Janeiro, Graziela
Baggio, que não poupou fôlego para criticar a ineficiente fiscalização
do setor.
"O DAC não tem capacidade para
fiscalizar todas as empresas", disse Graziela, hoje, revelando em
seguida a forma como os empresários pressionam os profissionais para
voar mesmo em condições inadequadas.
"Se o piloto não cumprir as regras
será demitido ou, como acontece em alguns casos, rebaixado de
comandante para co-piloto".
Segundo ela, é pouco comum receber no
sindicato pilotos que denunciam patrões. No mês passado, lembrou
Graziela, uma companhia aérea chegou a suspender, por 29 dias, três
pilotos que se recusaram a exceder as horas de vôo.
A indústria de aviação tem hoje mil
pilotos empregados com carteira assinada. Outros sete mil têm licença
para voar, e, neste caso, a maioria trabalha para pequenos empresários
espalhados pelo país.
Mas Graziela reclama mesmo é do trabalho
do DAC. Para ela, o processo para investigar uma denúncia é demorado e
quase sempre não tem resultados contrários aos interesses
empresariais. Ou seja, as reclamações feitas por aeronautas não têm
eco neste segmento.
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Sábado, 4
Aeronáutica fará perícia
em helicóptero acidentado do Pão de Açúcar
Uma equipe de dez mergulhadores do Corpo de Bombeiros e da Aeronáutica
e um representante da Agusta, fabricante do helicóptero do grupo Pão
de Açúcar que caiu em Maresias, em São Sebastião, começaram, às
11h, a perícia preliminar para estudar as causas do acidente com a
aeronave.
O grupo do Serac-4 (Serviço Regional de Aviação Civil), do Pára-Sar,
grupamento de salvamento e resgate da aeronáutica e dos bombeiros
mergulharam com o objetivo de tirar fotos da carcaça e analisar o
estado geral do helicóptero.
O oficial de segurança do DAC (Departamento de Aviação Civil) Wagner
Cyrillo Júnior não forneceu detalhes da operação e disse apenas que
pretendia que as primeiras investigações fossem realizadas ainda no
mar e, caso isso não fosse possível, tentaria fazer a retirada do
helicóptero.
Até às 11h30, os mergulhadores não haviam concluído se a análise
preliminar poderia ser realizada no local e nem se a aeronave poderia
ser retirada.
A carcaça do helicóptero foi encontrada ontem por volta das 11h30, por
quatro mergulhadores civis, a 17,5 metros de profundidade, no Canto da
Moreira, sentido sul de Maresias, a 1,5 km do local do acidente.
Para o DAC, a carcaça é considerada peça fundamental nas investigações
para esclarecer os motivos do acidente.
Segundo Cyrillo, o departamento não pode apontar as causas do acidente
sem a análise do helicóptero porque há mais de dez hipóteses para a
queda da aeronave na semana passada.
A confirmação dos motivos para o acidente somente devem ser divulgadas
dentro de um ano, após as apurações.
O DAC analisa, entre as
hipóteses, a possibilidade de falha mecânica e do acidente ter sido
provocado pelo mau tempo causado pela passagem de uma frente-fria no
litoral norte.
O helicóptero, depois de içado, deve ser enviado ao laboratório do
DAC em São Paulo ou ao CTA (Centro Técnico Aeroespacial), em São José
dos Campos.
Uma perícia com o objetivo de identificar a causa ou as causas de um
acidente pode demorar, pois envolve desde o plano de vôo, as
condições do tempo, a manutenção da aeronave, a atitude do
empresário, do piloto até as condições e comportamento da aeronave
no momento da queda, isso será visto pelos destroços, e se possível
pelo o que registravam os mostradores do painel da aeronave no momento
da queda. É um trabalho que consome muitas horas de trabalho, registros
e relatórios, onde dezenas de especialistas estarão envolvidos.Pela manhã, somente seis
homens do Corpo de Bombeiros e um navio do grupamento do Guarujá
estavam no local para impedir que curiosos e mergulhadores civis se
aproximassem da aeronave.
Os 70 homens e os navios, lanchas, botes e helicópteros vindos de
Ubatuba, Santos, Guarujá e São Paulo utilizados na megaoperação de
buscas começaram a deixar a cidade ontem, após a localização do
corpo da modelo Fernanda Vogel e da carcaça da aeronave.
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Sexta, 03
Bombeiros encontram corpo
de Fernanda Vogel
O Corpo de Bombeiros encontrou o corpo de Fernanda Vogel entre as praias
de Paúba e Santiago, próximo a Maresias, litoral Norte de São Paulo,
perto das 7h45. A confirmação da identidade foi feita no IML, pelo
primo da modelo, Henrique Vogel de Oliveira, e pelo amigo da família,
Maurício Costa Ramos. Os bombeiros já tinham quase certeza da
identidade, pois o corpo tinha uma tatuagem tribal na nuca e outra na
perna, que correspondiam às da descrição da modelo. A equipe de
resgate procura por Fernanda desde a sexta-feira passada, quando o helicóptero
em que viajava com o namorado, o empresário João Paulo Diniz, caiu no
mar. Diniz e o co-piloto do helicóptero, Luís Roberto Cintra,
sobreviveram ao acidente e passam bem.
Dois soldados que estavam em um bote inflável
do Corpo de Bombeiros resgataram o corpo de Fernanda boiando a cerca de
400 metros da arrebentação. O local é muito próximo de onde o piloto
Ronaldo Jorge Ribeiro, que morreu no mesmo acidente, foi localizado na
terça-feira. Fernanda deve ser enterrada ainda hoje, no Rio de Janeiro.
A delegacia de São Sebastião, cidade
onde fica Maresias, abriu inquérito para apurar as causas do acidente.
João Paulo Diniz e o co-piloto da aeronave foram chamados para prestar
depoimento. Existem dúvidas se houve falha humana. Ainda não há
informações se o piloto informou ao Departamento de Aviação Civil
que estava indo para Maresias apesar do mau tempo. O INPE e outros
institutos de meteorologia avisavam que o tempo no litoral Norte de São
Paulo estava ruim. A decisão de voar para o local, de acordo com
oficiais da aeronáutica, seria de responsabilidade do piloto.
O Grupo Pão de Açúcar divulgou hoje
nota oficial desmentindo que João Paulo Diniz tenha forçado o piloto a
voar até Maresias apesar do mau tempo. "Toda e qualquer decisão
de vôo em qualquer uma das aeronaves do Grupo Pão de Açúcar é
tomada única e exclusivamente pelo comandante", afirma a nota. O
heliponto em Maresias não tinha capacidade para fazer pouso por
instrumentos e, de acordo com o dono do local, o piloto estaria ciente
do mau tempo na região.
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Sexta, 03
Piloto de Diniz estava
"por conta e risco próprios"
O piloto Ronaldo Jorge
Ribeiro estava ""por conta e risco próprios" ao se
aproximar de Maresias (litoral norte de SP) no helicóptero do grupo Pão
de Açúcar, de acordo com o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.
Caso julgasse arriscado descer, por causa da forte chuva, deveria
abortar a operação e deslocar-se para o local seguro mais próximo, no
caso, a cidade de Santos.
Segundo a assessoria da Aeronáutica, Ribeiro poderia ter se informado
sobre as condições do tempo no litoral paulista ainda no aeroporto do
Campo de Marte, em São Paulo, de onde ele decolou na sexta-feira por
volta das 16h30.
Após uma parada no heliponto do grupo Pão de Açúcar, na avenida
Brigadeiro Luiz Antonio, por volta das 17h30, seguiu para Maresias, onde
o helicóptero ficou no centro de um ciclone. Ribeiro morreu no
acidente.
Ventos
A passagem do ciclone pode ter provocado a queda do helicóptero,
segundo o meteorologista do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e
Estudos Climáticos) Fernando Lemos.
De acordo com ele, durante a ocorrência do fenômeno na última
sexta-feira, os ventos atingiram até 25 km/h, o triplo da velocidade
que normalmente é registrada na região.
A aeronave, segundo o co-piloto Luís Roberto de Araújo Cintra, 35,
caiu no mar de ponta cabeça. Cintra e João Paulo Diniz conseguiram
nadar 3 km até a praia. Um dia após a queda, segundo os bombeiros, a
região registrou rajadas de vento de até 40 km/h.
Os efeitos da frente fria se estenderam da região central de São Paulo
até a região sul do Rio de Janeiro, mas estavam mais intensos no
litoral norte paulista, especificamente no oceano, local onde o ciclone
foi formado.
O CPTEC prevê a ocorrência de frentes frias e, consequentemente, a
formação de ciclones, com dois dias de antecedência. As previsões do
centro estão disponíveis no site www.cptec.inpe.br.
Segundo o meteorologista Sérgio Calbete, os dados climáticos também são
trocados com a Aeronáutica, que elabora uma previsão própria e as
distribui para os aeroportos espalhados pelo país.
A partir dessa carta do tempo, disse Calbete, é que as rotas de vôos são
elaboradas e os pilotos podem decidir se há condições ou não para as
viagens.
"O aeroporto dá as orientações para os vôos, e o piloto sabe
disso. Se mesmo assim ele decide prosseguir viagem, ele deve assumir os
riscos", afirmou Calbete.
Lemos disse que os ventos e chuvas do ciclone com a intensidade
observada na sexta-feira podem causar instabilidade e prejudicar os vôos
de qualquer aeronave, principalmente de helicópteros, mas as condições
são normalizadas após três horas.
"No momento do ciclone não há condições de vôo, mas se o
piloto esperar as três horas, ele pode voar por cima das nuvens e não
enfrentar dificuldades", disse.
O piloto Ribeiro não tinha como saber exatamente a situação do tempo
em Maresias, durante o vôo até a praia, porque não existe estação
meteorológica na região. Segundo a Aeronáutica, os dados sobre as
condições climáticas são fornecidas, em geral, pela torre de
controle de São Paulo.
Os pilotos podem ainda, de acordo com o DAC (Departamento de Aviação
Civil), comunicar-se com qualquer torre próxima para obter informações
meteorológicas. No caso, Santos ou São José dos Campos.
Em aeroportos com controle de vôo, por exemplo, há um novo boletim
meteorológico a cada 30 minutos para guiar os pilotos que se aproximam.
As informações são passadas via rádio.
O heliponto onde o helicóptero desceria é privado, homologado pelo
DAC, mas não possui um centro de controle de vôo. Não há exigência
disso na lei.
Laudo
O laudo da morte do piloto Ronaldo não conseguiu apontar o dia em que
ele teria morrido.
Confirma apenas que a morte do piloto foi por afogamento, já que seu
corpo não apresentava nenhum hematoma ou outro sinal que indicasse
algum tipo de traumatismo.
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Sexta, 03
Helicóptero estava no "olho" de
ciclone.
O helicóptero do grupo Pão de Açúcar que
caiu na praia de Maresias, em São Sebastião (SP), há uma semana,
estava no centro de um ciclone extratropical, que atingiu a faixa que
vai da região central do Estado de São Paulo até o sul do Rio de
Janeiro.
A informação é do CPTEC (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos),
órgão ligado ao Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que
havia distribuído na quarta-feira, dois dias antes do acidente,
comunicado sobre a ocorrência do ciclone.
Segundo o centro meteorológico, uma frente fria intensa, responsável
pela formação do ciclone, passaria pelo litoral norte de São Paulo
entre 17h e 19h de sexta-feira da semana passada.
O helicóptero, que levava o empresário João Paulo Diniz, 37, e a
modelo Fernanda Vogel (desaparecida), 20, além de dois pilotos, saiu do
heliporto particular do Pão de Açúcar, localizado na avenida
Brigadeiro Luiz Antonio, em São Paulo, às 17h30, quando o fenômeno
meteorológico já ocorria na área de Maresias.
O ciclone é caracterizado pelo encontro de duas massas de ar -uma fria
e outra quente-, que provocam mudanças na direção e velocidade dos
ventos e trazem chuvas e nebulosidade, o que pode ter dificultado a
visibilidade do piloto da aeronave, Ronaldo Jorge Ribeiro, 47, na hora
do pouso. Ribeiro morreu no acidente.
A passagem do ciclone pode ter provocado a queda do helicóptero,
segundo o meteorologista do CPTEC Fernando Lemos. De acordo com ele,
durante a ocorrência do fenômeno no dia do acidente, os ventos
atingiram até 25 km/h, o triplo da velocidade normalmente registrada na
região.
A aeronave, segundo o co-piloto Luís Roberto de Araújo Cintra, 35,
caiu no mar de ponta cabeça. Cintra e Diniz conseguiram nadar 3 km até
a praia.
Um dia após a queda, segundo os bombeiros, a região registrou rajadas
de vento de até 40 km/h.
Os efeitos da frente fria se estenderam da região central de São Paulo
até a região sul do Rio de Janeiro, mas estava mais intensa no litoral
norte paulista, especificamente no oceano, local onde o ciclone foi
formado.
O CPTEC prevê a ocorrência de frentes frias e, consequentemente, a
formação de ciclones, com dois de antecedência. As previsões do
centro estão disponíveis no site www.cptec.inpe.br .
Segundo o meteorologista Sérgio Calbete, os dados climáticos também são
trocados com a Aeronáutica, que elabora uma previsão própria e as
distribui para os aeroportos espalhados pelo país.
A partir dessa carta do tempo, disse Calbete, é que as rotas de vôos são
elaboradas e os pilotos podem decidir se há condições ou não para as
viagens. "O aeroporto dá as orientações para os vôos, e o
piloto sabe disso. Se mesmo assim ele decide prosseguir viagem, ele deve
assumir os riscos."
Lemos disse que os ventos e chuvas do ciclone com a intensidade
observada na sexta-feira podem causar instabilidade e prejudicar os vôos
de qualquer aeronave, principalmente de helicópteros, mas as condições
são normalizadas após três horas.
"No momento do ciclone não há condições de vôo, mas se o
piloto esperar as três horas, ele pode voar por cima das nuvens e não
enfrentar dificuldades", disse.
O piloto Ribeiro não tinha como saber exatamente a situação do tempo
em Maresias, durante o vôo até a praia, porque não existe estação
meteorológica na região. Segundo a Aeronáutica, os dados sobre as
condições climáticas são fornecidas, em geral, pela torre de
controle de São Paulo.
Os pilotos podem ainda, de acordo com o DAC (Departamento de Aviação
Civil), comunicar-se com qualquer torre próxima para obter informações
meteorológicas. No caso, Santos ou São José dos Campos.
Em aeroportos com controle de vôo, por exemplo, há um novo boletim
meteorológico a cada 30 minutos para guiar os pilotos que se aproximam.
As informações são passadas via rádio.
O heliponto onde o helicóptero desceria é privado, homologado pelo
DAC, mas não possui um centro de controle de vôo. Não há exigência
disso na lei.
De acordo com o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, Ribeiro
poderia ter se informado sobre as condições do tempo no litoral
paulista ainda no aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo, de onde
ele decolou na última sexta-feira por volta das 16h30.
Em Maresias, o piloto estava ""por conta e risco próprio",
segundo a assessoria da Aeronáutica. Caso julgasse arriscado descer,
por causa da forte chuva, deveria abortar a operação e deslocar-se
para o local seguro mais próximo, no caso, Santos.
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Sexta, 03
Pão de Açúcar culpa piloto por vôo
O
grupo Pão de Açúcar responsabilizou ontem o piloto Ronaldo Jorge
Ribeiro pela decolagem do helicóptero que levava o empresário João
Paulo Diniz e sua namorada, Fernanda Vogel, numa viagem sem os
instrumentos de vôo necessários, sem comunicação oficial do destino
e sem consulta às condições meterológicas da região de pouso. ''O Pão
de Açúcar informa que toda e qualquer decisão de vôo em qualquer de
uma de suas aeronaves é tomada única e exclusivamente pelo comandante,
exatamente como aconteceu no vôo desta sexta-feira'', diz a íntegra da
nota. O avião caiu no começo da noite de sexta-feira causando a morte
do piloto e o desaparecimento no mar de Fernanda Vogel.
Com
a nota, o grupo pertencente à família Diniz tenta se eximir da
responsabilidade legal pelo acidente, já que as leis aeroviárias
afirmam que o comandante tem integral controle do vôo. Mas entidades de
classe apontam para o chamado ''constrangimento do dono'' - ordem de
seguir vôo para um determinado lugar dada pelo proprietário da
aeronave.
A
Associação de Pilotos de Helicóptero do Estado de São Paulo (APHESP)
afirmou ontem que é cedo para apontar culpados. ''Neste momento, seria
leviano por parte de quem quer que seja, fazer qualquer comentário
sobre as prováveis causas do acidente. Tenha sido o acidente ocasionado
por falha mecânica, operacional ou condições meteorológicas'',
informou, por meio de uma nota, o presidente da entidade, Carlos Mendes.
Pressão
-
As normas de vôo nem sempre são cumpridas. Muitas vezes os pilotos de
aviação executiva são pressionados a voar mesmo em condições de
risco. O presidente da Associação de Pilotos e Proprietários de
Aeronaves (APPA), comandante Décio Corrêa, reconhece o problema. ''A
norma da aviação é clara: o comandante é a maior autoridade a bordo.
Mas todos nós sabemos que existe sim um grande número de casos em há
uma forte pressão do patrão para efetuar certas operações que o bom
senso do comandante diz não'', declarou.
O
assunto é delicado para os pilotos. São poucos os que se arriscam a
comentar. Um profissional que preferiu não se identificar disse que os
pilotos que se recusam a voar em condições adversas perdem o emprego:
''Se perder meu emprego o que fazer, bater lata no meio da rua?'',
declarou. ''Quem tem um avião particular, um empresário com
necessidade de se deslocar com rapidez e conforto, não pode estar
sujeito a formalidades de linhas convencionais: Não é uma chuvinha que
vai me impedir de chegar ao meu destino. São pessoas acostumadas a ter
as ordens obedecidas'', afirmou Corrêa.
Desculpas
-
O presidente da APPA sabe de cor as alegações. ''São os famosos: eu
tenho um compromisso, minha família está esperando. São responsáveis
por boa parte dos acidentes na aviação.'' Há casos até em que o
piloto é ameaçado. ''Certa vez, em Curitiba, um piloto não quis
decolar por conta da chuva. Um deputado apontou a arma para o comandante
e o ameaçou. E o jatinho decolou'', contou Corrêa.
Segundo
o DAC, a frota nacional de helicópteros cresceu de 628 helicópteros em
1997 para 822 em 2000. O que significa um aumento de 30% da frota. Cerca
de 50% estão operando na Grande São Paulo. Em 2000, foram registrados
12 acidentes, com 13 mortos.
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Quinta, 02
DAC nega ter omitido
falhas do vôo de Diniz a Maresias
O Departamento de Aviação Civil (DAC) negou hoje, em nota oficial, que
tenha ocultado irregularidades referentes ao vôo do helicótero do
grupo Pão de Açucar, que caiu na costa de Maresias, litoral norte de São
Paulo, na última sexta-feira à noite. O comunicado foi emitido em
resposta a acusações feitas pelo Jornal do Brasil, que nas edições
de ontem e hoje afirmou que a aeronave não teria permissão para voar
até Maresias. O DAC, no entanto, apesar de negar a omissão de falhas,
não rebateu diretamente as acusações.
O helicóptero, segundo o jornal, estaria
autorizado apenas a voar do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo,
até a avenida Paulista, na região central da cidade. O DAC apenas
afirma que prefere não divulgar qualquer informação sobre o caso
antes de a investigação estar concluída.
Confira a íntegra da nota:
Sobre as investigações do
acidente com o helicóptero do empresário João Paulo Diniz. Em referência
ao que foi noticiado hoje (02 de agosto), no Rio de Janeiro, num dos
principais formadores de opinião deste país, o Departamento de Aviação
Civil tem a esclarecer que:
Não oculta e nem nunca ocultou qualquer
informação que seja do interesse da opinião pública. O DAC se
posiciona sempre de forma cuidadosa e responsável na condução das
investigações dos acidentes aeronáuticos, principalmente por seguir
fielmente o que preconiza as diretrizes internacionais (anexo 13 da
Convenção Internacional de Aviação Civil – "Investigação de
Acidentes e Incidentes Aeronáuticos").
Os dados de uma investigação são
preservados com o intuito único de se atingir o máximo de precisão
possível na análise dos fatos, tendo em vista exclusivamente a prevenção
de novos acidentes e a segurança de vôo.
Não cabe a este Departamento admitir
perigosas especulações sobre as possíveis causas, sobre
culpabilidades ou ainda tirar ilações sobre procedimentos que possam
prejudicar quem quer que seja. Vale lembrar que as conseqüências de um
julgamento realizado sem bases técnicas afetam moralmente e acima de
tudo emocionalmente os envolvidos num acidente.
Para finalizar, após concluída a
investigação, o DAC estará pronto para divulgar, por meio do Centro
de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), o
Relatório Final do acidente, bem como encaminhá-lo às autoridades
judiciais que o requisitarem. Assessoria de Comunicação Social do DAC
__________________________________________________________________________________________________________________________
Quinta, 02
Para meteorologia, ciclone
poderia ocorrer onde helicóptero caiu
A presença da frente fria, com ventos e mar agitado, com ondas altas,
era a previsão da meteorologia para o litoral norte de SP onde ocorreu
a queda do helicóptero do Grupo Pão de Açúcar, na última
sexta-feira, dia 27.
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou que
dois dias antes do acidente já havia a previsão da passagem de uma
frente fria no Estado, acompanhado do "ciclone
extra-tropical".
O Inpe não fornece boletins para os aeroportos, mas informou que
"qualquer meteorologista teria acesso à informação" sobre a
ocorrência de um "sistema de baixa pressão" , outra denominação
para ciclone extra-tropical.
"Qualquer um poderia ter acesso às imagens e às previsões do
tempo do Cptec/Inpe", segundo a meteorologista Glaucia Meira
Carneiro, do Inpe. Antes de qualquer vôo os pilotos são obrigados a
verificar as condições de tempo do destino. O DAC (departamento de
Aviação Civil) confirma essa informação.
Segundo o Inpe, o ciclone extra-tropical é muito diferente do ciclone
tropical, ou furacão. O extra-tropical é uma região onde a pressão
atmosférica é mais baixa e ventos convergem, fazendo massas de ar
quente e frio se encontrarem e formarem as frentes. A chegada de uma
frente fria é marcada por queda de pressão atmosférica, ventos
moderados vindos de Sul, com rajadas, geralmente muita nebulosidade e
queda de temperatura. O ciclone acompanha a frente.
Ainda segundo o Instituto, é pela pressão atmosférica que o piloto se
guia para conhecer sua altitude, principalmente se não tiver
visibilidade.
"Com certeza a Aeronáutica deve ter previsto isso porque tem
acesso às imagens. Cada aeroporto tem um departamento de
meteorologia", disse. A frente fria era prevista como
"normal", mas os ventos, dois dias antes da queda do helicóptero,
já eram classificados de "moderados". Ou seja, poderiam
aumentar nos dias seguintes.
"Foi imprudência saber que tinha frente fria com ventos e seguir
viagem", afirmou a meteorologista.
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Quinta, 02
- Gol já tem 5,8 % do mercado
-
- A novata Gol, que entrou no mercado de
aviação em janeiro deste ano, chegou ao fim do primeiro semestre
com metade do tamanho de mercado da Transbrasil, que começou a voar
em 1956, ainda com o nome de Sadia Transportes Aéreos. Em junho, a
companhia do empresário Nenê Constantino, ficou com 5,08% do tráfego
doméstico. Já a Transbrasil, fundada por Omar Fontana, conseguiu
10,4%.
- Os movimentos parecem opostos.
Enquanto a Gol receberá o oitavo Boeing 737-700 na semana que vem e
o nono no mês seguinte, a Transbrasil, que em maio operava 14 aviões,
voa hoje com 9 jatos. Acredita-se que a jovem empresa poderá
reduzir ainda mais a distância que a separa da Transbrasil nos próximos
meses. Terá, contudo, de vencer o desafio de voar, agora, em época
sem férias ou feriados prolongados.
- "Acho que o período entre agosto
e novembro será decisivo para um julgamento final", diz o
consultor Paulo Bittencourt Sampaio, um dos responsáveis pelos
estudos para a criação do transporte aéreo regional no País. A
análise é de que, até agora, a Gol, que tem buscado cobrar 35% a
menos que as concorrentes, brilhou intensamente em períodos
marcados por tempo livre para viagens de turismo.
- No mês passado, a
companhia bateu novo recorde de movimento: transportou mais de 200
mil passageiros, com pelo menos 70% dos assentos dos jatos ocupados.
Até dezembro, contudo, o quadro será diferente.
- Mas a perspectiva não preocupa tanto
os acionistas da Gol. "Nossas pesquisas mostram 98% de satisfação
dos clientes e nossa percepção é de que o fluxo de passageiros
vai gerar mais tráfego nos próximos meses", disse Constantino
de Oliveira Júnior, presidente da empresa e filho de Nenê
Constantino.
- Tanto que Oliveira Júnior admite que,
neste momento, a empresa faz estudos sobre a viabilidade de expandir
sua frota a partir de outubro, quando chegará o décimo jato
737-700. Outra perspectiva são acordos operacionais com companhias
internacionais, para distribuir passageiros de empresas estrangeiras
a diferentes destinos do País, Os líderes das companhias aéreas
preferem dizer que não montam suas estratégias de olho no tamanho
de mercado da concorrente. Mas o presidente da Transbrasil, Flávio
Carvalho, prefere dizer que a empresa que comanda tem o dobro do
tamanho da Gol. "Voamos com apenas um avião a mais que a Gol,
é verdade, mas temos 10% da oferta de assentos do mercado",
pondera Carvalho.
- O fato é que
a Transbrasil já teve, recentemente, pelo menos 14% de participação
de mercado e viu sua fatia encolher 40% até o naco atual, com a
estratégia de cortar os vôos menos rentáveis e apostar em
trajetos de maior retorno de capital,explica o executivo.
"Estamos vivenciando a economia do País em situação séria,
mas não queremos culpar a situação. É claro que o quadro não é
bom, não temos o que esconder", diz Carvalho. A empresa
carrega dívidas da ordem de R$ 800 milhões, parte renegociadas.
Chegou a ter a falência requerida por um fornecedor de aviões,
pedido que terminou negado pela Justiça.
- Considerando os jatos hoje em manutenção,
a frota total da companhia chega a 13. Segundo Carvalho, não há
projetos megalômanos, mas o objetivo é retomar o espaço perdido e
manter sua fatia de mercado.
- Uma novidade: a partir de hoje, os
jatos da controlada Interbrasil começarão a voar com as mesmas
cores e padrões visuais da Transbrasil. Plano similiar já havia
sido adotado no passado pelas empresas do Grupo Varig. Apesar disso,
Carvalho diz que a controlada continuará como empresa independente.
O ranking das empresas aéreas brasileiras em junho se completa com
Varig dona de 28,63% do mercado, TAM 28,21%, Vasp 14,38%, Rio-Sul
8,72% e as demais com o restante.
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Quarta, 01
Aeronáutica abre concorrência
para compra de caças
A Aeronáutica abre hoje uma concorrência para a aquisição de
caças que vão substituir os 20 F-103, os Mirages. Parte da frota
completa 30 anos em 2002, quando termina sua vida útil. A substituição
desses aviões faz parte do Plano de Fortalecimento do Controle do Espaço
Aéreo Brasileiro. A Aeronáutica vai contar com US$ 700 milhões para
trocar os Mirages até 2005.
— Achamos que a FAB merece ter um núcleo de excelência em termos de
aviação de combate — afirmou o comandante da Aeronáutica, Carlos
Almeida Baptista, na apresentação do Projeto F-X BR, há duas semanas.
Oito empresas estão pré-selecionadas para disputar a licitação. Dos
nove fabricantes que haviam manifestado interesse, a alemã EADS saiu da
disputa. Hoje, em Brasília, os concorrentes vão adquirir a carta com
as exigências técnicas.
— Vamos comprar o melhor, o mais barato e o que atenda às
necessidades da Força Aérea — disse Baptista.
Não há previsão do número de jatos a serem adquiridos, já que o
governo federal cortou 10% da verba de US$ 3,5 bilhões destinada ao
programa.
Os oito concorrentes são a Alenia Aerospazio (Mako AT-60; as americanas
Boeing (F-18E/F) e Lockheed Martin (F-16); as russas Rac-Mig (Mig 29) e
Rosoboronexport (Sukoi 27); a sueca Saab Ab (Gripen); a francesa
Dassault (Rafale) e a Embraer (Dassault Mirage 2000 5-E). A A Dassault
detém hoje 20% da Embraer.
A frota brasileira contava, até mês passado, com 20 aviões Mirage,
todos na Base Aérea de Anápolis, em Goiás. No mês passado, uma
dessas aeronaves caiu, mas o piloto conseguiu ejetar sua cadeira e se
salvou. Segundo o comandante da Aeronáutica, dos 19 restantes apenas 14
estão em condições operacionais de vôo. As peças dos outros cinco
estão servindo de reposição para os demais.
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Quarta, 01
DAC investiga falha
humana na queda do helicóptero
O
Departamento de Aviação Civil (DAC) trabalha com a hipótese de que
uma falha humana pode ter ocasionado a queda do helicóptero Augusta
109E, do Grupo Pão de Açucar, sexta-feira à noite em Maresias, no
litoral paulista. Essa hipótese começou a ganhar força nas investigações
depois do co-piloto Luís Roberto Araújo Cintra ter afirmado,
segunda-feira, em depoimento à uma comissão de oficiais do DAC que a
aeronave já estava em posição de pouso no momento da queda.
Segundo um oficial que participa das investigações,
o comandante Ronaldo Jorge Pinheiro, devido às condições climáticas,
devia estar voando abaixo do limite de altura recomendado pelo DAC para
aterrissagens na região.
''Como a aeronave possuía dois motores, mesmo que um
quebrasse, o comandante teria condições de pousar com outro''. Teremos
essa certeza depois de que as ferragens foram encontradas, pois
saberemos, com certeza, a altura que o helicóptero se encontrava no
momento da queda'', disse o mesmo oficial.
O oficial disse ainda que o erro pode ter sido
provocado pelo fato de o comandante ter restringido o seu plano de vôo
somente do Aeroporto de Marte para o Heliporto do Pão de Açucar, na
região dos Jardins Paulista. De lá seguiu para Maresias.
Membro da Comissão de Investigação, o major Wagner
Cirilo, informou que pelo menos essa dúvida deverá ser esclarecida
amanhã quando o DAC espera ter acesso ao plano de vôo. Cirilo explica
que, caso tenha feito uma uma escala no Heliporto Pão de Açucar, o
comandante deveria obrigatoriamente de ter elaborado um novo plano de vôo
até Maresias. ''Esse plano pode ser feito na hora, pelo rádio em
conversa do piloto com o operador. Por isso, vamos chegar todas as
conversas do piloto durante o vôo, o que nos permitirá esclarecer de
vez esse assunto'', afirmou o major Wagner Cirilo Jr. Cirilo esclareceu
que o Heliporto de Maresias, onde a aeronave deveria aterrissara, está
homologado para funcionar à noite.
Piloto de helicóptero há 26 anos, o presidente da
Associação de Pilotos de Helicópteros de São Paulo (Aphesp), Moacyr
Honório, disse que, às vezes, os pilotos de São Paulo são obrigados
a mudar o seu plano de vôo durante o percurso para atender às agendas
dos empresários. Honório explicou que, embora a aeronave e toda
tripulação fossem homologados para voar por instrumento, a região
onde ocorreu a queda da aeronave não permite o uso dessa tecnologia.
Honório explica que o fato de a região litorânea não possuir nem
mesmo uma rota definida, homologada pela DAC, acaba levando os pilotos a
utilizar somente o procedimento manual nas decolagens e aterrissagens.
''O que predomina na região são planos de vôos
feitos através da comunicações entre os pilotos pelo rádio, que se
informam sobre as condições climáticas'', afirmou Honório.
Dizendo conhecer profundamente o trabalho do piloto,
considerado por ele ético e experiente, Honório
acha difícil que ele tenha cometido erro. Segundo Honório, o
comandante Ribeiro tem se empenhado na Aphesp no trabalho de prevenção
de acidentes.
De acordo com o presidente da Associação Brasileira
de Aviação Geral (Abag), Adalberto,
a capital paulista, com 400 aeronaves, possui a segunda maior frota de
helicópteros do mundo, perdendo para Nova Iorque.
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